CUIABÁ

SEBASTIÃO SALGADO

FÉ, IMAGEM E ESPERANÇA – UM LEGADO QUE ANUNCIA

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“Não tenho nenhuma pretensão de como serei lembrado. É minha vida que está nas

fotos e nada mais.” ( Sebastião Salgado)

A morte de Sebastião Salgado (+23 de maio 2025), aos 81 anos, encerra uma das mais

luminosas jornadas da fotografia contemporânea. Mas seu legado permanece vivo —

não apenas em livros e exposições, mas nas árvores que plantou, nos olhares que

revelou e nas consciências que despertou.

De Serra Pelada às profundezas da Amazônia, Salgado fotografou o ser humano em

seus extremos — a dor da migração, o peso do trabalho, a beleza das origens. Sua

missão foi mais que documental: foi espiritual. Ele usou a luz não só para capturar a

imagem, mas para revelar a alma do mundo.

Fotografia como instrumento da Doutrina Social da Igreja

A Doutrina Social da Igreja nos ensina que todo ser humano é imagem e semelhança de

Deus, e que a justiça social é um imperativo do Evangelho. A lente de Salgado se afinou

a essa doutrina: denunciou a desigualdade, exaltou a dignidade dos pobres, expôs a

exploração do trabalho e da terra. Suas séries fotográficas — como eu Êxodos,

Trabalhadores e Terra — são um testemunho vivo do princípio do bem comum, da

opção preferencial pelos pobres e do valor sagrado da vida humana.

A fotografia documental se torna ministério comunicador: não apenas informa, mas

forma; não apenas registra, mas transforma. A imagem se torna evangelho encarnado

nas dores e esperanças do povo. Sebastião Salgado fez da câmera um instrumento de

comunicação a serviço da dignidade humana — e suas imagens, mensagens visuais que

falam ao coração e à consciência.

Uma espiritualidade ecológica: da Serra Pelada à Laudato Si’

 

Ao longo de sua vida, Salgado passou de um documentarista do humano para um

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guardião da criação. Depois de décadas fotografando os efeitos da destruição social e

ambiental, voltou-se para a regeneração da vida e da Terra. A série Gênesis é um

verdadeiro cântico ao Criador. Um convite à contemplação da beleza original do

mundo. Sua obra mais recente, Amazônia, é uma exortação visual à conversão

ecológica. Os povos originários, as florestas intocadas, os rios serpenteando como veias

da Terra — tudo clama por cuidado, respeito e proteção.

Profundo conhecedor da Amazônia — onde viveu por sete anos em sua fase mais

recente —, Sebastião Salgado sempre defendeu a necessidade de conciliar

desenvolvimento econômico, justiça social e preservação ambiental. Em entrevistas e

palestras, reiterava que “a vida humana é muito frágil neste planeta”, e que cuidar da

Terra é cuidar de nós mesmos. Sua convivência com os povos originários e sua escuta

da floresta o tornaram não apenas um fotógrafo da Amazônia, mas um de seus maiores

comunicadores e defensores.Nesse ponto, sua obra se conecta profundamente com a encíclica Laudato Si’, do Papa

Francisco, que propõe uma ecologia integral, onde o grito da Terra e o grito dos pobres

se encontram. Sua sensibilidade fotográfica revela que a devastação ambiental é, antes

de tudo, uma crise espiritual. Cuidar da criação é também evangelizar.

“Querida Amazônia” e a missão de anunciar por imagens

No documento Querida Amazônia, Francisco sonha com uma Amazônia que preserve

sua beleza, seus povos e sua espiritualidade. Salgado, em sua obra homônima, retratou

esse sonho com imagens. Fotografias que são preces. Cenas que convidam ao silêncio, à

reverência, à defesa da Casa Comum. Ao documentar a floresta e seus guardiões,

Salgado fez da imagem uma forma de anúncio missionário. Sua arte se converteu em

resistência.

Evangelizar com a luz

A etimologia da palavra “fotografia” é reveladora: escrever com a luz. Salgado escreveu

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com a luz da justiça, da fé e da esperança. Sua arte ilumina realidades sombrias,

denuncia as trevas do mundo, mas também revela a luz escondida na humanidade. Seu

trabalho é profundamente evangelizador. Ele nos recorda que a imagem tem poder de

curar, de mobilizar, de transformar.

A Pastoral da Comunicação, hoje, é chamada a beber dessa fonte. A fotografia não é

mero adorno. É instrumento pastoral. É linguagem de Deus. A imagem evangeliza onde

a palavra não alcança. E quando bem utilizada, forma, comove, converte.

Memória viva de um grande comunicador

Sebastião Salgado deixa um legado que transcende a arte. Ele nos deixa um apelo: “Não

deixem de olhar”. Não deixemos de ver os invisíveis. Não deixemos de anunciar a

beleza da criação. Não deixemos de registrar a esperança que brota no chão seco das

dores humanas. Em tempos de superficialidade e pressa, suas imagens continuam sendo

pausas contemplativas, memoriais de fé e faróis de resistência.

