Completando 35 anos de criação em 2023, a Gerência de Operações Especiais (GOE) da Polícia Civil de Mato Grosso é composta por policiais civis, designados operadores, com avançado nível de preparo e desempenho para o cumprimento de missões de alto risco que exigem capacidades físicas e psicológicas acima da média.
Com 100% dos policiais formados em cursos de operações especiais ou policiais e uma rotina de treinamentos intensos, com utilização de equipamentos específicos e simulações de risco, a GOE reforça a atuação da Polícia Civil em todo estado e atuou, no ano passado, em mais de 160 grandes operações na Capital e interior do estado, além de promover a capacitação de 435 policiais em diversos cursos e disciplinas com foco no treinamento policial.
A unidade passou por mudanças na estrutura física e organizacional, incluindo adequações nas divisões, ativação do Núcleo de Inteligência, organização e controle internos, reforma do espaço de treinamento para abordagens e de tiros à curta distância, localizada na Academia de Polícia (Acadepol), divisão antibombas e reforma do paiol.
Na gestão da GOE desde 2023, o delegado Frederico Murta ressaltou que o ano foi produtivo para a Gerência de Operações Especiais, com as adequações internas com foco em atender as demandas em todas as frentes que competem à unidade tática.
“Além dos acionamentos para atendimento das ocorrências de alta complexidade, da realização de treinamentos constantes, chama atenção a quantidade cursos realizados em parceria com a Academia de Polícia, sendo possível trazer nivelamento técnico a um grande número de policiais civis de todo o estado. Chegamos ao final deste primeiro ano bastante satisfeitos com o desempenho da equipe, composta por profissionais extremamente qualificados e dedicados ao trabalho, que passam boa parte do ano longe de suas famílias em prol da segurança pública”, destacou Murta.
Os policiais da GOE participaram, no ano passado de 43 operações realizadas pela Diretoria do Interior, 47 da Diretoria de Atividades Especiais e em 31 de unidades da Diretoria Metropolitana, totalizando 164 apoios às unidades da Polícia Civil.
Algumas operações ocorreram em ambientes e circunstâncias incomuns, muitas vezes de alto risco, que exigem habilidades e capacidades peculiares, sendo a atuação dos policiais da gerência um grande diferencial, devido ao preparo especializado para atuar em missões que requerem adestramento, armamentos e equipamentos específicos.
Capacitações e treinamentos
Além da atuação nas operações e em situações de risco, a equipe da GOE também atua na capacitação de servidores da Polícia Civil e de outros órgãos, ministrando cursos e capacitações para equipes das forças de segurança de Mato Grosso e de outros estados.
Entre os mais de 435 policiais civis capacitados estão investigadores, escrivães e delegados que tomaram posse em 2023 e que passaram pelo Curso de Formação Técnico-Profissional Acadepol. Durante os seis meses de preparação academia, a GOE foi responsável por ministrar seis disciplinas aos alunos, sendo empregados nove operadores da gerência para capacitação e treinamento dos novos policiais.
Entre os treinamentos ministrados ao longo do ano, a equipe da GOE em parceria com Acadepol formou quatro turmas do Curso de Operador de Mandado de Alto Risco (Comar), sendo duas edições realizadas em Cuiabá para policiais das Regionais de Água Boa, Alta Floresta e Cáceres, e também da Diretoria de Atividades Especiais e Diretoria Metropolitana, uma edição realizada na Regional de Sinop e outra para a Polícia Civil do Amapá.
Considerado compacto e intenso, o Comar busca o nivelamento operacional básico do policial civil para que possa atuar em uma das suas atividades-fim, cumprimento de mandados judiciais, com maior eficiência e segurança.
Promovido em parceria com a Delegacia Especializada do Meio Ambiente, outra capacitação de grande importância ministrada pelos policiais da GOE foi Curso de Investigação e Operações Policiais Ambientais (Ciopam). Para as aulas práticas de investigações e operações voltadas ao ambiente rural, foi preparada uma grande e cautelosa logística, pois foram realizadas simulações durante os treinamentos, almejando prospectar o aluno para dentro dos casos reais de combate a ilícitos ambientais.
A manhã deste domingo (14) foi marcada por mais uma tragédia na MT-251, rodovia que liga Cuiabá a Chapada dos Guimarães. O jovem motociclista Márcio J. D. Pontes Sampaio, de apenas 18 anos, morreu após perder o controle da motocicleta em uma curva entre a Salgadeira e o Portão do Inferno. Segundo informações divulgadas pelas autoridades, ele colidiu contra a proteção lateral da pista e foi arremessado para fora da rodovia.
A notícia abalou familiares, amigos e toda a comunidade motociclista de Mato Grosso. A Associação dos Pilotos de Mato Grosso emitiu uma nota de pesar lamentando a perda precoce de mais um apaixonado pelas duas rodas.
Mas, diante de mais uma cruz invisível fincada naquela serra, surge uma pergunta que precisa ser feita: o que está acontecendo naquele trecho da estrada?
Não é a primeira vez que uma vida é interrompida em circunstâncias semelhantes. Nos últimos anos, outros acidentes graves foram registrados justamente em curvas conhecidas pelos motociclistas que frequentam a região aos finais de semana. O local se tornou uma espécie de ponto de encontro para amantes da velocidade, da adrenalina e da fotografia.
E aqui é importante deixar algo muito claro: não se trata de apontar culpados.
Os fotógrafos que passam horas registrando a beleza das motos e a habilidade dos pilotos não podem ser responsabilizados por decisões tomadas no guidão. Eles apenas eternizam momentos que acontecem na estrada. Mas talvez seja necessário refletir sobre um comportamento que tem se tornado cada vez mais comum. Em tempos de redes sociais, curtidas e compartilhamentos, muitos motociclistas sonham com a foto perfeita. A imagem da curva impecável. O joelho próximo ao asfalto. A inclinação extrema. A pose que transmite domínio absoluto da máquina.
A foto rende admiração. O vídeo ganha visualizações. Os comentários elogiam a coragem. Mas a física não conhece curtidas. A gravidade não se impressiona com seguidores. E a curva não distingue quem é iniciante ou experiente. Em uma fração de segundo, a linha entre uma fotografia memorável e uma tragédia pode desaparecer. Talvez a reflexão mais dura seja justamente essa: até que ponto a busca por reconhecimento, aprovação ou pela sensação de parecer um piloto profissional pode fazer alguém esquecer o principal motivo de voltar para casa?
A segurança.
Nenhuma imagem vale uma vida. Nenhum vídeo vale o sofrimento de uma mãe. Nenhuma postagem vale o silêncio que fica quando um capacete não volta a ser usado. A Estrada de Chapada é uma das mais bonitas de Mato Grosso. Suas curvas atraem turistas, ciclistas, motociclistas e aventureiros de todo o Brasil. Mas beleza também exige respeito. Pilotar uma motocicleta é uma paixão legítima. É liberdade. É amizade. É irmandade. Mas paixão sem prudência pode se transformar em dor.
A morte de Márcio não deve servir para julgamentos, acusações ou disputas de narrativas. Deve servir para algo maior: consciência.
Que cada motociclista que passar por aquela curva daqui para frente lembre que a melhor foto continua sendo aquela tirada depois do passeio, ao lado dos amigos, com todos vivos para contar a história.
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