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MATO GROSSO

Investimentos do Governo de MT em Peixoto de Azevedo somam mais de R$ 89 milhões

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Os investimentos realizados pelo Governo de Mato Grosso em Peixoto de Azevedo, ao longo desta gestão, já somam mais de R$ 89 milhões. Os recursos envolvem construção de pontes, repasses para ações culturais e sociais, e investimentos em saúde, educação e segurança pública.

A área que mais foi contemplada pela gestão foi a infraestrutura, que recebe R$ 53 milhões do governo estadual. Desse recurso, R$ 30 milhões são destinados ao asfaltamento de 40 quilômetros de estrada da MT-322, no Distrito de União do Norte. A obra já foi contratada. 

O Estado também já executou o asfaltamento de outro trecho de 6 quilômetros da MT-322, que vai do fim do asfalto de Peixoto de Azevedo ao Distrito de União do Norte. Também fez a construção de uma ponte de concreto de 60,5 metros sobre o Rio Puim, ainda na MT-322. 

Outra parte dos recursos foram repassados para que a Prefeitura de Peixoto pudesse fazer a recuperação de 30 quilômetros de asfalto na MT-322, a transposição de bueiros e galerias pluviais na rodovia rural E-60, e a implantação de aduelas de concreto para substituir pontes de madeira nas rodovias vicinais da região. 

O valor dos investimentos em infraestrutura também engloba compra de material para asfaltamento de vias urbanas e entrega de duas motoniveladoras, uma escavadeira hidráulica e uma pá carregadeira para a Associação Estruturante Santa Emília da Rodovia MT-322.

Nesta terça-feira (28.06), o governador Mauro Mendes ainda autoriza a formalização de três novos convênios, que somam R$ 7,6 milhões. Os recursos envolvem o asfaltamento da avenida Zé Doca (R$ 2.085.075,22), melhorias e manutenção no sistema de abastecimento de água do Distrito de União do Norte (R$ 4 milhões), e compra de material para asfaltamento com TSD em diversas ruas da cidade (R$ 1.547.180,33).

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Educação

O Governo de Mato Grosso também investiu, ao longo da gestão, mais de R$ 9,8 milhões para melhorias na educação em Peixoto de Azevedo. O montante engloba a construção do novo prédio da Escola Estadual Luciene Cardoso de Oliveira, e de quadras poliesportivas para as escolas estaduais Leonísio Lemos, Vinícius de Moraes e Garcia Garrido. 

Outros investimentos da educação também envolvem reparos e adequações nas escolas estaduais Monteiro Lobato e 19 de julho, e entrega de aparelhos de ar condicionado e mobiliários para quatro escolas. 

Durante a pandemia, o Estado também repassou recursos para os professores comprarem computadores e custearem o serviço de internet para aulas online. 

Saúde e Segurança Pública

Para Peixoto de Azevedo, a Secretaria de Estado de Saúde repassou uma ambulância nova, com investimento de R$ 150 mil, para suporte ao sistema municipal de saúde. 

Já os investimentos em segurança pública somam R$ 13,1 milhões. O montante envolve a construção da delegacia da Polícia Civil e do Centro de Detenção Provisória de Peixoto, que conta com parceria do Ministério da Justiça. O espaço, que representa 256 novas vagas para detentos, será inaugurado pelo governador Mauro Mendes nesta terça-feira (28.06). 

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Mais investimentos

Ações sociais de suporte às famílias mais vulneráveis, sobretudo durante a pandemia da covid-19, movimentaram mais de R$ 2,3 milhões do governo estadual. O montante envolve a entrega de 2,7 mil cobertores, 4,7 mil cestas básicas e 782 filtros de barro, a fim de garantir que os mais vulneráveis tenham acesso à água filtrada. Também, o repasse de R$ 1,8 milhão para 1.121 famílias, por meio do programa de transferência de renda Ser Família Emergencial.

Ao mesmo tempo, a agricultura familiar da cidade também foi fortalecida com investimentos que ultrapassam R$ 2,8 milhões. Apenas em Peixoto de Azevedo foram entregues uma patrulha mecanizada, duas motoniveladoras, uma ensiladeira, uma pá carregadeira, um trator 110 cv, uma carreta basculante, uma grade aradora, uma câmara fria, uma máquina de envase dosadora para liquidos e pastas, um distribuidor de calcário, quatro tanques resfriadores e 1,3 mil toneladas de calcário. Ainda, uma caminhonete Hilux. 

Já a Associação de Mini e Pequenos Agricultores do projeto de Assentamento Cachimbo (Agripac-MT) recebeu um caminhão refrigerado.

O município ainda contou com uma caminhonete nova para a unidade local de execução do Indea fazer a fiscalização na região, e conseguiu, via agência de fomento Desenvolve MT, R$ 18 mil de empréstimo liberado para empresas locais.

Fonte: GOV MT

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AGRO & NEGÓCIOS

Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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