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O problema é mais comum em mulheres, e pode ter diversos gatilhos

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Quase todo mundo já sentiu dor de cabeça, mas para a maioria dos brasileiros, esse incômodo vai muito além de um episódio pontual. Segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBC), 95% da população terá pelo menos um episódio de dor de cabeça ao longo da vida. O problema é ainda mais frequente em mulheres: cerca de 70% delas e 50% dos homens relatam crises mensais.

De acordo com o médico neurologista que atende no Hospital São Mateus, José Alexandre Borges Figueiredo Junior, a cefaleia é a segunda condição médica mais comum no mundo. “O Dia Nacional de Combate à Cefaleia, celebrado em 19 de maio, é uma data essencial para conscientizar a população sobre um problema que vai muito além da dor física, ele compromete a produtividade, afeta a qualidade de vida e interrompe momentos importantes do cotidiano”, alerta o especialista.

A cefaleia pode ser classificada em primária, quando não há causa identificável, e secundária, quando está relacionada a outra condição de saúde. Em ambos os casos, o diagnóstico correto e o acompanhamento médico são fundamentais para o controle dos sintomas e para garantir mais bem-estar.

*Tipos de cefaleias primárias mais importantes*

*Cefaleia tensional:* é o tipo mais comum e está relacionada a uma série de fatores físicos e emocionais. Estresse, ansiedade, má postura, distúrbio psíquicos e até mesmo emoções intensas, como alegria extrema, podem desencadear o quadro. Caracterizada por uma dor de intensidade leve a moderada, a sensação é de uma pressão ou aperto na região frontal ou ao redor da cabeça. A duração é variável, pode durar 30 minutos ou se estender por vários dias seguidos.

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*Enxaqueca:* é um tipo de dor de cabeça recorrente que costuma surgir antes da meia idade e afeta cerca de 20% das mulheres. Embora suas causas ainda não sejam compreendidas, alguns gatilhos podem desencadear crises, entre eles cheiros fortes, luz intensa, consumo excessivo de café ou analgésicos, além do uso de anticoncepcionais orais que contêm estrógeno. A dor característica é latejante, de intensidade moderada a intensa, e costuma se concentrar em lado da cabeça. As crises podem durar de quatro horas até 72 horas e, em muitos casos, vêm acompanhadas de náuseas e vômitos.

*Cefaleia induzida por medicamento:* em vez de aliviar, o uso frequente de analgésicos por pessoas com cefaleia crônica pode agravar ainda mais o problema. Esse tipo de dor acontece quando o organismo passa a reagir negativamente ao uso contínuo de medicamentos. O uso é considerado abusivo quando o paciente recorre a analgésicos em 10 a 15 dias ou mais por mês. Entre os medicamentos mais associados a esse quadro estão os que contêm codeína, opiáceos ou triptanos.

*Cefaleia em salvas:* é uma das formas mais intensas de dor de cabeça, caracterizada por crises recorrentes e localizadas geralmente em um dos lados da cabeça, com foco ao redor do olho ou na têmpora. As crises duram entre 15 minutos e 3 horas e podem acontecer várias vezes ao dia, em ciclos que se repetem por semanas ou meses. Além da dor, podem decorrer sintomas como lacrimejamento, congestão ou corrimento nasal, queda da pálpebra, pupila contraída e inchaço ao redor do olho no lado afetado. Entre os fatores que pode desencadear as crises estão consumo de álcool, mudanças climáticas, exposição a cheiros fortes e luzes intensas, além de estresse e fadiga.

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*Tratamento*

Apesar de não ter cura, contar com acompanhamento médico e cuidado adequado são ferramentas essenciais para melhorar a qualidade de vida de quem sofre com dores de cabeça.

“Quando um paciente apresenta três ou mais dores de cabeça por mês, durante três meses seguidos, é indispensável a procura por ajuda especializada. O tratamento preventivo é feito por uma combinação entre medicamentos e terapias não medicamentosas”, pontua o neurologista.

