CUIABÁ

ANIMAIS E MÍDIA

Eveline Bapstitella explora os efeitos da imprensa e outras mídias na segurança dos animais não humanos_

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A forma como a imprensa retrata os animais pode influenciar diretamente abandono, maus-tratos ou proteção das espécies. É o que discute a jornalista e pesquisadora Eveline Baptistella em seu novo livro “Animais e Mídia: Um estudo sobre a comunicação e seu poder para promover (ou não) os direitos dos animais”. Com base em décadas de pesquisa, ela mostra como as narrativas midiáticas, especialmente na imprensa, influenciam a maneira como a sociedade enxerga as demais espécies de animais e como as trata.

O livro discute o conceito de especismo, apontando como a mídia classifica os animais que são dignos de empatia ou de repulsa social, cuja separação pode ocorrer por estética, grau de submissão de domesticação e histórico nas relações com humanos.

Com vasta experiência nas redações e formadora de novos jornalistas, como professora da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), Eveline propõe a reflexão sobre o papel do profissional de imprensa nas coberturas que envolvam outras espécies de animais.

Em suas páginas, a pesquisadora resgata a cobertura jornalística realizada durante a corrida espacial, na década de 1950, quando cães, coelhos e ratos foram enviados ao espaço antes das viagens tripuladas por humanos. À época, esses animais foram submetidos a estresse e mortes dolorosas.

O livro também aborda a cobertura jornalística da imprensa cuiabana durante um surto de toxoplasmose, em 2011, cujo uso de palavras contribuiu para um abandono recorde de gatos nas ruas da capital mato-grossense, além de casos de maus-tratos contra eles.

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Nos dois casos, Baptistella destaca como a formulação das perguntas certas e a apresentação completa das informações poderiam ter alterado a forma como a sociedade reagiu aos episódios, demonstrando que a comunicação, quando mal conduzida, pode provocar consequências concretas e graves para outras espécies.

O Pantanal, com sua fauna única, também é destaque. Baptistella aborda o papel da mídia na proteção das ariranhas e outras espécies pantaneiras. A autora reflete sobre a linha tênue: se por um lado a cobertura midiática traz visibilidade e proteção legal, por outro, o aumento da presença humana em áreas sensíveis gera estresse nos animais, podendo levar a conflitos entre humanos e não humanos.

Baptistella alerta que a mídia, ao mesmo tempo em que expõe os riscos das micro-hidrelétricas, também pode, inadvertidamente, intensificar a exploração da região. Esse paradoxo é discutido, mostrando como a responsabilidade da comunicação é vital para equilibrar preservação e respeito à fauna local.


A autora também analisa como documentários, entretenimento e redes sociais moldam sentimentos de empatia, medo ou indiferença em relação aos animais. A autora observa que essas narrativas ajudam a moldar sentimentos de proximidade, medo ou indiferença em relação às espécies.

Destacando a responsabilidade do comunicador, Baptistella convida o leitor a pensar sobre a ética envolvida em cada notícia, documentário ou postagem em rede social.

O livro se encerra com uma entrevista exclusiva do etólogo Marc Bekoff, um dos principais nomes globais da ética nas relações entre humanos e outras espécies. Professor emérito da Universidade do Colorado, ele construiu uma carreira dedicada ao estudo das emoções, da cognição e da vida social dos animais, defendendo que eles são seres sencientes e merecem consideração moral.

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Bekoff também destaca, na entrevista, o papel fundamental da imprensa na formação da consciência pública sobre o tema. Para ele, a forma como os animais são retratados nas notícias, documentários e nas redes sociais pode contribuir tanto para ampliar a empatia e a proteção das espécies quanto para reforçar práticas que ignoram seu bem-estar, o que torna ainda mais necessária uma comunicação responsável e ética.

Com uma linguagem acessível, o livro é um convite para que profissionais da comunicação e o público em geral repensem sua responsabilidade ao dar voz, ou silenciar, os outros animais.

A obra será lançada no próximo sábado, 14 de março, em São Paulo. O lançamento em Cuiabá ainda não tem data prevista.

*SERVIÇO*
O QUÊ: Lançamento do livro “Animais e Mídia: Um estudo sobre a comunicação e seu poder para promover (ou não) os direitos dos animais”.
QUANDO: sábado, 17 de março, a partir das 17h
AONDE: Drummond Livraria – Av. Paulista, 2.073 Conjunto Nacional, loja 153 – Consolação, São Paulo – SP.

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ARTIGO & OPINIÃO

Desafios e oportunidades de empreender no setor de entretenimento infantil

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Empreender no setor de entretenimento infantil exige atenção ao comportamento das crianças e às expectativas das famílias. Não se trata apenas de oferecer atividades, mas de organizar experiências que façam sentido. O público busca ambientes que funcionem e entreguem o que prometem. Entender o perfil de quem frequenta o espaço e acompanhar mudanças de comportamento tornam-se ações essenciais.

Na minha trajetória à frente do Fly Park, ficou evidente que a consistência sustenta o negócio. Segurança, organização e processos bem definidos precisam estar presentes na operação. Manutenção dos equipamentos, treinamento da equipe e revisão de procedimentos não podem acontecer de forma eventual. São práticas que exigem planejamento e acompanhamento, as quais impactam diretamente na confiança das famílias.

Outro ponto relevante está na mudança de hábitos das crianças, que convivem cada vez mais com estímulos digitais. Isso influencia o nível de interesse e a forma como interagem com atividades presenciais. É necessário atualizar propostas, testar formatos e observar o que funciona. Nem toda ideia gera o resultado esperado, e ajustar a estratégia faz parte da rotina de quem atua nesse segmento.

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As famílias também passaram a enxergar o entretenimento de forma diferente. Existe uma busca maior por experiências que permitam a convivência e o aproveitamento do tempo em conjunto. O espaço de lazer deixa de ser utilizado apenas em datas específicas e passa a integrar a rotina. Esse movimento abre oportunidades para novos serviços, formatos de eventos e relacionamento com o público.

A gestão exige disciplina e organização. Controlar custos, planejar investimentos e manter a operação equilibrada são tarefas permanentes. O crescimento precisa ser avaliado com cuidado, considerando a capacidade de manter o padrão de atendimento. Expandir sem estrutura pode comprometer a experiência e afetar a imagem construída ao longo do tempo.

O atendimento também influencia os resultados. A experiência do cliente começa no primeiro contato e continua após a visita. Comunicação clara, cumprimento de horários e atenção na resolução de demandas impactam na decisão de retorno.

A equipe tem papel direto no funcionamento do negócio. Profissionais preparados e alinhados com os processos contribuem para a execução das atividades e para o relacionamento com as famílias. Investir em capacitação e acompanhamento ajuda a manter a operação estável e reduz falhas no dia a dia.

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Mesmo diante dos desafios, o setor apresenta oportunidades para quem atua com organização e adaptação. Há demanda por espaços que ofereçam experiências bem estruturadas e que mantenham um padrão de funcionamento. Empreender nesse segmento envolve constância, análise e ajustes frequentes. O resultado aparece na confiança construída com o público e na continuidade do negócio ao longo do tempo.

_* *Edy Machado* é empresária e proprietária do Fly Park, em Cuiabá._

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