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Iniciativa inédita no Grupo Santa permite identificação imediata de pacientes com Transtorno do Espectro Autista e melhora acolhimento desde a triagem

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O Hospital Santa Rosa (HSR), em Cuiabá, passou a adotar pulseiras de identificação específicas para pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), com o objetivo de garantir um atendimento humanizado, ágil e adaptado às necessidades desse público. A unidade é a primeira do Grupo Santa a implementar a iniciativa, que já começa na triagem e se estende por toda a jornada do paciente dentro do hospital.

A medida busca aprimorar a comunicação entre as equipes assistenciais e proporcionar um cuidado individualizado, especialmente em um ambiente de alta demanda como o pronto atendimento. A identificação visual permite que todos os profissionais — desde a recepção até a equipe médica — reconheçam rapidamente a necessidade de uma abordagem diferenciada.


De acordo com o coordenador do Pronto Atendimento do Hospital Santa Rosa, Dr. Pedro Pigueira, a identificação precoce desses pacientes é essencial para garantir uma experiência menos estressante durante o atendimento.

“A identificação precoce do paciente com TEA permite um acolhimento humanizado e uma personalização do atendimento. São pacientes que têm necessidades específicas e que exigem uma abordagem diferenciada de toda a equipe, não apenas médica, mas também da enfermagem, recepção e demais profissionais envolvidos no cuidado”, explica.

*Atendimento adaptado e prevenção de crises*

A pulseira funciona como um instrumento de comunicação visual que auxilia a equipe multidisciplinar a antecipar e gerenciar possíveis crises sensoriais, comuns em pacientes com TEA.

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Na prática, isso permite ajustes no ambiente e no fluxo de atendimento, como a condução para espaços tranquilos, com menos estímulos sonoros e visuais, mesmo quando o caso não apresenta gravidade clínica imediata.

“A identificação facilita muito o cuidado. Conseguimos acolher o paciente rapidamente, direcionar para ambientes menos desafiadores e adaptar o atendimento de acordo com as necessidades individuais, o que faz toda a diferença para o paciente e seu acompanhante”, destaca o médico.

*Fluxo diferenciado desde a triagem*

A pulseira é disponibilizada já no momento da classificação de risco, mediante autodeclaração dos pais ou acompanhantes, sem necessidade de formulários ou burocracia adicional.

A iniciativa amplia um direito já garantido por lei, tornando o processo eficiente dentro da rotina hospitalar.

“Na prática, a identificação visual facilita para todos os profissionais, inclusive aqueles que não estão diretamente na assistência. Isso permite que o paciente seja reconhecido rapidamente e que o fluxo de atendimento seja ajustado de forma ágil e adequada”, afirma Dr. Pedro.

A equipe também flexibiliza alguns protocolos operacionais para garantir maior conforto ao paciente, respeitando suas particularidades comportamentais e sensoriais.

*Crescimento dos diagnósticos e necessidade de adaptação*

A iniciativa acompanha um cenário de aumento no número de diagnósticos de TEA. Dados recentes indicam que o transtorno está presente em cerca de 1,2% da população brasileira, o equivalente a aproximadamente 2,4 milhões de pessoas.

Esse crescimento tem exigido adaptações nos serviços de saúde, especialmente no atendimento de urgência e emergência, onde o ambiente pode ser mais desafiador.

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“No pronto atendimento, lidamos com um fluxo muito alto e diferentes níveis de prioridade. A pulseira surgiu justamente da necessidade de melhorar o acolhimento desses pacientes, que muitas vezes chegam mais agitados ou sensíveis ao ambiente hospitalar”, explica o coordenador.

*Capacitação e olhar humanizado*

A implementação da pulseira também foi acompanhada por um processo de orientação das equipes, com foco na identificação correta dos pacientes e na condução humanizada do atendimento.

No Hospital Santa Rosa, a abordagem considera as diferentes formas de manifestação do transtorno, respeitando o grau de suporte necessário em cada caso.

“Cada paciente com TEA tem um perfil diferente. Alguns são mais sensíveis ao ambiente, outros são mais independentes. Por isso, o atendimento precisa ser individualizado. A identificação por pulseira permite que a equipe tenha esse olhar atento desde o início”, pontua o médico.

