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Trilha, resistência e legado: o motociclismo off-road que cria raízes em Mato Grosso

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Na manhã deste sábado (31), acompanhei um grupo de trilheiros até o distrito de Aguaçu, a cerca de 50 quilômetros de Cuiabá, seguindo pelas rodovias MT-010 e MT-401. O trajeto, marcado por poeira, obstáculos naturais e muita adrenalina, é apenas uma amostra do que representa o motociclismo off-road em Mato Grosso: um esporte que deixou de ser apenas lazer de fim de semana para se tornar cultura, identidade e legado.

O off-road mato-grossense vive um momento de consolidação. Trilhar caminhos tortuosos é comum a muitas décadas e continuam ativas e carregam a história de quem ajudou a construir esse cenário metro a metro, de forma coletiva. São percursos que atravessam o tempo e provam que o esporte não é passageiro. Ele cria raízes, memória e tradição.


A experiência na trilha é intensa. Não há espaço para distração. O piloto precisa manter foco absoluto para lidar com terrenos técnicos, subidas, descidas, lama, pedras e longos trechos que exigem resistência física e mental. A combinação de adrenalina, esforço contínuo e concentração transforma cada saída em uma vivência única.


Mesmo com rotinas puxadas durante a semana, os praticantes fazem questão de estar presentes nos encontros. A trilha se torna o momento de descarregar o cansaço do trabalho, substituindo o desgaste mental por esforço direcionado, prazer e superação pessoal. Muitos acordam cedo todos os dias para trabalhar e repetem esse esforço no fim de semana — agora, movidos exclusivamente pela paixão pelo esporte.

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A longevidade dos trilheiros chama atenção. O off-road não tem idade definida. Prova disso é Moisés Morgado, conhecido entre a moçada apenas como “Seu Moisés”. Há cerca de 20 anos na trilha, ele conta que o esporte corre no sangue.


“Já passei dos quarenta… meia cinco”, brinca, olhando para a barba branca. Questionado se a idade impõe limites, responde sem hesitar: “Até os oitenta eu vou. Enquanto eu conseguir montar na moto”.

Moisés também tem uma longa história com o enduro de regularidade, modalidade que ajudou a formar gerações de pilotos em Mato Grosso. Ele conta que só parou de competir porque, segundo ele mesmo, “no armário não cabe mais troféus”. O calendário dessas provas foi interrompido durante a pandemia, mas a base técnica construída segue viva e influencia diretamente o nível atual das trilhas.

Outro exemplo dessa paixão é Lucas Xavier, mais conhecido como “Cortina Tornado”. Ele veio de Campo Verde para participar da trilha e conta que os encontros são praticamente semanais. “Todo final de semana a gente tá em algum lugar. Semana que vem é Planalto da Serra, semana retrasada Nova Brasilândia… a próxima? Só Deus sabe. A gente não tem hora nem data. O importante é viver”.


Segundo ele, a logística faz parte da aventura. “Dez e quarenta da noite já tava tudo embarcado. Equipamento em primeiro lugar. Isso não tem preço”, resume.

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A organização também é um ponto forte do off-road no estado. Gerson Cardoso, conhecido por todos apenas como “Líder”, é presidente da Associação dos Trilheiros do distrito do Cachapó do Ouro. Ele explica que a prática em grupo é regra, tanto por segurança quanto pelo espírito esportivo.


“Hoje foi um chamamento simples e reunimos cerca de cinquenta pilotos. Tem gente de Campo Verde, Araputanga e de várias regiões do estado. Não tem premiação, é só passeio, diversão e desestresse”, explica.

Para ele, a trilha tem um papel quase terapêutico. “Quando você tá na trilha, não pensa em problema, em trabalho, em nada. É só concentração. É um esporte muito gratificante e que está crescendo muito em Mato Grosso”, afirma.

Esse crescimento também se reflete nas competições. Modalidades como o hard enduro ganharam força, com etapas de campeonato estadual e até passagem do campeonato brasileiro pelo estado. Segundo Líder, é hoje uma das vertentes do motociclismo que mais cresce em Mato Grosso.

O investimento para quem quer começar varia, mas não é pequeno. Uma moto nacional de entrada, como uma 250cc, pode custar em torno de R$ 26 mil. Com equipamentos de segurança, capacete, bota, joelheira, luvas, colete e mochila de hidratação, o valor inicial gira entre R$ 30 mil e R$ 35 mil. Já motos importadas, como KTM ou GasGas, podem ultrapassar os R$ 90 mil.


Apesar do risco inerente ao esporte, a segurança é prioridade. “Equipamento é fundamental. Todo esporte tem risco, mas bem equipado e com responsabilidade, dá pra minimizar bastante”, explica Líder.


