A Rede Cidadã, programa coordenado pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT), abriu as matrículas para 2026, nas unidades de Cuiabá, após alcançar mais de 210 mil atendimentos ao longo de 2025. A iniciativa oferece atividades educativas, culturais, esportivas e cursos de informática básica para crianças e adolescentes de oito a 17 anos, com polos em Cuiabá, Várzea Grande, Cáceres, Nova Olímpia e Rondonópolis.
Atualmente, o programa está estruturado em cinco núcleos regionais e mais de 22 polos de atendimento, onde são ofertadas 86 atividades no contraturno escolar, ampliando as oportunidades de aprendizagem para crianças e adolescentes. Em 2025, a Rede Cidadã contabilizou mais de 1.400 alunos matriculados, atendendo não apenas os participantes regulares, mas também a comunidade em geral por meio de palestras, ações sociais, exposições municipais e estaduais, além de eventos promovidos em parceria com a iniciativa pública e privada.
As atividades oferecidas abrangem áreas como esporte, cultura, formação cidadã e inclusão digital, com destaque para taekwondo, futebol de campo, futsal, vôlei, judô, violão, teclado, flauta, pintura em tela, canto, coral e informática básica, contribuindo para a preparação dos jovens para o mundo digital e para o mercado de trabalho.
Em Cuiabá, as atividades estão disponíveis nos polos dos bairros Planalto, Jardim Vitória, São João Del Rei, Araés, Jardim Gramado e Ribeirão do Lipa. As famílias devem consultar previamente a disponibilidade de vagas, atividades e horários em cada polo.
As matrículas em Cuiabá, são realizadas exclusivamente de forma presencial, na sede da Rede Cidadã, localizada no bairro Planalto, ou diretamente no polo onde a atividade é ofertada. Para efetivar a inscrição, é necessário apresentar RG e CPF do aluno e do responsável, comprovante de endereço, atestado de escolaridade de 2025, número do Cartão SUS e, caso possua, o número do CadÚnico. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (65) 98145-0375.
Segundo a coordenadora da Rede Cidadã, major PM Wilma Fernandes, os números expressivos refletem o fortalecimento da política de prevenção social desenvolvida pelo Estado. Houve aumento de turmas em praticamente todas as atividades, o que resultou em crescimento de 9% nos atendimentos em comparação com o ano anterior.
“A nossa expectativa para 2026 é ampliar ainda mais esse alcance, com mais turmas e o fortalecimento das parcerias que tornam a Rede Cidadã uma referência em prevenção social. Queremos garantir que cada criança e adolescente atendido tenha acesso a oportunidades reais de desenvolvimento, educação, cultura, esporte e inclusão digital, contribuindo para a formação de cidadãos conscientes e preparados para o futuro”, afirmou Wilma.
O programa também mantém um site atualizado com a relação de atividades, disponibilidade de vagas, horários das turmas e períodos de funcionamento, facilitando o acesso das famílias interessadas.
A expectativa da coordenação é ampliar ainda mais o número de atendimentos em 2026, consolidando a Rede Cidadã como uma das principais políticas públicas de prevenção e inclusão social do Estado.
Luciana Brites, Doutoranda em Ciências do Desenvolvimento Humano e Mestra em Distúrbios do Desenvolvimento
O Dia Mundial de Conscientização do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), em 13 de julho, destaca a importância da informação, do enfrentamento aos estigmas e da garantia de diagnóstico e tratamento adequados, com atenção especial aos desafios vividos por crianças e adolescentes na escola.
O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta 5% das crianças em idade escolar. Caracteriza-se por desatenção, hiperatividade e impulsividade, fatores que impactam a aprendizagem e a alfabetização. Porém, o transtorno não impede que a criança tenha uma trajetória escolar e social plena ao receber acompanhamento adequado.
É importante explicar que o TDAH não se manifesta de forma única. O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) descreve três apresentações. A com predominância desatenta, a predominantemente hiperativa-impulsiva e a combinada, que reúne as duas. Essa distinção tem efeito direto na alfabetização.
Na apresentação desatenta, a criança se perde no meio da tarefa, esquece o que estava lendo e tem dificuldade em sustentar o foco em atividades que exigem esforço contínuo. Já na hiperativa-impulsiva, o obstáculo aparece na impulsividade, pois a criança tende a adivinhar palavras em vez de decodificá-las, escreve de forma apressada e abandona a atividade antes de concluí-la. Na combinada, os dois conjuntos se somam. Reconhecer qual apresentação predomina ajuda o professor a ajustar as estratégias, em vez de tratar todas as crianças com TDAH da mesma maneira.
É mito afirmar que crianças com TDAH são menos inteligentes. Com diagnóstico precoce, apoio multidisciplinar e estratégias pedagógicas eficazes, elas podem apresentar inteligência dentro ou acima da média. O acompanhamento pode envolver psicopedagogos, psicólogos, fonoaudiólogos e outros profissionais, de acordo com as necessidades individuais.
Em sala de aula, é importante que os professores observem sinais como dificuldade em manter a atenção por longos períodos, impaciência, esquecimento de materiais, distração frequente e excesso de movimentos.
Na alfabetização, as principais dificuldades estão relacionadas à atenção, à memória, à autorregulação emocional e comportamental, à baixa motivação em tarefas repetitivas e, em alguns casos, à presença de comorbidades, como dislexia ou Transtorno Opositivo Desafiador (TOD). Diferentemente dos transtornos de linguagem, no TDAH o principal obstáculo está na manutenção do foco.
Para favorecer a aprendizagem, recomenda-se propor uma tarefa por vez, oferecer tempo extra para a execução, reduzir estímulos distratores e utilizar recursos visuais claros e objetivos. Estratégias práticas do cotidiano e instruções diretas também contribuem.
As dificuldades na escrita são comuns e podem estar associadas à impulsividade, à atenção reduzida e à coordenação motora fina. Medidas eficazes em sala são priorizar a qualidade em vez da quantidade, dividir atividades em etapas menores, respeitar o ritmo da criança e permitir pausas frequentes. O uso de recursos visuais, jogos, tecnologia e reforço positivo fortalece a motivação.
Lidar com o TDAH na alfabetização exige paciência, planejamento e empatia. Com adaptações simples e apoio adequado, é possível transformar desafios em oportunidades, promovendo aprendizado significativo e inclusão escolar.
(*) Luciana Brites é CEO do Instituto NeuroSaber, psicopedagoga, psicomotricista, Doutoranda em Ciências do Desenvolvimento Humano e Mestra em Distúrbios do Desenvolvimento pelo Mackenzie, palestrante e autora de livros sobre educação e transtornos de aprendizagem. Instituto NeuroSaber https://institutoneurosaber.com.br
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