CUIABÁ

COMEMORAÇÃO

Dia Nacional do Conselheiro de Segurança reúne todos os CONSEGs de MT no Comando-Geral da PM e celebra avanços históricos

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A sede do Comando-Geral da Polícia Militar do Estado de Mato Grosso recebeu, na manhã deste sábado(30), conselheiros comunitários de segurança pública de todos os municípios mato-grossenses para uma solenidade que marcou o Dia Nacional do Conselheiro de Segurança e reafirmou o papel estratégico dos CONSEGs e da FECONSEG-MT na construção de uma segurança pública de proximidade, integrada e com foco na prevenção.
A cerimônia foi presidida pelo comandante-geral da PMMT, coronel PM Cláudio Fernando Carneiro Tinoco, que homenageou oficialmente os conselheiros. Estiveram presentes, entre outras autoridades, a procuradora de Justiça doutora Elizamara Portela (Ministério Público), o secretário de Estado de Segurança Pública, coronel PM César Augusto Camargo Roveri, chefes e subchefes do Estado-Maior e comandantes regionais da PMMT, além de presidentes e diretores da FECONSEG-MT. A abertura incluiu protocolo militar, execução do Hino da PMMT pelo Corpo Musical e a saudação aos representantes civis e militares.
Marco legal e origem: do manual de polícia comunitária à lei nacional
A data comemorativa, 30 de agosto, foi recentemente oficializada pela Lei nº 15.162/2025, que institui o Dia Nacional do Conselheiro de Segurança em referência ao encerramento da 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública (CONSEG), em 2009. Em Mato Grosso, o movimento ganhou sustentação jurídica e identidade própria com a Lei Estadual nº 10.931/2019, que reconhece os Conselhos Comunitários de Segurança como entidades civis, de direito privado e sem fins lucrativos, habilitadas a firmar convênios e parcerias com Ministério Público, Poder Judiciário, prefeituras e Governo do Estado — resgatando, na prática, os fundamentos do manual de polícia comunitária das décadas de 1980/90.
No discurso, Danilo Corrêa de Moraes, presidente do CONSEG de Várzea Grande e presidente da FECONSEG-MT e da Confederação Nacional das Federações de CONSEGs — sublinhou a virada institucional: “Mato Grosso foi pioneiro ao transformar em lei o que já estava na filosofia da polícia comunitária: o CONSEG é terceiro setor, parceiro do Estado — não subordinado a ele. Com isso, resgatamos a finalidade preventiva e a capacidade de mobilizar a sociedade.”
Presença estadual, unidade de propósito
A solenidade reuniu conselheiros de todos os rincões do Estado — da Baixada Cuiabana ao Norte Araguaia, do Parecis à fronteira. Entre os reconhecidos em destaque, representantes de Cuiabá (1º CR), Várzea Grande (2º CR), Sinop (3º CR), Rondonópolis (4º CR), Barra do Garças (5º CR), além de Alta Floresta, Juína, Cáceres, Primavera do Leste, Água Boa e outros municípios, simbolizando a capilaridade do modelo mato-grossense.
“Fazia muito tempo que não víamos todos os CONSEGs juntos. Reencontrar essa força, nesta data, mostra que a sociedade e as forças de segurança voltaram a caminhar lado a lado”, disse Danilo.
Avanços desde a reorganização: prevenção, parcerias e resultados
Os pronunciamentos evidenciaram que a consolidação jurídica dos conselhos destravou parcerias e resultados concretos:
•Prevenção estruturada: projetos sociais e educativos, “agentes mirins” (Campo Novo do Parecis), requalificação de espaços públicos e ocupação cultural de praças (Cristo Rei), com apoio de entidades como o Instituto Leverger (“Cultura pela Paz”) e redes de serviço.
•Infraestrutura e meios: termos de ajustamento de conduta (TACs) viabilizaram viaturas, motos, energia solar, reformas e bases (ex.: Guariba, Sararé, Rondonópolis), somando milhões em aportes sem onerar o Tesouro.
•Integração tecnológica: expansão do Vigia Mais Mato Grosso, com centrais e câmeras integradas, IA e base de dados unificada.
