AGRO & NEGÓCIOS
Nova Canaã do Norte celebra 40 anos com maior Costelão de Mato Grosso e reúne mais de 14 mil pessoas
O município de Nova Canaã do Norte viveu neste domingo (10) um dos maiores eventos de sua história. A comemoração dos 40 anos de emancipação política da cidade reuniu milhares de pessoas durante o tradicional 26º Costelão, considerado por participantes e organizadores como o maior de Mato Grosso. A festa também celebrou o Dia das Mães e movimentou toda a região norte do estado com shows, ações sociais e forte participação popular.

Segundo os organizadores, mais de 14 mil pessoas passaram pelo evento ao longo do dia. O vereador Lucas Pinheiro da Costa destacou que a festa representa a tradição e a identidade do povo canaense, reunindo famílias e moradores que ajudaram a construir a história do município desde os tempos em que Nova Canaã ainda era distrito de Colíder.

De acordo com ele, mais de 200 pessoas trabalharam voluntariamente na organização, entre servidores públicos, colaboradores e membros da comunidade. O evento contou ainda com distribuição gratuita de carne para as famílias, barracas destinadas a entidades beneficentes, como APAE e igrejas, além de apresentações culturais e o show nacional da dupla Rick & Renner.

O impacto econômico também foi comemorado pelos organizadores. O comércio local registrou aumento no fluxo de consumidores durante toda a programação, especialmente nos setores de alimentação, vestuário e serviços.

O cirurgião-dentista Leandro Aparecida de Oliveira classificou o evento como uma das maiores festas tradicionais da região norte de Mato Grosso. Segundo ele, o Costelão já se consolidou como símbolo de integração regional, reunindo moradores de diversas cidades em um ambiente familiar e de confraternização. Durante a festa, cerca de seis toneladas de carne foram preparadas para atender o público.

Quem também acompanhou o evento foi o técnico de informática Victor Hugo Burginski, morador de Colíder. Ele destacou a grandiosidade da estrutura montada e afirmou que a edição deste ano superou as expectativas, com milhares de pessoas ocupando todas as áreas do espaço do evento.

Entre as autoridades presentes esteve o pré-candidato ao Senado Federal Antônio Galvan, acompanhado da esposa, Dra. Paula Boaventura. O casal aproveitou a passagem por Nova Canaã do Norte para reencontrar amigos antigos da região e participar das comemorações.

Galvan ressaltou a importância histórica da cidade e da tradição do Costelão, enquanto Paula destacou o carinho que possui pelo município e pelas famílias pioneiras da região, especialmente pela ligação histórica com moradores antigos que participaram do desenvolvimento local há mais de quatro décadas. O prefeito Vinícius Oliveira e sua esposa Meira Sartori, recepcionaram o casal e destacou a importância da presença de lideranças ligadas ao setor produtivo durante a comemoração. Segundo ele, Nova Canaã do Norte mantém uma forte ligação com os valores do agronegócio, da produção rural e do desenvolvimento regional.

Durante o evento, moradores e produtores rurais também falaram sobre o cenário político estadual e nacional, defendendo a necessidade de representantes ligados ao setor produtivo e aos interesses de Mato Grosso.

O empresário Mário Wolf Junior, um dos pioneiros da região, afirmou que o estado precisa de representantes com coragem para defender os interesses do país e do agronegócio no Congresso Nacional. Ele relembrou a trajetória de desenvolvimento da região norte de Mato Grosso e a importância de lideranças ligadas à produção rural.

Com estrutura grandiosa, clima familiar e participação popular recorde, o 26º Costelão entrou para a história como uma das maiores celebrações já realizadas em Nova Canaã do Norte, marcando os 40 anos de emancipação do município em grande estilo.
AGRO & NEGÓCIOS
Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade
Published
3 semanas atráson
11 de junho de 2026By
Da Redação
Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.

fAdilson Muziwane/Paula Boaventura
A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.
O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.

“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.
A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.
por Luiz Henrique Menezes
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