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MT Hemocentro destaca importância da doação de sangue regular

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Doar sangue é um ato de solidariedade e cada doação pode salvar a vida de até quatro pessoas. A equipe do MT Hemocentro continua à espera de doadores neste período que antecede o Carnaval. A exemplo do professor Pedro Araújo Campos, que a cada doação se sente realizado.

Doador frequente há sete anos, ele conta que se orgulha de poder ajudar. “Sei que já salvei muitas vidas e quero salvar muitas vezes mais”. Os anos de doação renderam a Pedro uma classificação importante, o de doador “fenotipado”, para pacientes específicos que necessitam de várias transfusões. Normalmente são portadores de anemia falciforme ou anemias hemolíticas. O sangue fenotipado reduz riscos de reação no paciente que recebeu sangue várias vezes.

Outro exemplo de doador regular é Pollyhaimme Rodrigues da Silva, que foi incentivada por um grupo de amigos que utilizaram as redes sociais para ajudar uma amiga que precisava de sangue. “Desde então sou doadora regular e para mim é um ato de humanidade. Muitas pessoas se preocupam somente com o seu ‘eu’ e esquecem do ‘nós’. Me sinto muito feliz em ajudar alguém”.

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Uma forma diferente de comemorar seus os anos, completados nesta sexta-feira (29.01), foi de Verônica Leite Nabarrete, que desde os 18 anos doa sangue e é cadastrada como doadora de medula óssea. “Foi a forma que encontrei de ser útil no mundo. Estou com minha saúde plena, mas muitas pessoas esperam um ato deste para continuar vivendo”.

Gerente da Hemorrede Estadual, Alzira Almeida Saldanha explica que o período que antecede uma das maiores festas populares do país – o Carnaval – está entre as épocas do ano em que os bancos de sangue sofrem a maior redução no estoque. De acordo com o Ministério da Saúde, somente 2% da população faz doações com regularidade e o número diminui ainda mais durante o Carnaval, quando também aumenta a demanda por bolsas de sangue em hospitais de urgência e emergência.

Para ser um doador é preciso ter entre 16 e 68 anos, pesar mais de 50 quilos e estar com boa saúde. Menores de 18 anos só podem doar com autorização dos pais ou responsável legal. Estar bem alimentado e portar documento oficial de identidade com foto são requisitos imprescindíveis para quem deseja doar.

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Doar sangue é um ato simples, tranquilo e seguro, que não provoca risco ou prejuízo à saúde. Além disso, a doação é voluntária, anônima, altruísta e não remunerada. Todo o processo de doação é rápido, seguro e indolor, levando cerca de 40 minutos. O ideal é que cada pessoa doe sangue pelo menos duas vezes ao ano – homens a cada 60 dias e mulheres devem respeitar um intervalo de 90 dias entre as doações.

Atendimento no Carnaval

Durante o período do carnaval apenas a Unidade de Coleta e Transfusão do Hospital e Pronto Socorro Municipal de Cuiabá estará aberta ao público. O funcionamento será das 7h às 18h, exceto no domingo (07.02). A Unidade do MT Hemocentro retoma o atendimento na quarta-feira (10.02), no período vespertino, a partir das 13h.

Fonte: GOV MT

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AGRO & NEGÓCIOS

Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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