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PIONEIRISMO

Tecnologia combina ultrassom intracoronário e espectroscopia por infravermelho durante o cateterismo

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O Hospital Santa Rosa realizou, na última semana o primeiro procedimento em Mato Grosso com tecnologia que combina o ultrassom intracoronário, conhecido como IVUS, e a espectroscopia por infravermelho próximo (NIRS), em uma única avaliação das artérias do coração.

Utilizado durante o cateterismo cardíaco, o sistema permite que o cardiologista observe não apenas o estreitamento da artéria, mas também as características da parede do vaso e a composição das placas de aterosclerose, fornecendo informações adicionais que podem auxiliar no planejamento do tratamento.

O procedimento inaugural foi conduzido pelos cardiologistas intervencionistas Leandro Mandaloufas e Nelson Artur dos Reis, do Hospital Santa Rosa.

Segundo o Dr. Mandaloufas, a associação das duas tecnologias acrescenta informações que não podem ser obtidas somente pela angiografia coronária convencional.

“A angiografia continua sendo fundamental para identificarmos as obstruções, mas mostra principalmente a passagem do contraste pelo interior da artéria, como uma silhueta da circulação. Com o ultrassom intracoronário, conseguimos visualizar a artéria por dentro e avaliar detalhes que não aparecem apenas no raio X”, explica.

Artéria observada por dentro

O ultrassom intracoronário é realizado por meio de um pequeno cateter fino, equipado com um pequeno transdutor de ultrassom em sua extremidade, introduzido nas artérias coronárias durante o cateterismo.

As imagens produzidas permitem analisar o tamanho real da artéria, a quantidade e a extensão das placas de aterosclerose, o grau de calcificação e outras características da parede do vaso. Essas informações são utilizadas tanto na avaliação da doença coronariana quanto no planejamento da angioplastia.

Durante o tratamento de uma obstrução, o IVUS auxilia o cardiologista na escolha do diâmetro e do comprimento mais adequados do stent — pequena estrutura metálica implantada para manter a artéria aberta. Após a implantação, o exame também permite verificar se o stent ficou adequadamente expandido e bem posicionado.

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“Quando conhecemos as dimensões reais da artéria e a extensão da doença, conseguimos planejar melhor o procedimento. O ultrassom ajuda na escolha do stent e permite confirmar se ele ficou corretamente implantado, o que é importante para aumentar a segurança e otimizar o resultado do tratamento”, afirma Mandaloufas.

Embora a angiografia continue sendo o exame padrão para diagnosticar as obstruções das artérias coronárias, os métodos de imagem intracoronária vêm sendo cada vez mais utilizados nos principais centros cardiovasculares do mundo por fornecerem informações adicionais que auxiliam no planejamento e na otimização da angioplastia, especialmente em casos mais complexos.

Infravermelho analisa a placa

O diferencial da plataforma é a associação do ultrassom intracoronário com a espectroscopia no infravermelho próximo (NIRS). Enquanto o IVUS mostra a anatomia da artéria, o NIRS fornece informações sobre a composição da placa de aterosclerose.

é a associação do ultrassom intracoronário com a espectroscopia no infravermelho próximo (NIRS). Enquanto o IVUS mostra a anatomia da artéria, o NIRS fornece informações sobre a composição da placa de aterosclerose.


“O NIRS funciona como uma espécie de scanner da placa. Ele identifica regiões com elevado conteúdo de lipídios que poderiam não ser percebidas apenas pela angiografia. Assim, além de saber onde está a obstrução, conseguimos compreender melhor as características daquela lesão”, explica o cardiologista.

A identificação de uma placa rica em lipídios não significa que o paciente necessariamente sofrerá um infarto. Essa informação deve ser interpretada em conjunto com o quadro clínico, os fatores de risco, os sintomas e os demais exames para auxiliar na avaliação da doença e no planejamento do tratamento.

“Enquanto o ultrassom mostra a estrutura da artéria, o infravermelho revela a composição da placa. A combinação dessas informações nos permite compreender melhor cada caso e individualizar o tratamento de acordo com as características de cada paciente”, acrescenta dr. Mandaloufas.

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Tecnologias são complementares

A utilização conjunta dessas tecnologias não substitui a angiografia coronária. As tecnologias são complementares e podem ser empregadas quando o cardiologista necessita de uma avaliação mais detalhada da lesão ou de informações adicionais para planejar e otimizar a angioplastia.