•Rede de proteção à mulher: fortalecimento da Lei Maria da Penha com ampliação da Patrulha Maria da Penha e integração com SETASC, Ministério Público, Defensoria e Judiciário, além da formação continuada de forças policiais e equipes municipais (CRAS/CREAS).
O coronel Fernando salientou metas e números recentes: “Estamos consolidando reduções expressivas em indicadores como roubo (-40%) e homicídio (≈ -30%), além de tolerância zero para ocupação ilegal de terras. Nada disso seria possível sem os conselhos e sem a rede de enfrentamento que envolve todas as instituições.” Ele anunciou, ainda, reforço da Coordenadoria de Polícia Comunitária (com novas designações) e a expansão do policiamento de proximidade (rondas a pé em centros comerciais) para todo o Estado.
“Heróis de farda” e controle social: o papel dos conselhos
Representando o Ministério Público, a procuradora de Justiça doutora Elizamara Portela destacou o valor pedagógico da parceria: “Os verdadeiros heróis estão aqui — homens e mulheres da Polícia Militar que inspiram disciplina, coragem e serviço ao próximo — e os conselheiros, que aproximam a comunidade e fortalecem o controle social das políticas públicas.”
O secretário de Segurança Pública, coronel Rovere, reforçou a visão de rede: “Ninguém faz nada sozinho. Quando a Patrulha Maria da Penha pernoita com uma família em risco; quando a Politec cruza DNA e digitais e a Polícia Civil prende um feminicida; quando a PM sustenta a presença ostensiva, tudo isso é rede, com o Ministério Público e a Justiça do nosso lado. É assim que vencemos o crime.”
Maria da Penha no centro: do discurso à prática
Como meta comum, o comandante-geral convocou CONSEGs e comandos regionais a priorizar o enfrentamento à violência contra a mulher, com planejamento cirúrgico, atenção às especificidades locais e campanhas de conscientização. “Dobramos o efetivo da Patrulha Maria da Penha e vamos avançar mais. Precisamos de ações coordenadas em cada município”, afirmou o coronel Fernando. O secretário Rovere citou casos recentes solucionados pela rede — inclusive um crime bárbaro elucidadado por integração de inteligência forense e investigação.
Reconhecimento e compromissos
Ao conduzir as homenagens aos conselheiros e autoridades, o comandante-geral sublinhou que os CONSEGs foram essenciais “quando faltavam insumos básicos” e permanecem fundamentais em tempos de investimentos: “A PM faz 190 anos e os senhores e senhoras fazem parte dessa construção.”
Danilo Moraes agradeceu o apoio institucional que “fez os CONSEGs voltarem a respirar” — citando comandantes e promotores que atuaram para corrigir aberrações jurídicas e restaurar a natureza civil e autônoma dos Conselhos. “Integração e parceria são as palavras. Quando a sociedade oferece a contrapartida, as soluções aparecem e os resultados chegam na ponta”, resumiu.
Por que esta data importa
Ao oficializar o 30 de agosto como Dia Nacional do Conselheiro de Segurança, o Brasil reconhece o elo entre sociedade e forças de segurança e estimula a participação cidadã na formulação, fiscalização e prevenção. Em Mato Grosso, onde a FECONSEG-MT e os conselhos municipais se tornaram referência nacional, a cerimônia no Comando-Geral da PM cristalizou a mensagem comum dos discursos: segurança pública é dever do Estado, direito e responsabilidade de todos  e se faz melhor quando é feita em rede.
Autoridades e lideranças citadas (seleção)
•Coronel PM Cláudio Fernando Carneiro Tinoco — Comandante-Geral da PMMT (homenagens e diretrizes)
•Coronel PM César Augusto Camargo Rovere — Secretário de Estado de Segurança Pública (integração da rede)
•Dra. Elizamara Portela — Procuradora de Justiça (MPMT)
•Danilo Corrêa de Moraes — Presidente da FECONSEG-MT e da Confederação Nacional das FECONSEGs
•Comandos Regionais da PMMT (1º ao 13º CR) e conselheiros de todo o Estado
Por, Luiz Henrique Menezes

