AGRO & NEGÓCIOS
Estresses ambientais impactam a safra 21/22 de algodão em MT
Publicado em
14 de agosto de 2022
Nebulosidade, atraso no crescimento vegetativo, escassez hídrica e enchimento das maçãs prejudicado foram alguns dos problemas que permearam o ciclo da cultura.
O algodoeiro sofre interferência direta de fatores adversos ou favoráveis durante a safra, com impacto significativo sobre o desenvolvimento vegetativo, produção e na qualidade da fibra. É exatamente o que está sendo observado durante a colheita da safra 2021/22 em várias regiões produtoras.
Apesar da adequada janela de semeadura em janeiro em todas as regiões de Mato Grosso, o ciclo da cultura foi comprometido pelo excesso de chuvas (resultando em plantas com raízes superficiais) e temperaturas mais amenas, decorrentes dos dias nublados no final daquele mês e também no início de fevereiro. “Assim, atrasou em cerca de 10 a 15 dias o aparecimento do primeiro botão floral e, consequentemente, o surgimento da primeira flor”, explica o professor Ederaldo José Chiavegato, doutor em produção vegetal e palestrante convidado do Encontro. É exatamente isso que se tem constatado em termos de qualidade e produtividade das plumas colhidas até agora.
Normalmente, a primeira flor do algodoeiro surge em torno de 55 dias após a emergência. Contudo, neste ano, segundo Chiavegato, o aparecimento ocorreu em torno de 65 dias ou mais (10 a 15 dias de atraso, dependendo da região produtora) e isso aumentou o ciclo da cultura.
Já na etapa final de floração e início da fase seguinte de maturação, o encerramento das chuvas em abril teve influência direta na produção. “Em alguns anos podem ocorrer algumas chuvas regionais de maio, principalmente na região de Campo Novo do Parecis. Porém, não é prudente que o produtor conte com essas precipitações incertas deste mês, na maioria das regiões produtoras, para o enchimento das maçãs do ponteiro, principalmente quando o sistema radicular é superficial como o que encontramos nesta safra”, alerta o especialista.
40 dias que valem uma safra inteira
Os primeiros 40 dias do ciclo do algodão (compreendendo a germinação e emergência, o desenvolvimento inicial e o vegetativo) contempla um dos períodos mais importantes na produção, ou seja, o potencial produtivo é definido nesta fase.
As regiões produtoras de algodão de Mato Grosso, com exceção da microrregião de Primavera do Leste (no Sudeste do Estado), semeiam a segunda safra de algodão a partir de janeiro, podendo adentrar até a primeira quinzena de fevereiro. É aí que já começam as preocupações dos cotonicultores, pois neste período, via de regra as temperaturas são favoráveis para a rápida germinação e emergência, porém, como comenta Chiavegato, a alta umidade no solo favorece o estresse anoxítico, que é deficiência ou falta de oxigênio no solo.
Com essa soma de fatores, o arranque inicial das plântulas é comprometido, reduzindo o vigor da cultura. “Temos que considerar que este é um fato real, com altíssimas probabilidades de ocorrência, com consequências negativas nas fases seguintes do ciclo. Ou seja, estas condições jamais podem ser negligenciadas”, reforça.
Assim, os produtores devem sempre considerar ações de manejo para minimizar este cenário, tais como: qualidade das sementes, profundidade de semeadura e descompactação do solo. Além disso, proporcionar o adequado balanço hormonal para o processo de germinação e emergência, entre outras.
Raízes afetaram a produtividade
A temperatura e a umidade têm grande influência no crescimento das raízes do algodão. Quando estão elevadas durante as primeiras semanas após o plantio, podem prejudicar bastante toda a produção. Nesta fase, o algodoeiro prioriza o desenvolvimento do sistema radicular, ou seja, danos de quaisquer natureza representam diretamente danos à planta. “Condições climáticas adversas e ações de manejo consideradas inevitáveis (uso de herbicidas, atrasos nas adubações nitrogenadas, entre outras) contribuíram para um desenvolvimento deficiente do sistema radicular”, aponta o professor.