Reconhecimentos e prêmios

Ao longo de sua carreira, Sebastião Salgado recebeu importantes prêmios internacionais

que atestam não apenas sua excelência técnica, mas o impacto social e ético de sua obra:

• Prêmio Príncipe de Astúrias das Artes (1998)

• World Press Photo – premiado por sete vezes

• Prêmio da Paz do Comércio Livreiro Alemão (2019)

• Praemium Imperiale do Japão (2021)

• Membro da Academia de Belas-Artes da França – desde 2016

Seus livros, exposições e projetos ambientais, como o Instituto Terra, consolidam sua

memória como um dos maiores comunicadores visuais do século, comprometido com a

beleza, a verdade e a justiça.“Comunicar é tocar o coração das pessoas. E o coração só se toca com

o coração.” ( Papa Francisco)

Fonte: Diácono Renan Dantas – Diocese de Juín

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ARTIGO & OPINIÃO

TDAH nas Escolas: Estratégias Eficazes para a Alfabetização e a Aprendizagem

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Luciana Brites, Doutoranda em Ciências do Desenvolvimento Humano e Mestra em Distúrbios do Desenvolvimento

O Dia Mundial de Conscientização do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), em 13 de julho, destaca a importância da informação, do enfrentamento aos estigmas e da garantia de diagnóstico e tratamento adequados, com atenção especial aos desafios vividos por crianças e adolescentes na escola.

O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta 5% das crianças em idade escolar. Caracteriza-se por desatenção, hiperatividade e impulsividade, fatores que impactam a aprendizagem e a alfabetização. Porém, o transtorno não impede que a criança tenha uma trajetória escolar e social plena ao receber acompanhamento adequado.

É importante explicar que o TDAH não se manifesta de forma única. O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) descreve três apresentações. A com predominância desatenta, a predominantemente hiperativa-impulsiva e a combinada, que reúne as duas. Essa distinção tem efeito direto na alfabetização.

Na apresentação desatenta, a criança se perde no meio da tarefa, esquece o que estava lendo e tem dificuldade em sustentar o foco em atividades que exigem esforço contínuo. Já na hiperativa-impulsiva, o obstáculo aparece na impulsividade, pois a criança tende a adivinhar palavras em vez de decodificá-las, escreve de forma apressada e abandona a atividade antes de concluí-la. Na combinada, os dois conjuntos se somam. Reconhecer qual apresentação predomina ajuda o professor a ajustar as estratégias, em vez de tratar todas as crianças com TDAH da mesma maneira.

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É mito afirmar que crianças com TDAH são menos inteligentes. Com diagnóstico precoce, apoio multidisciplinar e estratégias pedagógicas eficazes, elas podem apresentar inteligência dentro ou acima da média. O acompanhamento pode envolver psicopedagogos, psicólogos, fonoaudiólogos e outros profissionais, de acordo com as necessidades individuais.

Em sala de aula, é importante que os professores observem sinais como dificuldade em manter a atenção por longos períodos, impaciência, esquecimento de materiais, distração frequente e excesso de movimentos.

Na alfabetização, as principais dificuldades estão relacionadas à atenção, à memória, à autorregulação emocional e comportamental, à baixa motivação em tarefas repetitivas e, em alguns casos, à presença de comorbidades, como dislexia ou Transtorno Opositivo Desafiador (TOD). Diferentemente dos transtornos de linguagem, no TDAH o principal obstáculo está na manutenção do foco.

Para favorecer a aprendizagem, recomenda-se propor uma tarefa por vez, oferecer tempo extra para a execução, reduzir estímulos distratores e utilizar recursos visuais claros e objetivos. Estratégias práticas do cotidiano e instruções diretas também contribuem.

As dificuldades na escrita são comuns e podem estar associadas à impulsividade, à atenção reduzida e à coordenação motora fina. Medidas eficazes em sala são priorizar a qualidade em vez da quantidade, dividir atividades em etapas menores, respeitar o ritmo da criança e permitir pausas frequentes. O uso de recursos visuais, jogos, tecnologia e reforço positivo fortalece a motivação.

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Lidar com o TDAH na alfabetização exige paciência, planejamento e empatia. Com adaptações simples e apoio adequado, é possível transformar desafios em oportunidades, promovendo aprendizado significativo e inclusão escolar.


(*) Luciana Brites é CEO do Instituto NeuroSaber, psicopedagoga, psicomotricista, Doutoranda em Ciências do Desenvolvimento Humano e Mestra em Distúrbios do Desenvolvimento pelo Mackenzie, palestrante e autora de livros sobre educação e transtornos de aprendizagem. Instituto NeuroSaber https://institutoneurosaber.com.br

 

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