CUIABÁ

10 DE JUNHO

Vander & Wagner grava DVD ao vivo na Orla do Porto com repertório regional e nacional

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No próximo dia 10 de junho, a partir das 18h, a Orla do Porto, em Cuiabá, será palco de um momento especial para a música mato-grossense: a gravação do DVD ao vivo da dupla sertaneja Vander & Wagner. O evento  que será no Jacá Pier Bar , faz  parte do projeto cultural “Raízes que Ecoam”, realizado pelo Governo do Estado de Mato Grosso, Assembleia Legislativa de Mato Grosso (AL-MT), com coordenação do Instituto Ibitiraty.

O projeto tem como proposta valorizar as tradições locais, e o novo trabalho da dupla vão exatamente nesse sentido: um repertório  regional e nacional , com regravações de clássicos da região que ganham nova vida em arranjos que misturam o sertanejo de raiz com o ritmo contagiante do lambadão. O cenário não poderia ser mais simbólico, com imagens do Rio Cuiabá, dos paredões e da própria Orla do Porto ajudando a contar, em som e imagem, a história de uma terra rica em cultura.

Trajetória:

Mas antes de subir ao palco, a história de Vander & Wagner começou bem antes, em casa, ouvindo as canções sertanejas que o pai, Dorival da Silva, cantava com paixão. Ainda crianças, em Várzea Grande, eles cresceram embalados pelas vozes de ícones como Trio Parada Dura, Gino & Geno, e Chitãozinho & Xororó. Foi ali, no quintal de casa e nas rodas de viola, que nasceu o sonho.

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Wagner foi o primeiro a se arriscar profissionalmente. Aos 15 anos, fez aulas de canto, e aos 18 formou sua primeira dupla. O caminho, no entanto, não foi fácil. Após algumas tentativas frustradas, veio a pausa. Mas a música falou mais alto. Pouco tempo depois, surgiu a ideia de unir forças com o irmão Vander, e assim, em 20 de dezembro de 2000, nascia oficialmente a dupla Vander & Wagner.

Desde então, os irmãos vêm conquistando o público com apresentações que esbanjam carisma e autenticidade. Seus shows, realizados por todo o estado de Mato Grosso, são conhecidos pela alegria contagiante e pela qualidade musical. Em 2019, levaram o nome de Cuiabá para o cenário nacional, ao participarem do DVD do Caldas Country, em Caldas Novas, Goiás, sendo a única dupla mato-grossense naquele evento.

Agora, com o DVD “Raízes que Ecoam”, Vander & Wagner voltam às origens, reafirmando seu compromisso com a cultura local. Mais do que um registro musical, a gravação será uma celebração da identidade mato-grossense e das histórias que ecoam através da música.

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A entrada para o evento é gratuita e aberta ao público. Quem estiver presente, além de curtir um grande show, vai fazer parte de um capítulo importante da música regional.

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AGRO & NEGÓCIOS

Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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