Quais as consequências?
Via de regra, para todas as microrregiões produtoras da pluma em segunda safra em Mato Grosso, é alta a probabilidade de ocorrência de longos períodos de dias chuvosos, inclusive com grandes volumes, causando nebulosidade. Segundo o especialista, está evidente, na safra 2021/22, os efeitos deste cenário no desenvolvimento inicial das plantas.
Ainda de acordo com Chiavegato, observou-se o aumento do número de nós vegetativos até o aparecimento do primeiro botão floral. “Normalmente, este número se situa entre cinco e seis nós. As altas nebulosidades nesse período condicionaram as temperaturas mais baixas, assim, foi comum verificar o aumento para sete a oito nós, atrasando o ciclo da cultura em cerca de 10 a 12 dias”, constata.
Com isso, houve mudança no final do ciclo para condições mais prováveis de ocorrência de déficit hídrico. Fato este que, associado ao sistema radicular mais superficial, pelo excesso de água no solo e falta de oxigênio, comprometeu severamente o enchimento das últimas maçãs do ponteiro, sobretudo nas épocas tardias de semeadura.
Para Chiavegato, pode-se considerar, cronologicamente, que as janelas de semeadura nesta segunda safra, em todas as regiões produtoras, foram adequadas. “Porém, os problemas no final do ciclo com o corte definitivo das chuvas a partir do mês de abril, durante o enchimento das maçãs de ponteiro e, neste ano, com muitas maçãs de segunda e terceira posições em fases de enchimento, foram resultantes das condições climáticas registradas na fase de implantação da cultura”, sinaliza.
Da maturação à colheita
A fase de maturação até a colheita dura cerca de 50 dias e, durante esse tempo, ocorre o desenvolvimento das sementes e fibras e a abertura das maçãs. É este período também o responsável pela qualidade do algodão produzido. Ou seja, temperatura e umidade têm influências significativas no crescimento e desenvolvimento dos frutos, na formação das fibras, interferindo consequentemente na qualidade e no rendimento delas. O ideal são temperaturas amenas e diminuição da necessidade hídrica.
O cotonicultor precisa ter em mente que flutuações térmicas, hídricas e quantidade e qualidade da radiação incidente durante o ciclo da cultura, bem como das decisões e ações de manejo adotadas desde o estabelecimento inicial das plantas, interferem fortemente na capacidade delas no enfrentamento das possíveis variações climáticas nesta fase final. “Podemos ressaltar que dentre as decisões e ações de manejo, merece atenção por parte do produtor o rigor na adequação da época de semeadura e das características intrínsecas das cultivares escolhidas”, orienta o especialista.
AGRO & NEGÓCIOS
Projeto Caju beneficia mais de 100 produtores e distribui 10 mil mudas no semiárido cearense
Published
7 dias atráson
18 de setembro de 2026By
Da Redação
Em uma região onde a escassez de água impõe desafios à produção agrícola, encontrar culturas adaptadas às condições locais é um dos caminhos para ampliar as oportunidades de geração de renda no campo. É nesse cenário que o Projeto Caju, desenvolvido pelos Amigos do Bem, organização sem fins lucrativos, com apoio da AGCO Agriculture Foundation, fundação privada que tem como objetivo prevenir e combater a fome por meio do desenvolvimento agrícola sustentável, atua no semiárido cearense. A iniciativa envolve 107 produtores em 15 comunidades, com a distribuição de 10 mil mudas de caju, capacitação técnica e acompanhamento para apoiar a implantação e o desenvolvimento dos pomares.
A escolha do caju considera as características da cultura, que apresenta adaptação ao clima quente e a períodos de menor disponibilidade hídrica. A partir dessa característica, o projeto associa o cultivo ao conhecimento técnico e ao suporte aos agricultores, buscando contribuir para a geração de renda e o fortalecimento da agricultura local.
Dos 107 produtores envolvidos, 63 receberam apoio direto com recursos da AGCO Agriculture Foundation. Entre os participantes, 64% são novos produtores, enquanto 36% já haviam sido apoiados pelo Projeto Caju.
