ORIGINÁRIOS
Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade
Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.

fAdilson Muziwane/Paula Boaventura
A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.
O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.

“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.
A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.
por Luiz Henrique Menezes
AGRO & NEGÓCIOS
Circuito Aprosoja reúne produtores em Alta Floresta e debate endividamento, FETAB e desafios do agro em MT
Published
3 semanas atráson
18 de maio de 2026By
Da Redação
A manhã desta segunda-feira (18) foi marcada pela realização do 20º Circuito Aprosoja, em Alta Floresta, no extremo norte de Mato Grosso. O encontro reuniu produtores rurais, empresários e lideranças do setor na sede do SIMENORTE, Sindicato dos Madeireiros do Extremo Norte de Mato Grosso.

Representando a Aprosoja-MT, o vice-presidente Luiz Pedro Bier fez um balanço dos últimos anos de atuação da entidade e destacou os principais desafios enfrentados pela agricultura mato-grossense. Entre os temas abordados estiveram o endividamento dos produtores, insegurança jurídica no campo, ameaças de invasão de terras, instabilidades climáticas, restrições ao crédito rural, regularização ambiental, logística e a cobrança do FETAB.

Durante a apresentação, Bier afirmou que o setor produtivo tem enfrentado uma combinação de fatores que pressionam diretamente a atividade no campo. Segundo ele, a queda no preço da soja, o aumento dos custos de produção, os juros elevados, a seca em algumas regiões e o excesso de chuvas em outras criaram um cenário de forte preocupação para os produtores.

O vice-presidente também destacou a atuação da Aprosoja em pautas como a regularização do CAR, a defesa da propriedade privada, o enfrentamento à moratória da soja e o diálogo com instituições financeiras em busca de alternativas para o endividamento rural.

Outro ponto de destaque foi o FETAB. Bier afirmou que a entidade, junto com outras organizações do setor produtivo, tem trabalhado para evitar novos aumentos e buscar alívio ao produtor rural. Segundo ele, os congelamentos recentes e a possível não reedição do chamado FETAB 2 podem representar uma economia expressiva para o setor.

O ex-presidente da Aprosoja Brasil, Antônio Galvan, também participou do encontro e falou sobre o impacto do FETAB no bolso do produtor, reforçando a cobrança por medidas que aliviem a carga sobre quem produz em Mato Grosso.

O evento também contou com palestra do professor HOC, que abordou temas ligados à geopolítica e seus reflexos no agronegócio brasileiro, especialmente em um momento de instabilidade econômica, disputas comerciais e mudanças no cenário internacional.

O Circuito Aprosoja em Alta Floresta reforçou a importância do debate regionalizado, ouvindo produtores e levando informações sobre as ações da entidade em defesa do setor produtivo mato-grossense.
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