CUIABÁ

OPINIÃO

Por Diogo Vogel | Eng. Eletricista  especialista em consultoria energética no Agronegócio

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Recentemente, a conta de energia elétrica ficou mais cara em Mato Grosso. Pode parecer pouco à primeira vista, com um aumento médio de 1,79%, mas para quem produz no campo ,  especialmente quem usa muita energia,  o impacto é muito maior. Os produtores rurais que muitas vezes fazem parte do grupo de classe A, tiveram um aumento de 5,42%.

Mesmo com um reajuste aparentemente modesto, o recente aumento nas tarifas de energia elétrica em Mato Grosso acende um sinal de alerta para todo o setor produtivo. No entanto, é o produtor rural quem sente com mais intensidade os reflexos dessa alta nos custos operacionais. A decisão da ANEEL, oficializada durante a 10ª Reunião Pública Ordinária, resultou em um impacto médio de 1,79% nas contas de luz dos consumidores do estado. O maior baque, porém, recaiu justamente sobre os consumidores de alta tensão,  categoria que inclui agroindústrias, fazendas de grande porte e propriedades rurais tecnificadas, onde o aumento chegou a expressivos 5,42%.

Para o produtor rural mato-grossense, este cenário é alarmante. Afinal, em um campo cada vez mais mecanizado e dependente de soluções tecnológicas, a energia elétrica deixou de ser um insumo secundário e passou a ocupar lugar de destaque entre os maiores custos da propriedade. Operações como por exemplo irrigação, armazenamento e beneficiamento, tudo isso demanda energia constante e de qualidade. Tendo como a energia elétrica um dos três maiores custos das propriedades, essa diferença pode significar a diferença entre o lucro e o prejuízo.

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É exatamente nesse contexto que a consultoria energética se torna mais do que uma alternativa: ela se consolida como uma estratégia fundamental para a sustentabilidade econômica do campo. Embora ainda exista certa resistência e desinformação sobre o tema, é preciso desfazer o mito de que a consultoria é um luxo restrito a grandes empresas. Pelo contrário: o produtor rural que busca orientação técnica se posiciona com vantagem no mercado, reduz desperdícios, ajusta o consumo à realidade tarifária, investe em soluções mais eficientes e se prepara para a transição rumo à autonomia energética.

Em muitos cenários, adequações simples na operação, ou nos contratos de energia trazem economias financeiras significativas para as propriedades, mesmo sem realizar investimentos como implementação de usinas solar fotovoltaica nas propriedades.

Apesar da Agência Nacional de Energia Elétrica  (ANEEL), acompanhar de perto os reajustes de , os efeitos práticos no dia a dia do produtor já são sentidos. Por isso, o momento exige mais do que resiliência: exige inteligência de gestão. No campo, economizar energia não é apenas apagar luzes ou desligar equipamentos. Trata-se de repensar processos, implementar tecnologias e planejar estrategicamente cada quilowatt consumido.

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Em tempos em que o aumento do custo da energia representa uma ameaça real à competitividade do setor agropecuário, o produtor que se antecipa, que busca conhecimento e que adota boas práticas de gestão energética, sai na frente. Ele não apenas protege sua produção das oscilações do mercado, mas também fortalece sua posição como agente inovador e resiliente dentro do agronegócio brasileiro.

Em um ambiente desafiador, onde os aumentos podem se tornar frequentes e a pressão por eficiência cresce a cada safra, quem investe em gestão energética sai na frente. Esse produtor protege sua produção, reduz custos e fortalece sua competitividade no mercado.

Ignorar o papel da consultoria energética hoje é um erro estratégico. Buscar apoio técnico é investir no presente e no futuro da propriedade rural, garantindo mais segurança, eficiência e sustentabilidade ao agronegócio mato-grossense.

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AGRO & NEGÓCIOS

Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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