CUIABÁ

EDUCAÇÃO E CUIDADO

Entrega de kits pedagógicos e reencontro com idosos marcam visita à LBV

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A vereadora Katiuscia Manteli (PSB) participou da ação da campanha Educação Futuro no Presente e acompanhou o retorno dos idosos às atividades

Uma manhã de acolhimento, diálogo e compromisso com o futuro. Nesta sexta-feira (20), a vereadora Katiuscia Manteli participou da entrega de 120 kits de materiais pedagógicos da campanha Educação Futuro no Presente, destinados às 120 crianças e adolescentes atendidos pela instituição Legião da Boa Vontade (LBV), no bairro Dom Aquino, em Cuiabá.

A agenda começou com um momento especial de conversa com os idosos que retornaram às atividades neste início de ano. Em roda, eles compartilharam expectativas e receberam as boas-vindas das autoridades presentes.

Crianças e adolescentes, de 6 a 14 anos e 11 meses, participam das atividades socioeducativas oferecidas pela LBV. No turno da manhã, recebem almoço, e no período da tarde, jantar, uma rotina já consolidada que reforça o cuidado integral promovido pela instituição.

Durante a visita, a vereadora Katiuscia Manteli conversou de forma descontraída com os atendidos e destacou o esforço para ampliar parcerias. “Que delícia ver vocês aqui. Estavam com saudade de voltar, né? A gente vai fazer muita coisa legal para vocês. Hoje, trouxemos mais pessoas para conhecer o trabalho de vocês, porque sabemos o quanto esse espaço é importante. Fomos buscar mais parceiros para fortalecer ainda mais essa parceria”, disse ela ao incentivar o engajamento nas atividades.

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Ela relembrou que já participou de outras ações na instituição antes de assumir o mandato. “Nas outras vezes que eu estive aqui, eu não era vereadora. Hoje estou como vereadora, mas o carinho é o mesmo. E quanto mais representantes unidos, melhor para ampliar esse trabalho”.

Também estiveram presentes a vereadora Samantha Iris (PL), a secretária municipal da Mulher, Hadassah Suzannah, e a secretária municipal de Assistência Social, Hélida Vilela.

Samantha destacou a importância da educação e do cuidado com o material entregue. “Estudar pode mudar a vida de vocês. O que vocês fazem nessa idade faz diferença para sempre. Cuidem do material com carinho e aproveitem cada oportunidade”, afirmou.

O gestor social da LBV, Junio Alcântara, agradeceu o apoio do poder público e reforçou a importância da parceria. “Quero agradecer, em nome da LBV, por essa parceria tão importante. Esse prédio foi cedido pela prefeitura, e o sucesso desse atendimento é graças aos nossos parceiros, colaboradores e à rede de assistência que caminha conosco”, pontuou.

A visita também contou com a apresentação do espaço e reforçou a importância da atuação conjunta entre instituição e município para garantir atendimento de qualidade às famílias do bairro Dom Aquino.

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AGRO & NEGÓCIOS

Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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