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Famato Mulher promove integração familiar e fortalecimento do Sistema sindical em Pontes e Lacerda

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Nesta terça-feira (02/07), a Comissão Famato Mulher promoveu mais uma edição do evento “Famato Mulher – Fortalecendo a Presença da Família junto ao Sistema Sindical”, desta vez no Sindicato Rural de Pontes e Lacerda. A iniciativa, organizada pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-MT), contou com o apoio do Sindicato Rural de Pontes e Lacerda, Farmun e Bayer.

O evento reuniu mais de 90 mulheres, marcando um dia de aprendizado, inspiração e fortalecimento da presença feminina no setor agropecuário. O presidente do Sindicato Rural de Pontes e Lacerda, Aparecido Flavio de Souza, expressou sua satisfação em sediar o evento e ressaltou seu apoio à Famato Mulher. “É uma honra receber a Famato Mulher em nossa cidade. A presença e a participação ativa das mulheres no sistema sindical são fundamentais para o crescimento e fortalecimento do setor agropecuário. Apoiar esse movimento é apoiar o futuro do campo,” afirmou Aparecido Souza.

O evento contou com a presença de diversos líderes sindicais, incluindo os presidentes de sindicato Maria das Dores de Souza (Araputanga), Sebastião Vitor Martinez (Mirassol D’Oeste), Bruno Fernandes de Faria (Vale do Rio Branco) e José Teixeira (Vila Bela da Santíssima Trindade). Representando a Famato, estiveram presentes o 2º vice-presidente Amarildo Merotti e o vice-presidente regional Michel Perez, assim como a 2ª vice-presidente da Famato Mulher, Adriana Merotti.

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Luciana Tomain, produtora rural e presidente da Famato Mulher, conduziu o evento, compartilhando sua inspiradora história de vida e destacando a importância da comissão. “A Famato Mulher desempenha um papel crucial em fortalecer a presença da família no sistema sindical. Nosso compromisso com o campo nos motiva a trabalhar cada vez mais para assegurar que todos tenham voz nesse setor. Estamos construindo um futuro melhor para nossas famílias e para o agronegócio brasileiro”, declarou Luciana Tomain.

A presidente também apresentou o sistema sindical, destacando a metodologia de trabalho e a representatividade das instituições que compõem o Sistema Famato. “A Famato, Senar-MT, Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), AgriHub e os Sindicatos Rurais trabalham em conjunto para promover o desenvolvimento do agronegócio em Mato Grosso. Cada instituição tem um papel fundamental, desde a educação e formação profissional até a inovação e pesquisa, garantindo que o setor agropecuário se mantenha forte e competitivo”, disse Luciana.

O 2º vice-presidente da Famato, Amarildo Merotti, parabenizou a iniciativa da Federação e a comissão pelo excelente trabalho que vem desenvolvendo junto aos sindicatos rurais. “A Famato Mulher tem demonstrado um compromisso exemplar com o fortalecimento do nosso sistema sindical e com o desenvolvimento do agronegócio em nossa região. As ações e projetos promovidos têm feito uma diferença significativa, e é inspirador ver o impacto positivo gerado por essa dedicação. Continuem com essa força e determinação, pois estamos construindo um futuro promissor para todos nós”, destacou Merotti.

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A Bayer contribuiu com o evento por meio da palestra “Conexão Mulheres no Agro”, ministrada por Jessika Terra, diretora de negócios em Proteção de Cultivos, e Bruna Mello, representante técnica de vendas da Dekalb. O gestor de projetos do Instituto Farmun, Pedro Magalhães, apresentou o projeto Farmday – uma experiência educativa para que educadores e alunos vivenciem a realidade do campo.

O encontro também foi marcado por dinâmicas, networking, sorteios de brindes e trocas de experiências, reforçando a união e o aprendizado entre as participantes. O evento “Famato Mulher – Fortalecendo a Presença da Família junto ao Sistema Sindical” continua a demonstrar a importância do papel da mulher e da família no agronegócio, promovendo o desenvolvimento sustentável.

Participaram representantes dos municípios de Mirassol D’Oeste, Araputanga, São José dos Quatro Marcos, Cáceres, Vale do Rio Branco, Vila Bela da Santíssima Trindade e Pontes e Lacerda.

 

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AGRO & NEGÓCIOS

Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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