Mais do que motos, trilhas e adrenalina, o off-road em Mato Grosso é marcado pela união. “Em mais de vinte anos de trilha, nunca vi briga entre trilheiro. Discussãozinha só de brincadeira. Aqui é tudo muito unido. É igual puxar siri: quando vem um, vem todo mundo junto”, resume.


Com maior divulgação, vídeos nas redes sociais e relatos de quem vive a trilha intensamente, o motociclismo off-road segue atraindo novos adeptos. Alguns ficam pelo caminho diante da exigência física e mental. Outros permanecem, fortalecem os grupos, ampliam eventos e garantem que o off-road continue crescendo, não apenas como esporte, mas como uma cultura sólida e enraizada em Mato Grosso.

Por, Luiz Henrique Menzes

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ARTIGO & OPINIÃO

TDAH nas Escolas: Estratégias Eficazes para a Alfabetização e a Aprendizagem

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Luciana Brites, Doutoranda em Ciências do Desenvolvimento Humano e Mestra em Distúrbios do Desenvolvimento

O Dia Mundial de Conscientização do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), em 13 de julho, destaca a importância da informação, do enfrentamento aos estigmas e da garantia de diagnóstico e tratamento adequados, com atenção especial aos desafios vividos por crianças e adolescentes na escola.

O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta 5% das crianças em idade escolar. Caracteriza-se por desatenção, hiperatividade e impulsividade, fatores que impactam a aprendizagem e a alfabetização. Porém, o transtorno não impede que a criança tenha uma trajetória escolar e social plena ao receber acompanhamento adequado.

É importante explicar que o TDAH não se manifesta de forma única. O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) descreve três apresentações. A com predominância desatenta, a predominantemente hiperativa-impulsiva e a combinada, que reúne as duas. Essa distinção tem efeito direto na alfabetização.

Na apresentação desatenta, a criança se perde no meio da tarefa, esquece o que estava lendo e tem dificuldade em sustentar o foco em atividades que exigem esforço contínuo. Já na hiperativa-impulsiva, o obstáculo aparece na impulsividade, pois a criança tende a adivinhar palavras em vez de decodificá-las, escreve de forma apressada e abandona a atividade antes de concluí-la. Na combinada, os dois conjuntos se somam. Reconhecer qual apresentação predomina ajuda o professor a ajustar as estratégias, em vez de tratar todas as crianças com TDAH da mesma maneira.

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É mito afirmar que crianças com TDAH são menos inteligentes. Com diagnóstico precoce, apoio multidisciplinar e estratégias pedagógicas eficazes, elas podem apresentar inteligência dentro ou acima da média. O acompanhamento pode envolver psicopedagogos, psicólogos, fonoaudiólogos e outros profissionais, de acordo com as necessidades individuais.

Em sala de aula, é importante que os professores observem sinais como dificuldade em manter a atenção por longos períodos, impaciência, esquecimento de materiais, distração frequente e excesso de movimentos.

Na alfabetização, as principais dificuldades estão relacionadas à atenção, à memória, à autorregulação emocional e comportamental, à baixa motivação em tarefas repetitivas e, em alguns casos, à presença de comorbidades, como dislexia ou Transtorno Opositivo Desafiador (TOD). Diferentemente dos transtornos de linguagem, no TDAH o principal obstáculo está na manutenção do foco.

Para favorecer a aprendizagem, recomenda-se propor uma tarefa por vez, oferecer tempo extra para a execução, reduzir estímulos distratores e utilizar recursos visuais claros e objetivos. Estratégias práticas do cotidiano e instruções diretas também contribuem.

As dificuldades na escrita são comuns e podem estar associadas à impulsividade, à atenção reduzida e à coordenação motora fina. Medidas eficazes em sala são priorizar a qualidade em vez da quantidade, dividir atividades em etapas menores, respeitar o ritmo da criança e permitir pausas frequentes. O uso de recursos visuais, jogos, tecnologia e reforço positivo fortalece a motivação.

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Lidar com o TDAH na alfabetização exige paciência, planejamento e empatia. Com adaptações simples e apoio adequado, é possível transformar desafios em oportunidades, promovendo aprendizado significativo e inclusão escolar.


(*) Luciana Brites é CEO do Instituto NeuroSaber, psicopedagoga, psicomotricista, Doutoranda em Ciências do Desenvolvimento Humano e Mestra em Distúrbios do Desenvolvimento pelo Mackenzie, palestrante e autora de livros sobre educação e transtornos de aprendizagem. Instituto NeuroSaber https://institutoneurosaber.com.br

 

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