Além do estreitamento da artéria, a imagem intracoronária permite avaliar a espessura e a extensão da placa, o grau de calcificação, alterações na arquitetura do vaso e o seu diâmetro verdadeiro.

Estudos clínicos randomizados e metanálises demonstram que a angioplastia guiada pelo ultrassom intracoronário proporciona melhor dimensionamento e expansão dos stents e está associada à redução de eventos cardiovasculares, como trombose do stent, necessidade de nova intervenção na mesma artéria e infarto relacionado ao vaso tratado, especialmente em procedimentos mais complexos.

A espectroscopia por infravermelho acrescenta a identificação e a quantificação do conteúdo lipídico das placas, informação utilizada para aprimorar a avaliação do risco e o planejamento do tratamento.

“Não se trata de substituir os exames que já utilizamos, mas de agregar informações. Quanto melhor conhecemos a anatomia da artéria e as características da placa, mais precisas e individualizadas podem ser as decisões sobre o tratamento, sempre considerando o quadro clínico de cada paciente”, conclui Mandaloufas.

O Hospital Santa Rosa reforça seu pioneirismo na cardiologia ao realizar o primeiro procedimento desse tipo em Mato Grosso. A instituição reúne cardiologista no Pronto Atendimento, Unidade Coronariana, Hemodinâmica, Centro Cirúrgico, consultas ambulatoriais e exames cardiológicos, de imagem e laboratoriais, compondo uma linha de cuidado que acompanha o paciente da avaliação inicial aos procedimentos de maior complexidade.

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CIDADES

O QUE ESTÁ POR TRÁS DA GUERRA POLÍTICA QUE CERCA WANDERLEY EM VG

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Presidente da Câmara registra ocorrência na Polícia Civil, pede auditoria após suspeita de acesso indevido aos sistemas do Legislativo e relata estar sendo seguido e recebendo informações sobre ameaças de morte. O caso ocorre em meio a uma das mais acirradas disputas políticas recentes de Várzea Grande.

O que começou como uma informação recebida por telefone transformou-se em caso de polícia e aumentou ainda mais a temperatura nos bastidores políticos de Várzea Grande.
O presidente da Câmara Municipal, Wanderley Cerqueira (MDB), tornou público um conjunto de episódios que, segundo ele, vem tirando seu sono e causando preocupação também entre seus familiares.
Wanderley afirma ter recebido a informação de que um servidor da própria Câmara teria repassado sua senha de acesso a terceiros e que um suposto hacker poderia ter entrado nos sistemas internos do Legislativo.
A informação teria chegado ao vereador no domingo, 30 de agosto.
Segundo Wanderley, junto com a informação sobre o possível acesso clandestino veio algo ainda mais preocupante: estaria sendo preparado um suposto “dossiê” contra ele, contendo acusações de desvio de aproximadamente R$ 1 milhão em contrato, nepotismo e outras irregularidades.
O presidente nega as acusações e afirma que determinou imediatamente uma auditoria.

O CASO VIROU BOLETIM DE OCORRÊNCIA

A existência do registro policial pode ser comprovada.
Documento obtido pelo SaranNews mostra que Wanderley Cerqueira compareceu à Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso e registrou o Boletim de Ocorrência nº 2026.294721, relacionado aos acontecimentos.
O BO foi registrado na 1ª Delegacia de Polícia – Centro de Várzea Grande e traz como data do fato 30 de agosto de 2026, às 14h, com comunicação formalizada em 3 de setembro.
Entre as naturezas registradas aparece a possível prática prevista no artigo 154-A do Código Penal, referente à invasão de dispositivo informático. O documento também registra ocorrência relacionada a abuso de autoridade.
Na narrativa apresentada à Polícia Civil, Wanderley informou que recebeu ligação relatando que um servidor da Câmara teria repassado sua senha de acesso aos sistemas internos a terceiros, que supostamente teriam utilizado meios informáticos ilícitos, inclusive acesso por hacker, com o objetivo de obter documentos e informações internas.

Há outro ponto particularmente importante no documento.

Segundo o relato formalizado no BO, esses documentos e informações poderiam estar sendo utilizados para elaboração e eventual divulgação de um suposto dossiê contendo acusações relacionadas a nepotismo, processos licitatórios e outros fatos que, segundo a versão apresentada pelo vereador, poderiam ser manipulados ou forjados para atingir sua imagem e reputação.
O BO registra ainda a informação de que Wanderley teria recebido notícia sobre possível participação de autoridades nesse esquema, algo que, neste momento, permanece apenas como relato do comunicante e precisa ser investigado.

