CUIABÁ

QUALIDADE DE VIDA

Programa do Sesc-MT promove sociabilidade na melhor idade

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Em março, o projeto Sesc Conviver está recebendo novos participantes da terceira idade nas unidades Alta Floresta, Dr. Meirelles e Rondonópolis. Desenvolvido pelo Sistema Fecomércio-MT por meio do Serviço Social do Comércio (Sesc-MT), o programa Conviver leva bem-estar e sociabilidade aos idosos por meio de diversas atividades, entre elas, reuniões, oficinas manuais, palestras e bingo.

Em Cuiabá, os encontros ocorrem todas as sextas-feiras, no Sesc Dr. Meirelles. A agenda mensal prevê oficina de manualidades, palestra sobre o ‘Estatuto do Idosos e Política Nacional do Idoso’, diálogo e bingo. Já em Rondonópolis, as reuniões deste mês serão realizadas nas quartas e sextas-feiras. Em Alta Floresta, o grupo de idosos se reunirá nos dias 22 e 23 para confraternizar e realizar atividades artísticas.

O Conviver surgiu com encontros virtuais no período de reclusão durante a pandemia, atendendo à demanda pela oferta de atividades que levassem entretenimento e convívio para o público da terceira idade mato-grossense. Desde 2021, os encontros passaram a ocorrer de forma presencial, com número limitado de público, levando em consideração as devidas precauções aos participantes.

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 A diretora de Produtos e Serviços do Sesc-MT, Ellen Camargo, celebra a adesão do público aos encontros, que passaram a integrar a programação permanente das unidades do Sesc-MT. “A participação desse público cresce cada vez mais. Os encontros começaram de forma virtual, então poder realizar atividades presenciais e reunir os grupos de idosos é sempre gratificante”, comenta a diretora.

 O Sistema S do Comércio, composto pela Fecomércio, Sesc, Senac e IPF em Mato Grosso, é presidido por José Wenceslau de Souza Júnior. A entidade é filiada à Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que está sob o comando de José Roberto Tadros.

SERVIÇO

Dr. Meirelles

Conviver: Encontro

Quando? Todas as sextas-feiras, às 8h

Onde? – Sesc Dr. Meirelles (Av. Dr. Meirelles, nº 3.476 – São João Del Rei – Cuiabá-MT)

Evento gratuito 

 

Conviver: Oficina de Manualidades

Quando? Dia 3 de março, às 14h

Onde? – Sesc Dr. Meirelles (Av. Dr. Meirelles, nº 3.476 – São João Del Rei – Cuiabá-MT)

Evento gratuito

 

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Conviver: ‘Estatuto do Idosos e Política Nacional do Idoso’ 

Quando? Dia 10 de março, às 8h

Onde? – Sesc Dr. Meirelles (Av. Dr. Meirelles, nº 3.476 – São João Del Rei – Cuiabá-MT)

Evento gratuito

 

Conviver: Encontro com bingo

Quando? Dia 31 de março às 8h

Onde? – Sesc Dr. Meirelles (Av. Dr. Meirelles, nº 3.476 – São João Del Rei – Cuiabá-MT)

Evento gratuito 

Alta Floresta

Conviver: Customização de camiseta com tinta de tecido

Quando? Dias 22 e 23 de março, às 13h

Onde? – Unidade descentralizada do Sesc Alta Floresta (Rua França s/n – Bairro Vila Nova – Alta Floresta-MT)

Evento gratuito

 

Conviver: Encontro

Quando? Dia 23 de março, às 13h

Onde? – Unidade descentralizada do Sesc Alta Floresta (Rua França s/n – Bairro Vila Nova – Alta Floresta-MT)

Evento gratuito

Rondonópolis

Conviver: Encontro

Quando? Quartas e sextas-feiras, às 13h

Onde? – Unidade Sesc Rondonópolis (Alameda dos Cravos, S/N – Parque Sagrada Família – Rondonópolis-MT)

Evento gratuito

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AGRO & NEGÓCIOS

Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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