Além do tratamento clínico, adotar hábitos saudáveis faz diferença. “Cuidar da alimentação, hidratar-se bem, praticar atividade física regularmente e evitar o consumo excessivo de álcool e cafeína, são atitudes que contribuem para a redução da frequência e da intensidade das crises”, conclui o médico.

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TDAH nas Escolas: Estratégias Eficazes para a Alfabetização e a Aprendizagem

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Luciana Brites, Doutoranda em Ciências do Desenvolvimento Humano e Mestra em Distúrbios do Desenvolvimento

O Dia Mundial de Conscientização do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), em 13 de julho, destaca a importância da informação, do enfrentamento aos estigmas e da garantia de diagnóstico e tratamento adequados, com atenção especial aos desafios vividos por crianças e adolescentes na escola.

O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta 5% das crianças em idade escolar. Caracteriza-se por desatenção, hiperatividade e impulsividade, fatores que impactam a aprendizagem e a alfabetização. Porém, o transtorno não impede que a criança tenha uma trajetória escolar e social plena ao receber acompanhamento adequado.

É importante explicar que o TDAH não se manifesta de forma única. O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) descreve três apresentações. A com predominância desatenta, a predominantemente hiperativa-impulsiva e a combinada, que reúne as duas. Essa distinção tem efeito direto na alfabetização.

Na apresentação desatenta, a criança se perde no meio da tarefa, esquece o que estava lendo e tem dificuldade em sustentar o foco em atividades que exigem esforço contínuo. Já na hiperativa-impulsiva, o obstáculo aparece na impulsividade, pois a criança tende a adivinhar palavras em vez de decodificá-las, escreve de forma apressada e abandona a atividade antes de concluí-la. Na combinada, os dois conjuntos se somam. Reconhecer qual apresentação predomina ajuda o professor a ajustar as estratégias, em vez de tratar todas as crianças com TDAH da mesma maneira.

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É mito afirmar que crianças com TDAH são menos inteligentes. Com diagnóstico precoce, apoio multidisciplinar e estratégias pedagógicas eficazes, elas podem apresentar inteligência dentro ou acima da média. O acompanhamento pode envolver psicopedagogos, psicólogos, fonoaudiólogos e outros profissionais, de acordo com as necessidades individuais.

Em sala de aula, é importante que os professores observem sinais como dificuldade em manter a atenção por longos períodos, impaciência, esquecimento de materiais, distração frequente e excesso de movimentos.

Na alfabetização, as principais dificuldades estão relacionadas à atenção, à memória, à autorregulação emocional e comportamental, à baixa motivação em tarefas repetitivas e, em alguns casos, à presença de comorbidades, como dislexia ou Transtorno Opositivo Desafiador (TOD). Diferentemente dos transtornos de linguagem, no TDAH o principal obstáculo está na manutenção do foco.

Para favorecer a aprendizagem, recomenda-se propor uma tarefa por vez, oferecer tempo extra para a execução, reduzir estímulos distratores e utilizar recursos visuais claros e objetivos. Estratégias práticas do cotidiano e instruções diretas também contribuem.

As dificuldades na escrita são comuns e podem estar associadas à impulsividade, à atenção reduzida e à coordenação motora fina. Medidas eficazes em sala são priorizar a qualidade em vez da quantidade, dividir atividades em etapas menores, respeitar o ritmo da criança e permitir pausas frequentes. O uso de recursos visuais, jogos, tecnologia e reforço positivo fortalece a motivação.

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Lidar com o TDAH na alfabetização exige paciência, planejamento e empatia. Com adaptações simples e apoio adequado, é possível transformar desafios em oportunidades, promovendo aprendizado significativo e inclusão escolar.


(*) Luciana Brites é CEO do Instituto NeuroSaber, psicopedagoga, psicomotricista, Doutoranda em Ciências do Desenvolvimento Humano e Mestra em Distúrbios do Desenvolvimento pelo Mackenzie, palestrante e autora de livros sobre educação e transtornos de aprendizagem. Instituto NeuroSaber https://institutoneurosaber.com.br

 

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