CUIABÁ

ARTIGO DE OPINIÃO

A força do associativismo, o presente e futuro das carreiras de Estado

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Por Georgia Fajuri Gebara_

As transformações sociais das últimas décadas mudaram profundamente a forma como trabalhamos, nos relacionamos e participamos da vida pública. Em um ambiente marcado pela velocidade da informação e pela inovação tecnológica, as entidades associativas assumiram um papel ainda mais relevante na representação e no fortalecimento das carreiras de Estado.

O associativismo deixou de ser apenas um instrumento de defesa classista. Hoje, representa um espaço essencial de diálogo, desenvolvimento profissional e aperfeiçoamento institucional. É por meio dele que os profissionais compartilham experiências, constroem soluções e participam ativamente dos debates que impactam o presente e futuro da administração pública.

Nas carreiras jurídicas, essa atuação unificada tornou-se indispensável. Os desafios contemporâneos exigem atualização e capacidade de adaptação. Nenhuma categoria evolui de forma isolada, os avanços mais significativos nascem da união de pessoas comprometidas com objetivos comuns. Ao longo dos anos, a mobilização organizada garantiu conquistas históricas, como a valorização profissional, a defesa de prerrogativas e a ampliação dos espaços de debate.

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Contudo, o cenário atual impõe novas missões. As entidades precisam dialogar com uma geração de profissionais que exige transparência, proximidade e resultados concretos. É preciso ocupar os espaços onde as decisões acontecem, utilizar ferramentas digitais de comunicação e aproximar o associado do dia a dia da instituição.

Outro ponto crucial é a consolidação de uma cultura associativa permanente. Muitas vezes, a segurança das conquistas passadas faz com que se esqueça o esforço coletivo que foi necessário para alcançá-las. Fortalecer uma carreira exige envolvimento contínuo e o entendimento de que a representação é uma responsabilidade compartilhada.

A experiência demonstra que entidades fortes geram carreiras valorizadas e instituições preparadas para responder às demandas da sociedade. Em uma época de relações rápidas e individualizadas, o associativismo segue cumprindo sua missão mais fundamental, que é conectar pessoas, amplificar vozes e construir o futuro do serviço público com diálogo e compromisso.

_*Georgia Fajuri Gebara* é procuradora do Município de Cuiabá e presidente da União dos Procuradores do Município de Cuiabá (Uniproc)._

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ARTIGO & OPINIÃO

Trabalho está deixando muita gente doente — e a lei mudou para valer com isso

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Desde o fim de maio de 2026, passou a valer uma mudança que pouca gente notou, mas que pode mexer com a rotina de empresas e trabalhadores em todo o país: as empresas agora podem ser fiscalizadas, e multadas, se não cuidarem também da saúde mental de quem trabalha.

A novidade está na NR-1, a norma que organiza as regras de segurança e saúde no ambiente de trabalho. Até pouco tempo, “risco no trabalho” era associado a máquina sem proteção, produto químico, ruído, calor. Agora, a forma como o trabalho é organizado também entra nessa cont. É o que especialistas chamam de riscos psicossociais. Não é exagero dizer que essa é uma das mudanças mais relevantes na área de segurança do trabalho dos últimos anos, ainda que tenha passado quase em silêncio.

Na prática, cobrança de metas impossíveis, jornadas sem fim e sem pausa de verdade, pressão constante e clima pesado no ambiente de trabalho deixam de ser vistos como apenas “estresse do dia a dia” e passam a ser tratados como risco, algo que a empresa precisa identificar e tentar evitar, do mesmo jeito que já fazia com riscos físicos.

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Para as empresas, isso significa rever o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) e incluir esses fatores de forma real, olhando para a própria rotina, o setor de atuação e o perfil das equipes. Cada empresa precisa entender onde, de fato, estão os pontos de pressão dentro da sua operação.

Como advogada trabalhista, tenho visto cada vez mais casos de pessoas que adoeceram por causa do trabalho — ansiedade, depressão, esgotamento, o tal burnout. Até pouco tempo, esses casos costumavam ser tratados como problema pessoal de quem não aguentou a pressão. Com essa mudança na NR-1, existe agora uma base mais clara para discutir, inclusive na Justiça, se a empresa fez ou não a sua parte para evitar esse adoecimento.

No fim das contas, a mudança tende a ser boa para os dois lados: empresas que se organizam evitam multas, processos e perda de bons profissionais; trabalhadores ganham mais respaldo para buscar seus direitos quando o ambiente de trabalho passa do limite do razoável. É um tema que, cedo ou tarde, vai aparecer na rotina de qualquer empresa — e quanto antes for tratado com seriedade, menores os riscos para todos os envolvidos.

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Giselle Saggin – Advogada trabalhista (OAB/MT 14.129-A), com escritório em Cuiabá (MT) — Instagram: @gisellesaggin

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