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O novo ciclo de programas traz sempre dois escritores ou escritoras para falar sobre pontos comuns de suas obras ou vivências

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A terceira temporada do programa Palavra Literária começa com uma provocação sobre a importância da mulher ocupar o lugar da narrativa, de estar por trás das histórias contadas e trazer as suas perspectivas para aquilo que será perpetuado pelas páginas de um livro.  As escritoras Larissa Campos e Marli Walker apresentam suas obras e falam sobre o papel das mulheres na literatura no primeiro episódio que já está disponível no canal da TV Assembleia no Youtube e será exibido na próxima sexta-feira (20), às 21h, no canal 30.1.

Com um novo formato, a apresentadora Maria Clara Bertúlio conversa nesta temporada sempre com dois escritores ou escritoras e depois reúne os convidados para um bate-papo para falar sobre pontos comuns de suas obras ou de suas vivências. Neste primeiro episódio, o programa reuniu duas escritoras experientes, mas que possuem em comum o ineditismo autoral de livro de prosa.

Larissa Campos, que abre o episódio, lançou em agosto de 2022 seu primeiro livro de prosa, “A Casa do Posto”. Uma auto ficção, fruto de um trabalho de dois anos e meio, e que narra as histórias vivenciadas em um posto de combustível às margens da BR-163, em Várzea Grande (MT). Antes da estreia nesse formato textual, Larissa já havia publicado conto em livros juntamente com outras autoras, além de publicações de contos, poemas, crônicas, resenhas em sites e revistas.

A autora conta que suas primeiras experiências surgiram ainda na infância, a partir da leitura e cadernos de escrita, e na adolescência, começou a publicar seus textos e microcontos em um blog. De lá para cá, Larissa cursou as faculdades de jornalismo e direito e, em 2017, decidiu assumir a escrita como uma atividade formal e estruturada. “Quando eu decidi que a escrita seria uma prioridade para mim, uma coisa que bateu forte foi o desejo de conhecer mais mulheres que escrevem, de ler mais autoras. Eu já estava nesse movimento de escrever mais e busquei isso para me capacitar, porque aprendemos muito ao ler outras mulheres que escrevem”.

E entre as referências de Larissa Campos está Marli Walker, escritora que dividiu o programa a contou sobre sua experiência, sobretudo com o primeiro livro de prosa, Coração Madeira. Além de inspiração, Marli Walker compartilha com Larissa Campos a participação no Coletivo Literário Maria Taquara, um grupo que reúne mulheres escritoras em Mato Grosso.

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Integrar o coletivo foi uma forma de Marli Walker estimular outras mulheres a assumirem o lugar da narrativa. Como ela mesma conta, por muito tempo coube à mulher a poesia, o ambiente doméstico, a introspecção. “Quando a mulher passa a ocupar o espaço público, as várias esferas sociais, culturais e econômicas, é que as narrativas começam a surgir. É claro que a gente ama escrever poesia, mas a gente precisa ir para a prosa, a gente precisa narrar”, explica Marli.

E em seu primeiro livro, Coração Madeira, Marli Walker traz uma autoficção dividida em três partes, justamente como forma de dominar o tempo a fim de tornar uma obra literária, e não uma biografia. A primeira parte é em nome do pai, a segunda em nome da mãe e, por fim, em nome da filha do meio. “É aí que surge a voz autoral, a voz dessa mulher que vai buscar suas raízes e suas origens e vai encontrar sua avó que viveu na Alemanha”.

Terceira Temporada – O programa Palavra Literária, concebido pela Secretaria de Comunicação da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (Secom-ALMT), com execução da produtora Monkey e apresentação de Maria Clara Bertúlio, chega a sua terceira temporada com mais de 20 escritores e escritoras entrevistados e mais de 40 histórias compartilhadas com os espectadores. Histórias e estórias de obras e dos seus autores, dos processos que envolvem todo o processo da escrita, seja clássica, moderna, contemporânea ou revolucionária.

Larissa Campos, que também é servidora pública, explica que, num primeiro momento, a escrita é um caminho solitário, silencioso. “É na solidão e no silêncio que o fazer literário se constrói, mas a maneira como esse trabalho ganha força e se coloca no mundo não é nada solitária. É no coletivo que as histórias que escrevemos tomam proporções que não imaginamos, mudam vidas, marcam existências. Um projeto como o Palavra Literária potencializa nossos trabalhos e faz com que nossas palavras alcancem ainda mais leitores”.

Para Marli Walker, o fato do programa sair do formato padrão de revista permite um aprofundamento sobre o trabalho e sobre a obra. “O programa busca se debruçar sobre a obra, para falar sobre a literatura mesmo. E, além disso, debate questões políticas que envolvem a escrita, como o próprio espaço da literatura para homens e mulheres e, por isso, acho um espaço fundamental”.

Larissa completa que é na leitura que a magia acontece e que o fazer literário se completa. “Por essas e outras, o programa cumpre um papel fundamental, especialmente para autores e autoras que estão fora dos grandes centros e não possuem tantos espaços para mostrar suas criações. Fortalece quem escreve e, ao mesmo tempo, toda a cadeia do livro em Mato Grosso”.

