CUIABÁ

SAÚDE BUCAL

OdontoSesc atendeu mais de 2,7 mil trabalhadores do comércio no estacionamento da empresa Todimo

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Desde fevereiro, a unidade itinerante OdontoSesc realizou 7.954 procedimentos odontológicos gratuitos para 2.743 trabalhadores em Cuiabá. Os atendimentos são promovidos pelo Sistema Fecomércio-MT, por meio do Sistema Social do Comércio (Sesc-MT) para atender os usuários do ‘Cartão Sesc’, que contempla os trabalhadores do comércio de bens, serviços e turismo do estado e seus familiares.

O presidente do Sistema Fecomércio-MT, José Wenceslau de Souza Júnior, comenta o êxito do projeto. “Em 75 dias, viabilizamos quase 8 mil procedimentos em parceria com o Sindicato do Comércio Varejista de Materiais de Construção de Mato Grosso (Sindcomac-MT) e a Associação dos Comerciantes de Materiais de Construção de Mato Grosso (Acomac-MT)”, informa.

A estrutura da unidade é composta por quatro cadeiras odontológicas, área de escovação supervisionada, sala de esterilização e sala de raio-x. Entre os procedimentos realizados, constam avaliações, consultas, exames, raspagens, profilaxia e radiografias.

“Cerca de 10 profissionais, entre dentistas e auxiliares, atendem na unidade móvel, que conta com espaço climatizado, sistema de esterilização de ar ambiente e rigorosas rotinas de biossegurança. Tudo é preparado visando a qualidade do serviço oferecido e o conforto dos pacientes” destaca o diretor regional do Sesc-MT, Allan Serotini.

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De acordo com a coordenadora de Saúde do Sesc-MT, Mônica Latorraca, a maior parte dos pacientes atendidos relatou não visitar o dentista há mais de um ano. “Com acesso ao ‘Cartão Sesc’, os colaboradores possuem tratamento gratuito e facilitado aos cuidados da saúde bucal. Isso demonstra a relevância dos serviços oferecidos pelo Sesc aos trabalhadores e seus familiares”, afirma a coordenadora.

O atendimento na unidade móvel OdontoSesc está sendo realizado no estacionamento da empresa Todimo, na região Coxipó, de segunda à sexta-feira, das 7h30 às 17h. O agendamento pode ser realizado pelo WhatsApp (65) 9252-5947.

Cartão Sesc

Os interessados em solicitar o ‘Cartão Sesc’ devem apresentar documento de identificação com foto, carteira de trabalho (física ou on-line), último holerite, CPF e comprovante de residência na Central de Relacionamento com o Cliente do Sesc Arsenal, em Cuiabá. O cartão é digital e fica pronto em poucos minutos. Para acessá-lo, basta baixar o aplicativo Sesc Mato Grosso na App Store (iOS) ou Play Store (Android).

Confira todas as informações sobre quem pode ser beneficiado e as vantagens oferecidas aqui (http://bit.ly/3k1vmt0).

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O Sistema S do Comércio, composto pela Fecomércio, Sesc, Senac e IPF em Mato Grosso, é presidido por José Wenceslau de Souza Júnior. A entidade é filiada à Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que está sob o comando de José Roberto Tadros.

SERVIÇO

OdontoSesc em Cuiabá

Agendamento: No local ou pelo WhatsApp (65)9252-5947

Horário de atendimento: de segunda à sexta-feira, das 7h30 às 17h00

Local: Avenida Carmindo de Campos, 667, Jardim Petrópolis, Cuiabá – MT (Todimo)

 

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AGRO & NEGÓCIOS

Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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