CUIABÁ

ARTIGO DE OPINIÃO

Tecnologia, IA e Networking: o futuro do executive Search

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Por Mário Quirino

O mundo dos negócios está sendo redesenhado por novas ondas tecnológicas. Blockchain, inteligência artificial, machine learning, realidade virtual e ambientes conectados não só criaram setores inteiros, como fintechs, biotech e telehealth, como também estão transformando a forma como recrutamos e encontramos talentos.

Nos últimos anos, vimos tarefas repetitivas sendo substituídas por automação: bancos de dados, triagem de currículos e até entrevistas iniciais passaram para plataformas digitais. Hoje, já existem soluções que identificam candidatos em segundos, medem performance e fazem análises preditivas de comportamento.

Mas no meio dessa revolução, surge a pergunta: a tecnologia vai substituir o executive search e os recrutadores? A resposta é mais complexa do que um simples “sim” ou “não”. Se, por um lado, a tecnologia acelera, do outro, é o networking que ainda diferencia.

Plataformas como Indeed ou ZipRecruiter já dominaram o nível operacional. Agora, vemos soluções para altos executivos, como a NuRole, que conecta conselheiros a vagas estratégicas. Ferramentas de realidade virtual, como as usadas pelo Lloyd’s Banking Group, testam candidatos em simulações imersivas de tomada de decisão. Tudo isso é poderoso. Mas nenhuma tecnologia consegue fazer o que uma boa rede de relacionamentos faz: abrir portas que não estão visíveis.

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Um algoritmo pode identificar um candidato com fit técnico impecável. Porém, só o networking revela quem realmente tem credibilidade no mercado, quem é lembrado e indicado por pares de confiança e quem já demonstrou liderança em situações de crise. É na rede de conexões reais que se encontram os talentos invisíveis, aqueles que não aparecem em currículos ou LinkedIn.

De um lado, temos a eficiência, IA faz triagens, gera relatórios e economiza tempo. Do outro, temos o insubstituível storytelling e venda de uma oportunidade, negociação e persuasão, julgar cultura, valores e ambição de um candidato, conectar pessoas certas com o timing certo. Esse é o espaço do networking estratégico. É onde consultores, empresários e líderes se diferenciam.

Mesmo com algoritmos mais inteligentes, a decisão final nunca será apenas sobre dados. Será sobre confiança. E confiança nasce de conexões humanas. Empresas podem usar tecnologia para ganhar velocidade, mas continuam precisando de pessoas que entendam gente. E, principalmente, de redes que amplificam oportunidades, encurtam caminhos e fortalecem reputações.

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O futuro do recrutamento executivo não é “IA vs humano”. É “IA + humano”. A tecnologia organiza, filtra e acelera. O networking conecta, valida e transforma. Quem dominar essa combinação, usar máquinas para processar dados e pessoas para criar conexões reais, vai liderar o jogo da próxima década.

*Mário Quirino é especialista em Desenvolvimento Humano e Diretor Executivo do BNI Brasil em Mato Grosso.

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ARTIGO & OPINIÃO

TDAH nas Escolas: Estratégias Eficazes para a Alfabetização e a Aprendizagem

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Luciana Brites, Doutoranda em Ciências do Desenvolvimento Humano e Mestra em Distúrbios do Desenvolvimento

O Dia Mundial de Conscientização do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), em 13 de julho, destaca a importância da informação, do enfrentamento aos estigmas e da garantia de diagnóstico e tratamento adequados, com atenção especial aos desafios vividos por crianças e adolescentes na escola.

O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta 5% das crianças em idade escolar. Caracteriza-se por desatenção, hiperatividade e impulsividade, fatores que impactam a aprendizagem e a alfabetização. Porém, o transtorno não impede que a criança tenha uma trajetória escolar e social plena ao receber acompanhamento adequado.

É importante explicar que o TDAH não se manifesta de forma única. O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) descreve três apresentações. A com predominância desatenta, a predominantemente hiperativa-impulsiva e a combinada, que reúne as duas. Essa distinção tem efeito direto na alfabetização.

Na apresentação desatenta, a criança se perde no meio da tarefa, esquece o que estava lendo e tem dificuldade em sustentar o foco em atividades que exigem esforço contínuo. Já na hiperativa-impulsiva, o obstáculo aparece na impulsividade, pois a criança tende a adivinhar palavras em vez de decodificá-las, escreve de forma apressada e abandona a atividade antes de concluí-la. Na combinada, os dois conjuntos se somam. Reconhecer qual apresentação predomina ajuda o professor a ajustar as estratégias, em vez de tratar todas as crianças com TDAH da mesma maneira.

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É mito afirmar que crianças com TDAH são menos inteligentes. Com diagnóstico precoce, apoio multidisciplinar e estratégias pedagógicas eficazes, elas podem apresentar inteligência dentro ou acima da média. O acompanhamento pode envolver psicopedagogos, psicólogos, fonoaudiólogos e outros profissionais, de acordo com as necessidades individuais.

Em sala de aula, é importante que os professores observem sinais como dificuldade em manter a atenção por longos períodos, impaciência, esquecimento de materiais, distração frequente e excesso de movimentos.

Na alfabetização, as principais dificuldades estão relacionadas à atenção, à memória, à autorregulação emocional e comportamental, à baixa motivação em tarefas repetitivas e, em alguns casos, à presença de comorbidades, como dislexia ou Transtorno Opositivo Desafiador (TOD). Diferentemente dos transtornos de linguagem, no TDAH o principal obstáculo está na manutenção do foco.

Para favorecer a aprendizagem, recomenda-se propor uma tarefa por vez, oferecer tempo extra para a execução, reduzir estímulos distratores e utilizar recursos visuais claros e objetivos. Estratégias práticas do cotidiano e instruções diretas também contribuem.

As dificuldades na escrita são comuns e podem estar associadas à impulsividade, à atenção reduzida e à coordenação motora fina. Medidas eficazes em sala são priorizar a qualidade em vez da quantidade, dividir atividades em etapas menores, respeitar o ritmo da criança e permitir pausas frequentes. O uso de recursos visuais, jogos, tecnologia e reforço positivo fortalece a motivação.

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Lidar com o TDAH na alfabetização exige paciência, planejamento e empatia. Com adaptações simples e apoio adequado, é possível transformar desafios em oportunidades, promovendo aprendizado significativo e inclusão escolar.


(*) Luciana Brites é CEO do Instituto NeuroSaber, psicopedagoga, psicomotricista, Doutoranda em Ciências do Desenvolvimento Humano e Mestra em Distúrbios do Desenvolvimento pelo Mackenzie, palestrante e autora de livros sobre educação e transtornos de aprendizagem. Instituto NeuroSaber https://institutoneurosaber.com.br

 

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