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Curso de Segurança na Aplicação de Agrotóxicos é realizado em Jaciara pelo Sindicato Rural e Senar-MT

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O Sindicato Rural de Jaciara, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT), promoveu entre os dias 3 e 5 de fevereiro o curso NR 31.7: Segurança na Aplicação de Agrotóxicos. A capacitação reuniu trabalhadores rurais e profissionais interessados no setor agropecuário, abordando temas fundamentais para a segurança e a saúde no trabalho com defensivos agrícolas.

 A engenheira agrônoma e especialista em Segurança do Trabalho, mestre em Prevenção de Riscos Ambientais, Valéria Costa, explicou a relevância do curso e os principais conteúdos abordados durante a formação.

 “Neste evento sobre a NR 31.7, discutimos aspectos importantes da legislação sobre agrotóxicos, medidas de proteção à vida e à saúde dos trabalhadores que lidam com esses produtos, além da identificação de sinais e sintomas de intoxicação. Também abordamos o uso correto dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI), a vestimenta adequada para a aplicação de agrotóxicos, a higienização dos EPIs, o armazenamento correto de embalagens cheias e vazias e a legislação sobre a destinação final dessas embalagens. Todos esses conhecimentos são fundamentais para garantir a segurança no campo e a preservação do meio ambiente”, destacou Valéria.

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 Entre os participantes do curso estava Wesley Rodrigues, que atualmente trabalha em uma empresa do setor alimentício, mas busca aprimoramento profissional para atuar na área agropecuária.

 “Esse curso foi uma grande oportunidade para aprender mais sobre as técnicas de segurança na aplicação de agrotóxicos. O mercado de trabalho abre portas para quem está qualificado, e essa capacitação me permite buscar novas oportunidades no setor. Agradeço ao Sindicato Rural de Jaciara e ao Senar-MT por essa iniciativa”, afirmou Wesley.

 A presidente do Sindicato Rural de Jaciara, Juliana Bortolini, enfatizou a importância da qualificação para suprir a demanda por mão de obra no setor agrícola.

 “O agronegócio precisa de profissionais capacitados, e esse curso é uma excelente oportunidade para preparar trabalhadores para o campo. Nossa missão é apoiar a formação e o crescimento da mão de obra rural, garantindo mais segurança e eficiência na atividade agrícola”, ressaltou Juliana.

 A mobilizadora Andrea Nascimento também destacou o impacto positivo do curso na vida dos participantes.

 “Essa capacitação viabiliza novas oportunidades para pais de família que buscam se recolocar no mercado de trabalho ou ingressar em um novo ramo profissional. Nosso objetivo é levar conhecimento e qualificação para quem precisa, abrindo caminhos para um futuro melhor”, disse Andrea.

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 O curso NR 31.7: Segurança na Aplicação de Agrotóxicos faz parte das ações do Senar-MT em parceria com sindicatos rurais, promovendo a qualificação de trabalhadores do campo e contribuindo para a segurança e a sustentabilidade da produção agrícola.

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AGRO & NEGÓCIOS

Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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