POLÍCIA DEVERÁ APURAR ACESSOS E RESPONSABILIDADES

O próprio documento mostra que Wanderley solicitou providências bastante específicas.
Ele pediu levantamento e identificação dos acessos realizados aos sistemas da Câmara, incluindo, quando tecnicamente possível, data e horário, endereço IP, localização e outros dados técnicos, além da identificação dos responsáveis.
Também solicitou relatório dos servidores que possuem credenciais de acesso aos sistemas, identificação dos respectivos usuários, funções e níveis de permissão.
O registro ainda menciona pedido de apuração sobre a regularidade de procedimentos administrativos e contratos, especialmente os relacionados à área de Recursos Humanos, além da preservação de possíveis evidências digitais e documentais.
Ao final, o BO determina o encaminhamento do caso à 2ª Delegacia de Polícia Cristo Rei, em Várzea Grande.

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O registro policial comprova, portanto, que Wanderley formalizou as suspeitas perante a Polícia Civil.
Mas é fundamental fazer uma distinção: o boletim de ocorrência não comprova que houve invasão, que documentos tenham sido adulterados ou que exista uma organização atuando contra o vereador. Ele registra oficialmente as alegações apresentadas pelo comunicante, que agora dependem de

UM CARRO, SUPOSTA PLACA FRIA E MEDO DE MORRER

O problema, entretanto, segundo Wanderley, não estaria restrito ao mundo digital.
Durante seu pronunciamento, o vereador afirmou ter percebido um Volkswagen Polo de cor escura circulando repetidamente enquanto visitava o filho.
Depois, segundo ele, o mesmo automóvel teria aparecido nas proximidades da residência de sua mãe.
A equipe de segurança que acompanha o presidente teria fotografado o carro e levantado informações sobre a placa. Wanderley afirma ter consultado policiais e recebido a informação de que se trataria de uma “placa fria”.
Essa informação, até o momento, não aparece comprovada no BO disponibilizado ao SaranNews e, portanto, deve ser tratada como declaração do vereador.

Wanderley também afirmou ter recebido informações de que existiriam ameaças de morte contra ele.
“Eu tenho filhos, netos”, declarou ao revelar sua preocupação.
Ele diz andar acompanhado por profissionais de segurança, alguns deles policiais militares aposentados, e afirma que sua esposa também estaria evitando sair de casa diante da situação.

MAS POR QUE WANDERLEY ESTÁ NO CENTRO DESSA TEMPESTADE?

É aqui que o episódio deixa de ser apenas policial e passa a exigir uma análise política.
Wanderley Cerqueira não é apenas mais um vereador de Várzea Grande.
Ele é o presidente da Câmara Municipal e se transformou, nos últimos meses, em um dos principais personagens do confronto político envolvendo o Legislativo e a administração da prefeita Flávia Moretti (PL).
A relação entre os dois poderes deteriorou-se profundamente.
Moretti já acusou Wanderley de tentar chegar à Prefeitura pelo chamado “tapetão”, enquanto o presidente da Câmara passou a fazer duras cobranças à administração municipal.
A situação tornou-se ainda mais sensível depois da renúncia do vice-prefeito Tião da Zaeli.
Sem vice, o presidente da Câmara ganhou peso adicional na linha sucessória do município. Assim, qualquer discussão sobre eventual afastamento definitivo da prefeita passou inevitavelmente a envolver também o nome de Wanderley.
Isso elevou exponencialmente o valor político da Presidência da Câmara.

GAECO, MESA DIRETORA E OUTRA FRENTE DE INVESTIGAÇÃO

O ambiente ficou ainda mais pesado quando denúncias relacionadas aos bastidores da eleição da Mesa Diretora chegaram à esfera investigativa.
O Gaeco passou a apurar denúncias envolvendo episódios relacionados à eleição da direção da Câmara, e vereadores ligados ao grupo de Wanderley foram ouvidos.
As acusações divulgadas naquele contexto eram extremamente graves, mas precisam ser tratadas com cautela: investigação não significa culpa e denúncia não significa condenação.
O episódio, entretanto, colocou a Câmara de Várzea Grande e seu presidente definitivamente sob forte exposição política.

