CUIABÁ

DUBAI EM ALERTA

Tensão no Oriente Médio: cuiabano relata incerteza e explosões durante férias em Dubai

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A saga dos cuiabanos em Dubai continua em meio à escalada de tensão após os recentes ataques atribuídos ao Irã na região. Em relato exclusivo enviado à nossa reportagem, o empresário cuiabano Roberto Albuquerque, que está em viagem com a família nos Emirados Árabes Unidos, descreve um cenário de incertezas, informações desencontradas e apreensão constante.

O navio MSC Euribia, onde cerca de cinco mil passageiros estão hospedados, permanece ancorado no Porto Rashid. Segundo Roberto, o cruzeiro foi oficialmente cancelado e não há qualquer previsão de partida.

“Previsão pro navio zarpar, zero. O cruzeiro foi cancelado. Ele só está aqui porque está hospedando a gente. Somos cinco mil pessoas e não tem para onde ir. E ele também não pode sair, porque correria risco”, relatou.

De acordo com o cuiabano, a própria companhia decidiu manter o navio ancorado por segurança e também por obrigação contratual com os passageiros. O abastecimento da embarcação continua sendo realizado, mas apenas para manutenção da estadia.

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Voos travados e filas invisíveis

A grande preocupação agora é o retorno ao Brasil. Passageiros foram orientados a encaminhar documentação para que a empresa intermediasse voos, mas tudo depende da liberação do espaço aéreo.

“A fila só vai andar quando o céu ficar liberado”, explicou.

Informações extraoficiais apontam que mais de 20 mil pessoas aguardam algum posicionamento no aeroporto de Dubai, considerado um dos maiores hubs aéreos do mundo, porta de conexão para voos com destino à China, Japão, Índia e diversos outros países.

Ao mesmo tempo, circulam vídeos mostrando o aeroporto aparentemente vazio, o que aumenta a sensação de desinformação.

“Se você fizer a conta, passa fácil de vinte mil pessoas. Esse aeroporto recebe avião do mundo inteiro. Vinte mil ali é brinquedo de criança.”

A recomendação oficial continua sendo permanecer no navio ou na região do porto. A saída não é proibida, mas é considerada uma decisão de risco pessoal. Roberto e a família decidiram sair para um passeio nesta segunda-feira, após três dias confinados na embarcação.


“A empresa recomenda não sair da área do porto. Não é proibido, senão seria cárcere privado. Mas quem sai assume o risco.”
Durante o período em que estiveram na cidade, entre 13h e 17h (horário local), o clima era de aparente normalidade nas ruas. No entanto, relatos de interceptações aéreas continuam.

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Um guia local contou que, na manhã desta segunda-feira, presenciou a interceptação de um drone próximo à própria residência.
“Ele ouviu a explosão e viu os destroços caindo do céu.”

Segundo Roberto, a defesa aérea de Dubai tem sido eficaz na neutralização de drones e mísseis. “Dubai não está atacando ninguém. Está só se defendendo. E a defesa está funcionando muito bem.”

Entre o turismo e o risco

O contraste é marcante: enquanto o navio mantém entretenimento para preservar a sensação de normalidade, o céu segue sob vigilância militar constante.
A família cuiabana decidiu “assumir o risco” para conhecer a cidade, afinal, a viagem havia sido planejada para isso.

“Viemos aqui pra isso. Então decidimos sair e fazer o passeio.”

Por enquanto, não há previsão de retorno. O cruzeiro está cancelado, o espaço aéreo segue instável e milhares de pessoas aguardam definições.

Enquanto isso, os relatos continuam chegando, e a tensão também.

Por Luiz Henrique Menezes

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AGRO & NEGÓCIOS

Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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