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Principal porta de acesso de Mato Grosso, empreendimento está autorizado a operar voos comerciais internacionais

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A Centro-Oeste Airports (COA) concluiu o processo de internacionalização do Aeroporto Internacional de Cuiabá – Marechal Rondon, localizado em Várzea Grande (MT). Com a publicação da Portaria da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) nº 15.900, de 29 de novembro de 2024, no Diário Oficial da União desta terça-feira (03), o empreendimento recebe autorização para operar voos comerciais internacionais, incluindo serviços aéreos regulares e não regulares, charter de passageiros, de carga e mala postal, bem como serviços de táxi-aéreo, aviação geral e privada.

Para obter a internacionalização, a COA cumpriu as exigências da Polícia Federal, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da Receita Federal, construindo novas estruturas para atender as demandas dos órgãos e adequando as áreas de embarque e desembarque e a área do processo de inspeção, inclusive com a aquisição de novos equipamentos. As melhorias fizeram parte do processo de modernização e ampliação do aeroporto, que recebeu investimentos totais de cerca de R$ 280 milhões. Com as adequações necessárias e a anuência dos envolvidos, as informações foram enviadas à ANAC na última quarta-feira (27), em processo aprovado e concluído com a publicação da portaria.

Sobre a novidade, Marco Antônio Migliorini, diretor-presidente da Centro-Oeste Airports, comenta: “É um momento muito importante para a economia, o turismo e toda a população de Mato Grosso. Trabalhamos intensamente para tornar o Aeroporto Internacional de Cuiabá mais confortável, seguro e eficiente, o que se concretizou com a conclusão das obras de ampliação e modernização e a consequente elevação da satisfação do público, que nos colocou como o quarto melhor aeroporto do País. Agora, com a anuência dos órgãos competentes, estamos prontos para receber voos internacionais, expandindo as possibilidades de conexão desse importante estado com diversos países do mundo”.

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O novo Aeroporto Internacional de Cuiabá – Marechal Rondon

Entregue reformulado no início de 2024 – e oficialmente inaugurado em julho com a presença do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva; do Ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho; do Ministro dos Transportes, Renan Filho; do Ministro da Agricultura, Carlos Fávaro; do Ministro da Casa Civil, Rui Costa, do Governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, entre outras autoridades municipais, estaduais e federais –, o terminal de passageiros foi completamente modernizado e ampliado em todos os setores, com destaque para as áreas de embarque e saguão, que tiveram aumento de 50% em seu espaço físico. A sala de embarque aumentou cerca de 39%, enquanto o saguão de embarque teve incremento de espaço de 21%. Já o embarque remoto cresceu aproximadamente 48%. Além disso, o empreendimento recebeu um novo mix comercial muito mais extenso, expandindo as opções de compras e serviços aos passageiros. E o resultado foi imediato: atualmente, o Aeroporto Internacional de Cuiabá ocupa a quarta colocação na lista dos mais bem avaliados do Brasil em pesquisa feita pelo Ministério de Portos e Aeroportos.

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“Com o término das obras, a implementação de uma robusta lista de novidades e todas as adequações necessárias para a internacionalização, a Centro-Oeste Airports celebra os resultados conquistados até aqui e continua trabalhando para entregar um aeroporto cada dia melhor. Ao oferecer uma estrutura completamente requalificada, disponibilizamos as condições necessárias para que as companhias aéreas possam expandir a oferta de destinos dentro e fora do País”, encerra Migliorini.

Sobre a Centro-Oeste Airports (COA)

A Centro-Oeste Airports (COA) administra quatro aeroportos em Mato Grosso: Aeroporto Internacional de Cuiabá – Marechal Rondon, Aeroporto de Sinop – Presidente João Batista Figueiredo, Aeroporto de Rondonópolis – Maestro Marinho Franco e Aeroporto de Alta Floresta – Piloto Osvaldo Marques Dias. A concessionária é formada pelo grupo Socicam, empresa com 52 anos de atuação, líder em infraestrutura de mobilidade no Brasil, especialista na criação de soluções para gestão de aeroportos, portos, terminais urbanos e rodoviários, e a Sinart, empresa fundada há mais de 40 anos, com ampla experiência na gestão de aeroportos, terminais rodoviários, estacionamentos públicos e privados, empreendimentos de hotelaria, entre outras operações.

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AGRO & NEGÓCIOS

Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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