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Hospital Santa Rosa, em Cuiabá, oferece acompanhamento integrado e alerta para nova classificação da pressão como fator de risco cardiovascular

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A nova diretriz que reclassifica a pressão arterial de 120/80 mmHg como sinal de alerta, somada ao avanço da hipertensão no Brasil, tem impactado diretamente a rotina de acompanhamento em Mato Grosso, cenário em que o Hospital Santa Rosa, em Cuiabá, já atua com monitoramento contínuo e abordagem multidisciplinar para pacientes com risco cardiovascular.

A mudança, incorporada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia em 2025, coloca milhões de brasileiros em uma nova zona de atenção e reforça a necessidade de diagnóstico precoce e acompanhamento regular.

Antes considerada “normal”, a pressão de 12 por 8 agora passa a ser tratada como um alerta clínico. Segundo o cardiologista do Hospital Santa Rosa, Dr. Leandro Mandaloufas, a mudança tem base em evidências acumuladas ao longo dos anos.

“A partir de 120/80 mmHg já há aumento progressivo de risco cardiovascular. Eventos como infarto e AVC não começam apenas em 140/90. Intervir mais cedo reduz mortalidade ao longo da vida”, explica.

Na prática, o impacto é imediato no consultório. O que antes era uma liberação sem restrições passa a exigir orientação ativa. “Antes o paciente ouvia que estava normal e ia embora. Agora, ele passa a receber aconselhamento sobre dieta, peso, exercício e acompanhamento mais frequente. Não é, em geral, caso de medicação, mas de monitoramento mais rigoroso”, pontua.

Mesmo com maior acesso à informação, a hipertensão segue sendo tratada como um “perigo silencioso”. Isso porque, na maioria dos casos, não apresenta sintomas evidentes.

“A doença pode evoluir por anos sem sinais claros. Quando aparece, muitas vezes já causou danos. Soma-se a isso a baixa adesão a hábitos saudáveis e a sensação de que ‘não estou sentindo nada’”, afirma o médico.

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*Aumento de casos*

Dados nacionais reforçam o alerta. A prevalência da hipertensão no Brasil saltou de 22,6% em 2006 para quase 30% em 2024, acompanhando o crescimento da obesidade e do diabetes, conforme a pesquisa Vigitel 2025.

Entre os principais fatores estão mudanças no estilo de vida da população. “Sedentarismo, consumo elevado de ultraprocessados, excesso de sódio, obesidade crescente, álcool em excesso e privação de sono têm contribuído diretamente para esse cenário”, diz o cardiologista.

Além disso, fatores como estresse e noites mal dormidas também têm impacto direto na pressão arterial. “Ambos ativam o sistema nervoso simpático, com aumento de adrenalina e cortisol, o que leva à vasoconstrição e elevação da frequência cardíaca. Isso provoca picos de pressão e piora do controle crônico”, explica.
A nova meta para pacientes já diagnosticados também ficou mais rígida. “Para a maioria, o objetivo agora é manter a pressão abaixo de 130 por 80 mmHg, quando tolerado. Em alguns casos, como idosos frágeis, isso pode ser individualizado”, destaca.

As consequências da doença vão muito além do aumento da pressão. Entre os principais desdobramentos estão infarto, AVC, insuficiência cardíaca, doença renal crônica, perda de visão e até demência.

*Cenário mato-grossense*

Em Mato Grosso, algumas particularidades ajudam a explicar os desafios no controle da hipertensão. “Podemos apontar o maior consumo de carne com alto teor de sal, o calor intenso — que pode mascarar sintomas — e também a desigualdade de acesso ao acompanhamento contínuo”, afirma.

O médico destaca que, apesar do avanço da doença, a condição pode ser evitada ou até revertida em fases iniciais. “Com perda de peso, atividade física regular, redução de sal, melhora do sono e controle do estresse, é possível reduzir o risco e evitar a progressão para hipertensão.”

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O aumento de casos entre jovens também preocupa. “Há crescimento da hipertensão em faixas etárias mais baixas, muito relacionado ao sedentarismo precoce, obesidade infantil, excesso de telas e alimentação ultraprocessada”, alerta.

Segundo ele, a prevenção deve começar cedo. “Pais devem estimular atividade física, controlar a alimentação e evitar excesso de sal. Já os jovens adultos precisam manter peso saudável, dormir bem, evitar álcool em excesso e praticar exercícios regularmente.”

No atendimento aos pacientes, o Hospital Santa Rosa tem investido em um modelo integrado de cuidado. De acordo com o especialista, a unidade alia tecnologia diagnóstica a protocolos atualizados.

O Hospital Santa Rosa também conta com cardiologista disponível no Pronto Atendimento, o que permite uma avaliação imediata de pacientes com suspeita de alteração na pressão arterial ou risco cardiovascular. A presença do especialista desde o primeiro atendimento é um diferencial que contribui para decisões mais rápidas e seguras.

Além disso, a unidade dispõe de uma linha completa de cuidado cardiológico, que inclui atendimento ambulatorial, internação, UTI Cardíaca, serviço de hemodinâmica e exames especializados. A estrutura possibilita o acompanhamento integral do paciente, desde a prevenção até o tratamento de casos mais complexos.

“O hospital oferece acompanhamento multidisciplinar, com cardiologistas e apoio de outras áreas, além de monitorização da pressão e exames cardiológicos. Isso permite um controle mais preciso e melhora a adesão ao tratamento, reduzindo complicações a longo prazo”, finaliza.

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Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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