O DAE COLOCOU MAIS COMBUSTÍVEL NA FOGUEIRA

Outro capítulo importante envolve o Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE).
Recentemente, um vídeo envolvendo o vereador Rogerinho da Dakar (PSDB), ex-presidente da autarquia, manuseando dinheiro em espécie voltou ao centro das discussões.
O caso chegou à Câmara e Wanderley encaminhou documentação para análise da Comissão de Ética.
Na sessão de 1º de setembro, Wanderley e Rogerinho protagonizaram uma forte discussão.
Durante o embate, Wanderley levantou questionamentos sobre contrato existente durante a administração de Rogerinho no DAE. Rogerinho contestou as declarações e cobrou apresentação de documentos.

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Há uma coincidência cronológica que chama atenção.

Segundo o BO agora obtido pelo SaranNews, o fato que originou a denúncia sobre eventual acesso ao sistema da Câmara ocorreu em 30 de agosto.
Dois dias depois veio o confronto público envolvendo o DAE.
Não existe, até agora, elemento que permita afirmar que os episódios estejam relacionados.
Mas a proximidade temporal torna legítimo que os fatos sejam observados pelas autoridades durante a investigação.

PERSEGUIÇÃO POLÍTICA OU UMA DISPUTA QUE SAIU DO CONTROLE?

Essa talvez seja a pergunta mais importante.
Seria irresponsável afirmar, neste momento, que existe uma organização criminosa perseguindo Wanderley.
Mas também seria irresponsável ignorar que o presidente de um Poder municipal procurou formalmente a Polícia Civil, registrou ocorrência, pediu preservação de evidências digitais e afirma temer pela própria segurança.
Agora existem caminhos objetivos para descobrir a verdade.
Se houve invasão, os registros eletrônicos podem deixar rastros.
Se alguém utilizou credenciais de servidores, uma auditoria poderá apontar quando e como isso ocorreu.
Se documentos foram copiados ou adulterados, perícia poderá encontrar evidências.
Se houve utilização de placa falsa no veículo mencionado por Wanderley, a Polícia poderá investigar.
E se existe um dossiê, seu conteúdo poderá ser confrontado com contratos, licitações, empenhos, pagamentos, notas fiscais e demais documentos oficiais da Câmara.

DOCUMENTOS CONTRA NARRATIVAS

Durante seu pronunciamento, Wanderley insistiu várias vezes que não teme investigação.
Ele afirmou que a Câmara está aberta à Polícia, Ministério Público e Justiça e declarou que sua residência e empresas também podem ser investigadas.
O vereador também apresentou como argumento de austeridade a devolução de aproximadamente R$ 855 mil aos cofres públicos no encerramento do exercício anterior, além do pagamento de rescisões.
Esses valores, entretanto, devem ser analisados separadamente das acusações envolvendo o suposto dossiê. Devolver recursos economizados pelo Legislativo é informação relevante sobre a gestão orçamentária, mas não constitui, isoladamente, prova capaz de confirmar ou afastar outras acusações.

ONDE TERMINA A POLÍTICA E COMEÇA O CRIME?

O que está acontecendo em Várzea Grande parece ser resultado de uma sucessão de conflitos que foram se acumulando.
Wanderley preside a Câmara.
É um dos principais contrapontos políticos à prefeita.
Controla uma instituição fundamental para aprovação de projetos e fiscalização do Executivo.
Seu grupo atravessou uma turbulenta disputa pela Mesa Diretora.
Seu nome aparece constantemente no embate sobre a sucessão municipal.

A Câmara passou a analisar episódios envolvendo o DAE.

E agora o próprio presidente afirma que alguém pode ter tentado acessar ilegalmente os sistemas do Legislativo para obter ou manipular informações contra ele.
Pela primeira vez nessa nova etapa da crise, entretanto, há um documento policial que materializa oficialmente parte dessas alegações.
Isso não prova a existência da perseguição.
Mas significa que a história deixou de ser apenas uma declaração feita diante das câmeras e passou a exigir uma resposta das autoridades.
Se houve invasão, é preciso descobrir quem entrou.
Se houve manipulação, é preciso descobrir quem manipulou.
Se existe ameaça, é preciso descobrir quem ameaça.
E se existe um dossiê baseado em fatos verdadeiros, seus documentos também precisam ser apresentados e investigados.
Em uma cidade atravessada por uma guerra política cada vez mais intensa, talvez essa seja a pergunta que somente uma investigação independente poderá responder:

onde termina a disputa pelo poder e onde, eventualmente, começa o crime?

SaranNews, informação, análise e compromisso com os fatos.

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