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Dr. Leonardo: “Investimentos do Governo de MT são justiça histórica com municípios da fronteira”

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O deputado federal Dr. Leonardo Albuquerque afirmou que o Governo de Mato Grosso tem feito investimentos históricos na Região Oeste. Somente na sexta-feira (24.06) foram autorizados R$ 144,6 milhões em novos investimentos, durante agenda no município de Cáceres. 

“Recebemos os investimentos do Governo de Mato Grosso de braços abertos, porque irradiam o desenvolvimento da nossa região e fazem uma justiça histórica, já que foi nesta região que começou o Estado de Mato Grosso, com a nossa primeira capital Vila Bela da Santíssima Trindade, e Cáceres foi um importante caminho para escoar, através do Rio Paraguai, toda fortuna e tesouro que fez outras regiões crescerem”, afirmou. 

Dentre os principais investimentos do Governo do Estado na região, o parlamentar destacou o asfaltamento da MT-343, importante rota que liga os municípios de Cáceres, Porto Estrela e Barra do Bugres.  

Três trechos da rodovia, que receberam asfalto novo, foram inaugurados pelo governador Mauro Mendes nesta sexta-feira. O primeiro liga Cáceres a Porto Estrela e Barra do Bugres, outro vai de Vila Aparecida a Porto Estrela e o terceiro fica na Serra da Peraputanga. Ao todo são 104,1 km, com investimento de R$ 73,9 milhões.

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A rodovia faz a ligação da região produtora do Médio-Norte à Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Cáceres, além da interligação das rodovias federais BR-070 e BR-364. 

Dr Leonardo ainda ressaltou a importância de parceria de deputados da bancada federal com o Governo do Estado, para que mais investimentos sejam aplicados em todos os cantos de Mato Grosso. 

“Nos unimos através dessa bancada federal para apoiar a sua gestão, Mauro, porque temos confiança neste tratamento que o senhor tem dado aos municípios de Mato Grosso. A Região Oeste, essa região de fronteira, precisa dessa atenção que o senhor está dando, e queremos mais. Por isso somos parceiros do senhor e da sua gestão, para levar o Mato Grosso à frente, sempre avançando”. 

Investimentos na Região Oeste

Durante a visita à Cáceres, o governador Mauro Mendes autorizou R$ 144,6 milhões em investimentos a 18 municípios da Região Oeste. Os valores envolvem obras de infraestrutura, como asfaltamento de rodovias e vias urbanas, construção de casas, entrega de máquinas, e investimentos para ações culturais.

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Apenas para Cáceres foram liberados R$ 24,1 milhões. Já para Araputanga foram R$ 4,4 milhões. Barra do Bugres recebeu R$ 17,5 milhões e Comodoro R$ 13,4 milhões. Curvelândia foi contemplada com R$ 3,5 milhões, Figueirópolis D’Oeste com R$ 5,9 milhões, e Glória D’Oeste com R$ 15,7 milhões. 

Indiavaí também assinou R$ 3,4 milhões em convênios, Jauru R$ 4 milhões, Vale de São Domingos R$ 5,5 milhões, São José dos Quatro Marcos R$ 14,1 milhões, Salto do Céu R$ 2,3 milhões, e Rio Branco R$ 2,3 milhões.

Reserva do Cabaçal foi beneficiado com R$ 3,9 milhões, Porto Estrela com R$ 4,4 milhões, Porto Esperidião com R$ 5,4 milhões, Mirassol D’Oeste com R$ 10,2 milhões, e Lambari D’Oeste com R$ 3,5 milhões. 

Fonte: GOV MT

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AGRO & NEGÓCIOS

Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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