CUIABÁ

CULTURA

2º Festival TÁ NA RUA.

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O Segundo Festival TÁ NA RUA, acontece nestes dias 10 e 11 de dezembro na praça Dona Dorinha, no bairro Jardim Industriário I, em Cuiabá. Evento aberto e gratuito para todas as idades.

No sábado (10), a diversão fica por conta do “Cirquinho de Estórias” da Cia “Aqueles Dois”. E no domingo (11), o anfitrião, idealizador e realizador do projeto, Altiery Dallys, se apresenta com o espetáculo circense “De Pai Pra Filho”, espetáculo este, que faz parte do repertório do Grupo LimAcs, do qual o ator é diretor.

O espetáculo “Cirquinho de Estórias”, tem em sua essência o despertar da imaginação e da criatividade do público, em sua maioria crianças. Mas os adultos não ficam de fora, e certamente embarcam também nesse mundo lúdico do circo. Tudo, sob a regência dos palhaços contadores Pelota e Palmitão, que com suas histórias, jogos circenses e muito rasqueado, prometem encantar e divertir o público.

De Pai Pra Filho, é um espetáculo que foi criado no ápice da pandemia, e conta a experiência de um pai que para enfrentar os desafios da rotina do isolamento, resolve atender a um pedido do filho, que motivado pela profissão do pai, também quer ser palhaço. Trata-se da história real vivida pelo ator Altiery e seu filho João Orlando de 8 anos. A apresentação conta com números circenses de acrobacia, malabares e muita emoção.

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Assim como na primeira edição do Festival Tá Na Rua, o artista conta apenas com o apoio de alguns comerciantes local, artistas, amigos e moradores. Dallys lembra, que mesmo que seja um evento gratuito e aberto ao público, conta com toda ajuda na divulgação do espetáculo, doações para o projeto também serão bem-vindas. Importante frisar, que se trata de iniciativa própria, por isso quem puder contribuir com o projeto, ou para maiores informações, podem entrar em contato com o artista pelo celular (65) 99947-5586. Divulgue, compartilhe, comente, principalmente em rede social dos moradores da região. Mas, o mais importante é sua presença, para prestigiar e abrilhantar ainda mais estes dois dias de festival.

Segundo o Altiery, “O Festival Tá Na Rua surgiu da vontade de fazer a arte teatral e o circense chegar até a periferia”. Altiery Dallys é ator e produtor, morou no Jardim Industriário II durante toda sua infância e juventude, atualmente mora no Nova esperança III e sentiu a necessidade de retribuir a esta região com o que faz de melhor, que levar alegria ao público com as suas apresentações circenses.

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Portanto anote na sua agenda: Nos dias 10 e 11 de dezembro de 2022, a partir das 19:00horas, na praça Dona Dorinha no bairro Jardim Industriário I, você e sua família tem um encontro marcado com a alegria. Pode chegar e ficar à vontade, afinal de contas, a praça é pública, e o público é você.

Por: Demetrinho Arruda

Ficha Técnica “ CIRQUINHO DE ESTÓRIAS”

Dramaturgia, direção e encenação: Umberto Lima

Palhaço convidado: Eduardo Muxfeldt

Tempo de apresentação: 30 minutos

Público-alvo: Todas as idades

Ficha Técnica “ DE PAI PRA FILHO”

Dramaturgia, direção e encenação: ALTIERY DALLYS

Tempo de apresentação: 30 minutos

Público-alvo: Todas as idades

SERVIÇO:

O QUE: FESTIVAL TÁ NA RUA  DE TEATRO E CIRCO

QUANDO: 10,11 DE DEZEMBRO DE 2022 19:00Hs

ONDE: PRAÇA DONA DORINHA JD INDUSTRIARIO I, CUIABÁ/MT.

QUANTO: GRATUITO

MAIORES INFORMAÇÕES: 65. 99947 5586 ALTIERY DALLYS.

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AGRO & NEGÓCIOS

Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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