RONDONÓPOLIS
Também foram realizadas três operações com objetivo de reforçar a fiscalização interna e externa na unidade prisional
Publicado em
12 de agosto de 2024por
Da Redação
Ações da Polícia Penal resultaram na apreensão de 66 aparelhos celulares e diversas porções de entorpecentes na Penitenciária Major PM Eldo Sá Corrêa (Mata Grande), em Rondonópolis (212 km de Cuiabá), após interceptação de três drones entre os dias 31 de julho e 12 de agosto.
Neste mesmo período, também foram realizadas três operações com intuito de reforçar a fiscalização interna e externa na unidade prisional.
A ação mais recente ocorreu entre o último sábado (10) e esta segunda-feira (12). Denominada Operação “Final de Semana”, resultou na apreensão de dois tabletes de maconha de 955 gramas, oito aparelhos celulares, cinco carregadores, cinco cabos USB, quatro fones de ouvido, quatro adaptadores, dez fios de antena para celular, além de itens para reparo de celulares. Todo o material ilícito foi lançado por um drone.
Ainda durante a força-tarefa, os policiais realizaram uma revista em uma das celas da penitenciária, onde apreenderam 11 porções de maconha, duas porções de pasta base, uma de cocaína, dois celulares, um carregador e dois chips.
Durante a revista, os detentos foram escoltados até a quadra esportiva para que a operação pudesse ser conduzida com segurança. Como resultado da ação, foram apreendidos 20 aparelhos celulares, 15 carregadores completos, 17 chips, um carregador portátil, 10 porções de cocaína de diversos tamanhos e uma balança de precisão.

Entre os dias 31 de julho e 1º de agosto, os policiais interceptaram um drone que sobrevoava a penitenciária carregando um tablete de maconha de 500 gramas, um telefone celular e uma garrafa de uísque destinados aos reeducandos. Esta ação aconteceu durante a operação “Noite Adentro”.
Os policiais também fizeram uma varredura nas celas para retirar mais materiais ilícitos. Ao todo, foram apreendidos um drone, um tablete de maconha, cinco porções menores da droga, 37 celulares smartphones, quatro carregadores portáteis, 31 cabos, uma máquina para fazer tatuagem, uma garrafa de uísque e uma vara de pescar retrátil.
Fonte: SESP
AGRO & NEGÓCIOS
Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade
Published
2 dias atráson
11 de junho de 2026By
Da Redação
Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.

fAdilson Muziwane/Paula Boaventura
A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.
O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.

“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.
A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.
por Luiz Henrique Menezes
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