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Marcas Invisíveis; Os Efeitos Psicológicos da Violência em Mulheres

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Por Giselle Queiroz

A violência psicológica é uma forma de agressão silenciosa, muitas vezes invisível aos olhos de quem está de fora, mas profundamente destrutiva para quem a vive. Mulheres que sofrem esse tipo de abuso enfrentam diariamente palavras humilhantes, manipulação emocional, isolamento social, chantagens e ameaças sutis ou diretas.

Os impactos psicológicos são profundos e duradouros. Muitas mulheres desenvolvem quadros de ansiedade, depressão, baixa autoestima e até transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). A constante desvalorização mina sua confiança e as faz duvidar de sua própria percepção da realidade um fenômeno conhecido como “gaslighting”, uma técnica de manipulação que faz a mulher duvidar da própria sanidade. Aos poucos, a vítima passa a acreditar que está exagerando ou que é responsável pelo comportamento do agressor. O agressor utiliza palavras, gestos, humilhações, controle emocional e manipulações para dominar, amedrontar e anular sua vítima.

Um dos mecanismos mais cruéis dessa forma de violência é a culpabilização da mulherO agressor constantemente transfere a responsabilidade por seus próprios atos, fazendo com que a vítima acredite que é ela quem está errada, exagerando ou “provocando” o conflito. A vítima por sua vez, acaba acreditando ser responsável pela agressão. Por isso, o suporte psicológico e o fortalecimento da autoestima são fundamentais para romper esse ciclo e resgatar sua autonomia.

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Ela afeta diretamente a saúde mental da mulher, podendo desencadear transtornos mentais graves, como a depressão profunda, transtornos de ansiedade, fobias sociais e até ideação suicida. O silêncio da vítima é frequentemente mantido pelo medo, pela vergonha ou pela dependência afetiva e/ou financeira. Ela é usada pelo agressor para controlar, intimidar e destruir emocionalmente a vítima, muitas vezes sem deixar evidências físicas.

A violência psicológica evolui em ciclos, o que dificulta que a vítima perceba que está sendo abusada. Com o tempo, o agressor utiliza estratégias emocionais para manter o controle, muitas vezes alternando momentos de agressão com fases de carinho e arrependimento, confundindo ainda mais a vítima.

Esse padrão cíclico é conhecido como o ciclo de violência, e costuma passar pela fase da tensão, da explosão (agressão) e pela fase de “lua de mel” (arrependimento). Nessa última, o agressor demonstra arrependimento e costuma dizer que foi um momento de fraqueza. A vítima, confusa e emocionalmente abalada, muitas vezes acredita na mudança do agressor e o ciclo recomeça. É importante saber identificar essas fases, porque a repetição desse ciclo enfraquece emocionalmente a vítima e dificulta a saída da relação abusiva. A cada volta do ciclo, a violência costuma se intensificar, podendo evoluir para agressão física e em muitos casos, feminicídio.

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O papel da sociedade é ouvir, acolher e não julgar. Romper o silêncio é o primeiro passo para quebrar o ciclo da violência.

A violência psicológica não é “drama”, “exagero” ou “briga de casal”. É uma forma real de abuso, e precisa ser reconhecida como sinal de alerta vermelho.

 

Giselle Queiroz é psicóloga clínica pós graduada em Terapia Cognitivo Comportamental
@psicologa.gisellequeiroz

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TDAH nas Escolas: Estratégias Eficazes para a Alfabetização e a Aprendizagem

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Luciana Brites, Doutoranda em Ciências do Desenvolvimento Humano e Mestra em Distúrbios do Desenvolvimento

O Dia Mundial de Conscientização do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), em 13 de julho, destaca a importância da informação, do enfrentamento aos estigmas e da garantia de diagnóstico e tratamento adequados, com atenção especial aos desafios vividos por crianças e adolescentes na escola.

O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta 5% das crianças em idade escolar. Caracteriza-se por desatenção, hiperatividade e impulsividade, fatores que impactam a aprendizagem e a alfabetização. Porém, o transtorno não impede que a criança tenha uma trajetória escolar e social plena ao receber acompanhamento adequado.

É importante explicar que o TDAH não se manifesta de forma única. O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) descreve três apresentações. A com predominância desatenta, a predominantemente hiperativa-impulsiva e a combinada, que reúne as duas. Essa distinção tem efeito direto na alfabetização.

Na apresentação desatenta, a criança se perde no meio da tarefa, esquece o que estava lendo e tem dificuldade em sustentar o foco em atividades que exigem esforço contínuo. Já na hiperativa-impulsiva, o obstáculo aparece na impulsividade, pois a criança tende a adivinhar palavras em vez de decodificá-las, escreve de forma apressada e abandona a atividade antes de concluí-la. Na combinada, os dois conjuntos se somam. Reconhecer qual apresentação predomina ajuda o professor a ajustar as estratégias, em vez de tratar todas as crianças com TDAH da mesma maneira.

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É mito afirmar que crianças com TDAH são menos inteligentes. Com diagnóstico precoce, apoio multidisciplinar e estratégias pedagógicas eficazes, elas podem apresentar inteligência dentro ou acima da média. O acompanhamento pode envolver psicopedagogos, psicólogos, fonoaudiólogos e outros profissionais, de acordo com as necessidades individuais.

Em sala de aula, é importante que os professores observem sinais como dificuldade em manter a atenção por longos períodos, impaciência, esquecimento de materiais, distração frequente e excesso de movimentos.

Na alfabetização, as principais dificuldades estão relacionadas à atenção, à memória, à autorregulação emocional e comportamental, à baixa motivação em tarefas repetitivas e, em alguns casos, à presença de comorbidades, como dislexia ou Transtorno Opositivo Desafiador (TOD). Diferentemente dos transtornos de linguagem, no TDAH o principal obstáculo está na manutenção do foco.

Para favorecer a aprendizagem, recomenda-se propor uma tarefa por vez, oferecer tempo extra para a execução, reduzir estímulos distratores e utilizar recursos visuais claros e objetivos. Estratégias práticas do cotidiano e instruções diretas também contribuem.

As dificuldades na escrita são comuns e podem estar associadas à impulsividade, à atenção reduzida e à coordenação motora fina. Medidas eficazes em sala são priorizar a qualidade em vez da quantidade, dividir atividades em etapas menores, respeitar o ritmo da criança e permitir pausas frequentes. O uso de recursos visuais, jogos, tecnologia e reforço positivo fortalece a motivação.

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Lidar com o TDAH na alfabetização exige paciência, planejamento e empatia. Com adaptações simples e apoio adequado, é possível transformar desafios em oportunidades, promovendo aprendizado significativo e inclusão escolar.


(*) Luciana Brites é CEO do Instituto NeuroSaber, psicopedagoga, psicomotricista, Doutoranda em Ciências do Desenvolvimento Humano e Mestra em Distúrbios do Desenvolvimento pelo Mackenzie, palestrante e autora de livros sobre educação e transtornos de aprendizagem. Instituto NeuroSaber https://institutoneurosaber.com.br

 

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