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ARTIGO & OPINIÃO

TDAH nas Escolas: Estratégias Eficazes para a Alfabetização e a Aprendizagem

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Luciana Brites, Doutoranda em Ciências do Desenvolvimento Humano e Mestra em Distúrbios do Desenvolvimento

O Dia Mundial de Conscientização do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), em 13 de julho, destaca a importância da informação, do enfrentamento aos estigmas e da garantia de diagnóstico e tratamento adequados, com atenção especial aos desafios vividos por crianças e adolescentes na escola.

O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta 5% das crianças em idade escolar. Caracteriza-se por desatenção, hiperatividade e impulsividade, fatores que impactam a aprendizagem e a alfabetização. Porém, o transtorno não impede que a criança tenha uma trajetória escolar e social plena ao receber acompanhamento adequado.

É importante explicar que o TDAH não se manifesta de forma única. O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) descreve três apresentações. A com predominância desatenta, a predominantemente hiperativa-impulsiva e a combinada, que reúne as duas. Essa distinção tem efeito direto na alfabetização.

Na apresentação desatenta, a criança se perde no meio da tarefa, esquece o que estava lendo e tem dificuldade em sustentar o foco em atividades que exigem esforço contínuo. Já na hiperativa-impulsiva, o obstáculo aparece na impulsividade, pois a criança tende a adivinhar palavras em vez de decodificá-las, escreve de forma apressada e abandona a atividade antes de concluí-la. Na combinada, os dois conjuntos se somam. Reconhecer qual apresentação predomina ajuda o professor a ajustar as estratégias, em vez de tratar todas as crianças com TDAH da mesma maneira.

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É mito afirmar que crianças com TDAH são menos inteligentes. Com diagnóstico precoce, apoio multidisciplinar e estratégias pedagógicas eficazes, elas podem apresentar inteligência dentro ou acima da média. O acompanhamento pode envolver psicopedagogos, psicólogos, fonoaudiólogos e outros profissionais, de acordo com as necessidades individuais.

Em sala de aula, é importante que os professores observem sinais como dificuldade em manter a atenção por longos períodos, impaciência, esquecimento de materiais, distração frequente e excesso de movimentos.

Na alfabetização, as principais dificuldades estão relacionadas à atenção, à memória, à autorregulação emocional e comportamental, à baixa motivação em tarefas repetitivas e, em alguns casos, à presença de comorbidades, como dislexia ou Transtorno Opositivo Desafiador (TOD). Diferentemente dos transtornos de linguagem, no TDAH o principal obstáculo está na manutenção do foco.

Para favorecer a aprendizagem, recomenda-se propor uma tarefa por vez, oferecer tempo extra para a execução, reduzir estímulos distratores e utilizar recursos visuais claros e objetivos. Estratégias práticas do cotidiano e instruções diretas também contribuem.

As dificuldades na escrita são comuns e podem estar associadas à impulsividade, à atenção reduzida e à coordenação motora fina. Medidas eficazes em sala são priorizar a qualidade em vez da quantidade, dividir atividades em etapas menores, respeitar o ritmo da criança e permitir pausas frequentes. O uso de recursos visuais, jogos, tecnologia e reforço positivo fortalece a motivação.

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Lidar com o TDAH na alfabetização exige paciência, planejamento e empatia. Com adaptações simples e apoio adequado, é possível transformar desafios em oportunidades, promovendo aprendizado significativo e inclusão escolar.


(*) Luciana Brites é CEO do Instituto NeuroSaber, psicopedagoga, psicomotricista, Doutoranda em Ciências do Desenvolvimento Humano e Mestra em Distúrbios do Desenvolvimento pelo Mackenzie, palestrante e autora de livros sobre educação e transtornos de aprendizagem. Instituto NeuroSaber https://institutoneurosaber.com.br

 

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