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O secretário-adjunto da Secretaria de Comunicação da ALMT, Everaldo Jota, explica que desde sua concepção, o Palavra Literária tem o objetivo de fomentar a cultura e os escritores e escritoras locais e que, chegar a 3ª temporada, legitima a qualidade tanto do programa, quanto dos artistas.

O superintendente da TV Assembleia, Jaime Neto, afirma que, assim como o “Palco pra Dois” e outros programas produzidos pela Casa, o Palavra Literária é muito importante pelo espaço dado à arte e às manifestações culturais de Mato Grosso.

“Não é o tipo de programação comum nas televisões comerciais. Foi pensado e desenvolvido com qualidade para valorizar a cultura local. Muitos dos entrevistados, apesar da relevância artística, não têm espaço para mostrar seu trabalho para o público e estes programas dão essa oportunidade”. Além disso, segundo Jaime Neto, a repercussão é muito positiva e há um feedback por meio das plataformas digitais por parte do público geral e da classe artística.

Exibição – O programa Palavra Literária vai ao ar aos sábados, às 13h30, na TVAL (canal 30.1), com reprise também aos sábados (18h). Além disso, os episódios ficam disponibilizados no canal da TVAL no Youtube. Os próximos episódios trazem as duplas Juan Vieira e Caio Ribeiro, Luiz Carlos Melo e Luciene de Carvalho, Danilo Fochesatto e Felipe Holloway, Ana Maria Moura e Lupita Amorim, Paty Wolff e Everton Almeida Barbosa, Vinicius Dallagnol e Paulo Cezar Pimentel, Rodrigo Meloni e Protásio de Morais, Juliana Segóvia e Ângela Coradini.

Larissa Campos – Jornalista e escritora, trabalha com comunicação pública e digital e integra o Coletivo Literário Maria Taquara – Mulherio das Letras (MT). Em 2021, publicou um conto na coletânea “Ser, nascer e desnascer (enquanto mulheres)”. O conto “O pedaço” integrou a coletânea do prêmio Off Flip 2022. Em 2022 publicou seu primeiro livro solo  “A Casa do Posto”.

Marli Walker – Doutora em Literatura (UnB). Leciona no IFMT e integra o Coletivo Maria Taquara – Mulherio das Letras (MT). Publicou os livros de poesia: Pó de serra (2006), Águas de encantação (2009) e Apesar do amor (2016), contemplado pelo edital do MEC para o PNLD (2018).

 

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ARTIGO & OPINIÃO

Férias escolares também podem ser tempo de descobrir a música

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Por Manoel Izidoro

Quando as férias escolares chegam, é natural que pais e responsáveis procurem formas de ocupar o tempo das crianças. Passeios, viagens e momentos de descanso fazem parte da programação, mas existe uma oportunidade que, muitas vezes, passa despercebida. O recesso pode ser o momento ideal para despertar um interesse que acompanhará o jovem por toda a vida, e a música é um desses caminhos.

Durante o ano letivo, a rotina costuma ser intensa. Escola, tarefas, atividades complementares e compromissos deixam pouco espaço para experimentar algo novo. Nas férias, esse ritmo desacelera, abrindo espaço para a curiosidade, o brincar e as novas descobertas.

Afinal, aprender música vai muito além de tocar um instrumento. É um processo que desenvolve disciplina, concentração, coordenação motora, criatividade e sensibilidade. Ao mesmo tempo, oferece um refúgio precioso em um mundo marcado pelo excesso de telas e estímulos rápidos, convidando a criança a ouvir, observar, respeitar o tempo de cada aprendizado e celebrar pequenas conquistas.

É comum que muitas famílias procurem as escolas de música justamente nessa época, motivadas pelo desejo de conhecer os instrumentos. Algumas crianças se encantam pelo piano, outras, pelo violão, pela bateria ou pelo canto. Não existe escolha certa ou errada, mas sim afinidade, identificação e, principalmente, a liberdade de experimentar.

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Essa descoberta também pode ser compartilhada entre pais e filhos. Não é raro ver adultos que, ao acompanharem os pequenos, acabam realizando o antigo sonho de aprender a tocar. A arte aproxima gerações, cria memórias afetivas e fortalece vínculos que permanecem na rotina familiar muito além do período de descanso.

Outro aspecto essencial é que o aprendizado musical não deve nascer da obrigação. Quando o primeiro contato ocorre em um ambiente leve e descontraído, a experiência se torna muito mais prazerosa. O objetivo inicial não é formar músicos profissionais, embora isso possa acontecer, mas sim contribuir para o desenvolvimento integral do indivíduo, estimulando habilidades úteis para qualquer profissão e para a vida.

As férias passam rápido, mas as escolhas feitas nelas podem deixar marcas duradouras. Um instrumento descoberto, uma primeira aula ou uma melodia aprendida podem representar o início de uma bela história construída com dedicação e emoção.

Entre um passeio e outro, vale a pena reservar um tempo para desvendar o universo sonoro. Em muitos casos, é justamente nesse encontro despretensioso que nasce uma paixão para toda a vida.

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_*Manoel Izidoro* é professor e proprietário da Escola de Música IGC de Cuiabá._

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