CUIABÁ

EDIÇÃO PRIME

12ª Semana do Cavalo reúne mais de 220 mil pessoas e movimenta o setor agropecuário em Cuiabá

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Com público recorde, evento celebra o sucesso do agronegócio e da cultura equestre em Mato Grosso_

Consolidada como o maior evento equestre da região Centro-Oeste, a 12ª Semana do Cavalo atraiu mais de 220 mil pessoas durante seus 10 dias de programação, no Parque de Exposições Jonas Pinheiro, em Cuiabá. O evento foi palco de leilões, shows regionais e nacionais, provas equestres, expositores parceiros e circuito de palestras científicas.

“Estamos felizes com o sucesso da 12ª Semana do Cavalo. Ver o Parque lotado todos os dias, com público de todas as regiões do Estado, confirma que o evento já faz parte do calendário cultural e agropecuário de Mato Grosso. Pensamos em cada detalhe, desde a estrutura até a programação, para proporcionar uma experiência completa para toda a família. Também tivemos um importante retorno social, com a arrecadação de mais de 12 toneladas de alimentos, que beneficiarão 55 entidades e mais de 11 mil pessoas. Superamos todas as nossas expectativas, tanto em termos de público quanto de volume de negócios”, destaca Caê Póvoas, um dos organizadores do evento.

O Circuito de Palestras Científicas foi um dos destaques, com mais de 1.000 participantes ao longo de cinco dias. Além disso, o evento gerou um impacto econômico significativo na região, criando mais de 2.000 empregos diretos e indiretos.

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*Reconhecimento ao esporte equestre*

Com foco na valorização de cavalos e cavaleiros, a Semana do Cavalo distribuiu mais de R$ 1 milhão em premiações, além de fivelas, medalhas e troféus. O evento contou com a participação de 3.600 animais e mais de 1.600 competidores de nove estados brasileiros, nas modalidades de Cinco Tambores, Seis Balizas, Team Penning, Laço Técnico (Cabeça e Pé), Team Roping, Três Tambores e Ranch Sorting.

Outro ponto alto foi a intensa movimentação nos leilões, que reuniram 2.600 bovinos e 180 equinos (incluindo embriões, muares, mine horse, pôneis e ovinos), com a participação de 40 haras de diversas regiões do Brasil. Foram realizados cinco leilões, movimentando R$ 21 milhões, superando os resultados alcançados da edição de 2024. Durante todas as noites, o Celeiro permaneceu lotado, com média de 250 participantes por dia.

*Música de qualidade*

A programação musical da 12ª Semana do Cavalo também foi um dos grandes atrativos do evento, com shows de artistas nacionais consagrados como Matogrosso e Mathias, Ícaro e Gilmar, Os Menotti, Fred e Fabrício, além do grupo musical Colo de Deus e atrações regionais.

Segundo Marco Póvoas, também organizador do evento, toda a programação musical foi pensada para proporcionar uma experiência única ao público. “Preparamos cada detalhe para celebrar a Edição Prime. Quem esteve presente pôde desfrutar de uma estrutura moderna para os shows, ambientes acolhedores, além de curtir uma programação musical de altíssima qualidade”, destacou.

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*Organização e expositores*

A Edição Prime da 12ª Semana do Cavalo foi promovida pelo Haras Twin Brothers em parceria com a renomada produtora de eventos Ditado Produções.

O evento foi realizado pelo Instituto Cordemato e contou com exposição das empresas Domani Prime – RAM, LS Tractores Maquiparts, Recanto Country, Chapeus Cury, Rodeo Way, Raçoes Supra, House Pantaneira, Aprofir, Desenvolve MT, Imac, Senar MT, Vetnil, ARZ Brick Feno, Ullman, Serralheria Pai e Filho, Organnact, Ginco Urbanismo, Ventura, Honda, Hotel Intercity, Aroeira, Sou + Internet, Arquiteton, Norte Sul, Zebu Teck, Buzetti, Mais Modulos e Hotel Starlis.

Durante os dias do evento, os expositores movimentaram mais de R$ 45 milhões em negócios, consolidando a Semana do Cavalo como uma das principais vitrines do setor no país.

“Quero agradecer o apoio do Governo do Estado de Mato Grosso, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, da Assembleia Legislativa, além dos expositores, competidores e criadores, que contribuíram para o sucesso do evento. Nos vemos em nosso próximo encontro, que será realizado em Rondonópolis, de 17 a 20 de setembro”, conclui Caê.

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AGRO & NEGÓCIOS

Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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