*Impacto na experiência do paciente*

A expectativa é que a iniciativa contribua para tornar a experiência hospitalar leve para pacientes com TEA e seus familiares, e qualificar o atendimento prestado pela unidade.

“A adoção da pulseira reforça o nosso compromisso com a segurança e o conforto do paciente, a inclusão e a humanização do cuidado, consolidando o Hospital Santa Rosa como referência também em práticas assistenciais centradas no paciente”, conclui o Dr. Pedro Pigueira.

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ARTIGO & OPINIÃO

TDAH nas Escolas: Estratégias Eficazes para a Alfabetização e a Aprendizagem

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Luciana Brites, Doutoranda em Ciências do Desenvolvimento Humano e Mestra em Distúrbios do Desenvolvimento

O Dia Mundial de Conscientização do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), em 13 de julho, destaca a importância da informação, do enfrentamento aos estigmas e da garantia de diagnóstico e tratamento adequados, com atenção especial aos desafios vividos por crianças e adolescentes na escola.

O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta 5% das crianças em idade escolar. Caracteriza-se por desatenção, hiperatividade e impulsividade, fatores que impactam a aprendizagem e a alfabetização. Porém, o transtorno não impede que a criança tenha uma trajetória escolar e social plena ao receber acompanhamento adequado.

É importante explicar que o TDAH não se manifesta de forma única. O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) descreve três apresentações. A com predominância desatenta, a predominantemente hiperativa-impulsiva e a combinada, que reúne as duas. Essa distinção tem efeito direto na alfabetização.

Na apresentação desatenta, a criança se perde no meio da tarefa, esquece o que estava lendo e tem dificuldade em sustentar o foco em atividades que exigem esforço contínuo. Já na hiperativa-impulsiva, o obstáculo aparece na impulsividade, pois a criança tende a adivinhar palavras em vez de decodificá-las, escreve de forma apressada e abandona a atividade antes de concluí-la. Na combinada, os dois conjuntos se somam. Reconhecer qual apresentação predomina ajuda o professor a ajustar as estratégias, em vez de tratar todas as crianças com TDAH da mesma maneira.

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É mito afirmar que crianças com TDAH são menos inteligentes. Com diagnóstico precoce, apoio multidisciplinar e estratégias pedagógicas eficazes, elas podem apresentar inteligência dentro ou acima da média. O acompanhamento pode envolver psicopedagogos, psicólogos, fonoaudiólogos e outros profissionais, de acordo com as necessidades individuais.

Em sala de aula, é importante que os professores observem sinais como dificuldade em manter a atenção por longos períodos, impaciência, esquecimento de materiais, distração frequente e excesso de movimentos.

Na alfabetização, as principais dificuldades estão relacionadas à atenção, à memória, à autorregulação emocional e comportamental, à baixa motivação em tarefas repetitivas e, em alguns casos, à presença de comorbidades, como dislexia ou Transtorno Opositivo Desafiador (TOD). Diferentemente dos transtornos de linguagem, no TDAH o principal obstáculo está na manutenção do foco.

Para favorecer a aprendizagem, recomenda-se propor uma tarefa por vez, oferecer tempo extra para a execução, reduzir estímulos distratores e utilizar recursos visuais claros e objetivos. Estratégias práticas do cotidiano e instruções diretas também contribuem.

As dificuldades na escrita são comuns e podem estar associadas à impulsividade, à atenção reduzida e à coordenação motora fina. Medidas eficazes em sala são priorizar a qualidade em vez da quantidade, dividir atividades em etapas menores, respeitar o ritmo da criança e permitir pausas frequentes. O uso de recursos visuais, jogos, tecnologia e reforço positivo fortalece a motivação.

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Lidar com o TDAH na alfabetização exige paciência, planejamento e empatia. Com adaptações simples e apoio adequado, é possível transformar desafios em oportunidades, promovendo aprendizado significativo e inclusão escolar.


(*) Luciana Brites é CEO do Instituto NeuroSaber, psicopedagoga, psicomotricista, Doutoranda em Ciências do Desenvolvimento Humano e Mestra em Distúrbios do Desenvolvimento pelo Mackenzie, palestrante e autora de livros sobre educação e transtornos de aprendizagem. Instituto NeuroSaber https://institutoneurosaber.com.br

 

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