CUIABÁ

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A doação de 2kg de alimentos não perecíveis, exceto sal, dá direito a cupom para sorteio de iPhones e motocicletas 

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O Serviço Social do Comércio (Sesc-MT), estará presente mais uma vez na Feira Industrial, Comercial e Agropecuária de Mato Grosso (57ª Expoagro) com o projeto ‘Sesc Mesa Brasil’, de 11 a 20 de julho. Durante os dias de feira, o Centro de Eventos Senador Jonas Pinheiro será posto de arrecadação de alimentos não perecíveis, por meio do “ingresso solidário”.
A doação de 2kg de alimentos não perecíveis, exceto sal e dentro do prazo de validade, dará direito a um cupom para concorrer ao sorteio de iPhones e motocicletas, doados pelo Sindicato Rural de Cuiabá. A intenção é incentivar a solidariedade dos visitantes da feira e a participação deles na maior rede privada de apoio a famílias em situação de insegurança alimentar. O Sesc, ligado à CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), reforça essa conexão entre comércio e responsabilidade social.
O ingresso solidário garantirá meia-entrada em qualquer setor da feira, mesmo nos dias 12, 18 e 19, quando haverá shows musicais com cobrança de ingresso. Basta entregar os alimentos, junto com a comprovação da meia-entrada, na bilheteria da 57ª Expoagro, para retirar a pulseira de acesso.
A arrecadação se dará das 18h às 01h00 todos os dias.
Os sorteios também serão realizados diariamente, de 11 a 20 de julho, sendo que no dia 14, serão sorteados três iPhones e cinco motos. Nas demais datas, será sorteado um iPhone por dia.
Destinação das doações
Cerca de mil toneladas de alimentos foram doadas em 2024 pelo Sesc-MT, por meio do Sesc Mesa Brasil, alcançando 180 instituições sociais, sem fins lucrativos, que destinaram os alimentos às famílias em vulnerabilidade alimentar no estado. Somente na 56ª Expoagro, no ano passado, foram arrecadas 20 toneladas de alimentos não perecíveis.
O quantitativo de doações teve um aumento significativo, 20% em relação a 2023, e 47% a mais que em 2022. Os números refletem o fortalecimento das ações do projeto por meio do Sistema Comércio de Mato Grosso – Fecomércio, Sesc-MT e Senac-MT, com a realização de eventos, e através da mobilização de empresas, supermercados e outros parceiros.
Implantado há 21 anos em Mato Grosso, nas cidades de Cuiabá e Rondonópolis, o Sesc Mesa Brasil é a maior rede privada de bancos de alimentos da América Latina, que tem como objetivo minimizar o desperdício de alimentos e combater a fome no estado.
O Sesc Mesa Brasil atua na captação de alimentos, tanto industrializados quanto in natura que, embora ainda estejam em perfeitas condições para consumo, não estão para comercialização. Esses alimentos, então, são redistribuídos para instituições sociais que atendem famílias em situação de vulnerabilidade.

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AGRO & NEGÓCIOS

Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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