“Os resultados mostram a importância de combinar recursos, conhecimento e acompanhamento técnico para criar oportunidades de desenvolvimento no campo. Em regiões que enfrentam desafios climáticos e socioeconômicos tão grandes, apoiar o produtor significa também contribuir para que ele tenha condições de construir uma fonte de renda mais estável”, afirma Marcelo Traldi, gerente geral da AGCO América Latina.
“Essa iniciativa demonstra como parcerias estratégicas podem gerar impacto positivo no campo. Ao apoiar os produtores com as mudas, capacitação e acompanhamento técnico, o projeto contribui para fortalecer a produção local e gerar renda para famílias em situação de vulnerabilidade no semiárido mais populoso do mundo e um dos contextos mais desafiadores do Brasil: o sertão nordestino”, afirma Alceu Caldeira, Diretor de Desenvolvimento Institucional dos Amigos do Bem.
Do conhecimento à prática

A capacitação é uma das principais frentes da iniciativa. Setenta produtores participaram de treinamento técnico sobre implantação e manejo dos pomares, com orientações sobre seleção de mudas produtivas e adaptadas às condições do semiárido, preparo do solo, espaçamento, fertilização, manejo de plantas daninhas e poda de formação.O conhecimento também foi levado para o campo durante um dia de campo, que reuniu 34 produtores. A atividade permitiu demonstrar técnicas de plantio e manejo das mudas e criou um espaço para troca de experiências, esclarecimento de dúvidas e discussão dos desafios encontrados nas propriedades.
A combinação entre acesso às mudas e orientação técnica é especialmente relevante em uma região sujeita a períodos prolongados de seca. O objetivo é apoiar os agricultores nas primeiras etapas de desenvolvimento dos pomares e contribuir para que adotem práticas adequadas às características do solo, do clima e da cultura.
Investimento e acompanhamento
A Fundação AGCO destinou mais de R$ 100 mil ao projeto, recursos aplicados na produção das mudas, apoio aos pequenos produtores, capacitações, monitoramento e gestão da iniciativa.
Com a implantação dos pomares, o Projeto Caju avança para uma etapa de acompanhamento técnico. Estão previstas visitas às propriedades para monitorar o desenvolvimento das plantas e orientar os agricultores ao longo do ciclo produtivo.
A programação inclui ainda novos treinamentos sobre pré-colheita e pós-colheita, com orientações sobre manejo, fortalecimento dos pomares e preparação dos produtores para as próximas etapas da produção.
O Projeto Caju integra a atuação dos Amigos do Bem no sertão nordestino. A organização atende cerca de 150 mil pessoas em 300 comunidades nos estados de Alagoas, Pernambuco e Ceará, com iniciativas nas áreas de educação, geração de renda, acesso à água, moradia e saúde.
Sobre a Fundação AGCO
Fundada pela AGCO Corporation (NYSE: AGCO) em 2018, a AGCO Agriculture Foundation é uma fundação privada que tem como visão prevenir e aliviar a fome. A Fundação promove programas de impacto que apoiam a segurança alimentar, o desenvolvimento agrícola sustentável e constroem a infraestrutura agrícola necessária em comunidades rurais marginalizadas. A AAF está sediada em Vaduz, Liechtenstein e as operações são geridas em Duluth, Geórgia, EUA. Para mais informações, acesse https://www.agcofoundation.org/
Sobre a ONG Amigos do Bem
Há mais de 30 anos, a instituição Amigos do Bem trabalha para transformar vidas no sertão nordestino, uma das regiões mais carentes e isoladas do Brasil. Atende regularmente 150 mil pessoas em 300 povoados com projetos contínuos de educação, trabalho e renda, água, moradia e saúde. Com um Modelo de Desenvolvimento Social Sustentável e diversas iniciativas de impacto positivo, promove inclusão social e desenvolvimento local, contribuindo com 12 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Para mais informações, acesse www.amigosdobem.org.
Flavia Amarante
Executiva de comunicação
Cel.: (16) 99792-2160
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