DA OFICINA AO PALCO
A Paixão por Motos que Conecta Histórias e Gera o Maior Encontro Motociclístico de Mato Grosso
Publicado em
31 de outubro de 2025por
Da Redação
Um bar de rock, uma moto renascida e uma amizade moldada pela paixão sobre duas rodas. Assim pode ser resumida a noite de celebração vivida no Tadeu Rock Bar, em Cuiabá, quando o customizador Roberval dos Santos Cedar apresentou mais uma de suas obras exclusivas — uma motocicleta que carrega história, emoção e identidade.
O mestre das customizações

Ex-piloto de motocross e campeão estadual na década de 1980, Roberval trocou as pistas pela arte da personalização. Com 66 anos e décadas de experiência, ele é hoje um dos nomes mais respeitados no segmento de customização de motos em Mato Grosso.

“Customizar é recriar. É pegar uma moto, desmontar, redesenhar e transformar em algo único. Cada projeto que faço tem a minha marca, meu design. Não existe outra igual”, explica.
Depois de anos atuando em Manaus e nos Estados Unidos, Roberval fixou sua oficina em Cuiabá, nas proximidades da rodoviária do Coxipó. Lá, desenvolve tintas próprias e efeitos visuais importados, como o metal flake e o camaleão, usados para criar o brilho inconfundível de suas máquinas. “Faço questão de oferecer qualidade e personalidade. É um trabalho artesanal e exclusivo”, completa.
Uma moto, um amor e uma surpresa

Entre suas obras recentes está uma moto especial: uma CB400 de 1982, completamente transformada em um modelo moderno e estilizado. A motocicleta pertence à empresária Sweetlane Sabin Sword, conhecida como Chu, que viu o sonho ganhar vida pelas mãos do customizador.

“Essa moto estava há três anos parada, toda desmontada. Quando o Roberval viu, acreditou que podia dar vida de novo a ela. E deu”, contou Chu, emocionada.

A motocicleta foi entregue no evento do Tadeu Rock Bar, em meio a aplausos e olhares curiosos. “Eu confiei de olhos fechados, e o resultado foi maravilhoso. Ele tem um talento incrível”, diz Chu. Casada com o presidente do moto clube Pantaneiros, ela vive o motociclismo em família e destaca o valor da convivência nos grupos. “Esses encontros unem pessoas que respiram o mesmo amor por motos, estrada e liberdade.”
Rock, motos e boas histórias no Tadeu Rock Bar

”O Roberval apresentou duas motos incríveis, e a gente aproveitou para anunciar o maior evento motociclístico que o estado já viu”, conta Marcelo.

A trilha sonora ficou por conta da banda cuiabana Cão do Mato, liderada pelo vocalista Luiz, também repórter do SBT. “Nosso bar é isso: rock, motos, espetinho, caldo de feijão e amizade”, brinca o anfitrião.
MATO GROSSO MOTORCYCLE WEEK: Chapada dos Guimarães no mapa do motociclismo nacional

Durante o evento, Roberval, Marcelo e o produtor Luiz Henrique Menezes confirmaram o lançamento do MT Motocycle Week, que acontecerá entre 30 de abril e 2 de maio de 2026, na Chapada dos Guimarães. A expectativa é reunir mais de 15 mil motociclistas de todo o Brasil e países vizinhos, como Chile, Argentina, Paraguai e Bolívia.
O evento promete estrutura completa, com área de camping, banheiros, energia, água e shows nacionais e regionais, além de um grande boi no rolete para os participantes. “Queremos valorizar o motociclista e mostrar a cultura e alegria do povo mato-grossense. Chapada vai parar”, garante Roberval.
Marcelo reforça a ambição do grupo: “Queremos transformar Mato Grosso e a Chapada dos Guimarães numa rota internacional de motociclistas, como acontece na Serra do Rio do Rastro, em Santa Catarina. Este será o primeiro de muitos encontros que vão colocar nossa região no mapa mundial do motociclismo.”
MT Motocycle Week – Chapada dos Guimarães/MT
📅 30 de abril a 2 de maio de 2026
🎸 Shows nacionais e regionais, área de camping, boi no rolete e exposição de motos customizadas
Colaborou Luiz Henrique Menezes
AGRO & NEGÓCIOS
Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade
Published
2 dias atráson
11 de junho de 2026By
Da Redação
Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.

fAdilson Muziwane/Paula Boaventura
A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.
O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.

“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.
A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.
por Luiz Henrique Menezes
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