CUIABÁ

TORCIDA SEGURA

Check-up anual ajuda a identificar riscos silenciosos e reforça a prevenção cardiovascular. Hospital Santa Rosa dispõe de Centro Especializado em Cardiologia

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Reunir a família, vestir a camisa, preparar a comida, acompanhar cada lance e comemorar os gols fazem parte da tradição dos brasileiros durante a Copa do Mundo. Mas, em meio ao clima de festa, alguns cuidados não podem ficar em segundo plano. A mudança de rotina, somada a noites mal dormidas, bebida alcoólica, alimentação pesada, cigarro e interrupção de medicamentos, pode sobrecarregar o organismo, especialmente em pessoas que já convivem com fatores de risco cardiovascular.

A orientação dos especialistas é para que a torcida seja vivida com equilíbrio, principalmente por quem tem hipertensão, diabetes, arritmias, colesterol alto, histórico de infarto, obesidade ou sedentarismo.

Segundo o cardiologista do Hospital Santa Rosa, Dr. Leandro Mandaloufas, a expressão “haja coração” tem fundamento do ponto de vista médico, porque momentos de grande emoção provocam respostas reais no corpo.

“Em momentos de grande emoção, o coração realmente trabalha mais. O corpo libera hormônios do estresse, como a adrenalina, que fazem o coração bater mais rápido e com mais força. Em pessoas saudáveis, isso costuma ser bem tolerado. Mas, em quem já tem alguma doença cardíaca, esse ‘esforço extra’ pode representar risco”, explica o médico.

Quando a pessoa fica ansiosa, nervosa ou muito tensa, o corpo entra em um estado de alerta. Nessa reação, há liberação de adrenalina e cortisol, aumento da frequência cardíaca, da pressão arterial e da respiração, além da contração dos vasos sanguíneos. De acordo com o cardiologista, esse mecanismo prepara o organismo para reagir rapidamente, mas também aumenta a carga sobre o sistema cardiovascular.

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Em Mato Grosso, o cuidado com a saúde do coração ganha ainda mais relevância diante do peso das doenças cardiovasculares na mortalidade. O estado registrou 5.277 mortes por doenças do aparelho circulatório em 2023, o que correspondeu a 24,22% do total de óbitos, conforme o Relatório Anual de Gestão da Secretaria de Estado de Saúde.

Para o Dr. Mandaloufas, pessoas com fatores de risco devem redobrar a atenção. Entram nesse grupo pessoas com hipertensão arterial, histórico de infarto ou doença coronariana, arritmias cardíacas, diabetes, colesterol alto, sedentarismo e obesidade.

“Esses grupos já têm maior risco cardiovascular, e situações de estresse intenso podem atuar como gatilho para eventos agudos”, destaca.

Hábitos adotados em períodos de confraternização também podem interferir diretamente na saúde. O consumo de bebida alcoólica, cigarro, alimentos gordurosos, poucas horas de sono e a suspensão de remédios de uso contínuo estão entre os principais pontos de atenção.

“O álcool pode alterar o ritmo cardíaco e aumentar a pressão. O cigarro prejudica a circulação e favorece eventos cardíacos. Alimentos gordurosos podem sobrecarregar o organismo. Dormir mal aumenta o estresse e a pressão arterial. Interromper medicamentos é especialmente perigoso e pode descompensar doenças já existentes”, pontua o médico.

*Quando o sintoma não é só nervosismo*

Em situações de ansiedade ou estresse, é comum que a pessoa sinta o coração acelerar ou perceba algum grau de nervosismo. No entanto, alguns sinais não devem ser atribuídos automaticamente à emoção do momento.

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Dor ou pressão no peito, falta de ar, tontura, desmaio, palpitações intensas ou irregulares, suor frio e náuseas associadas ao mal-estar exigem atenção. Segundo o cardiologista, esses sintomas podem indicar problemas cardíacos e precisam de avaliação médica imediata.

A recomendação é procurar atendimento quando o desconforto é persistente, intenso, aparece de forma repentina ou ocorre em pessoas que já possuem fatores de risco. A avaliação profissional é importante porque sintomas de ansiedade e alterações cardiovasculares podem se confundir.

*Prevenção deve vir antes da emergência*

A principal orientação é manter os cuidados de rotina em dia. Pessoas com fatores de risco, histórico familiar de doença cardíaca ou sintomas, mesmo leves, devem procurar avaliação cardiológica. O check-up também é recomendado de forma periódica a partir dos 40 anos, ou antes, conforme o risco individual.

“A prevenção é sempre o melhor caminho”, reforça o Dr. Mandaloufas.

No Hospital Santa Rosa, o atendimento cardiológico inclui consultas especializadas, exames diagnósticos como eletrocardiograma, ecocardiograma, teste ergométrico e monitorização por Holter, além de urgência e emergência cardiológica, acompanhamento de pacientes com doenças crônicas e orientação para controle de fatores de risco.

“Essa estrutura permite identificar precocemente problemas cardíacos, tratar adequadamente e acompanhar o paciente de forma contínua, promovendo mais segurança e qualidade de vida”, finaliza o médico.

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ARTIGO & OPINIÃO

Trabalho está deixando muita gente doente — e a lei mudou para valer com isso

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Desde o fim de maio de 2026, passou a valer uma mudança que pouca gente notou, mas que pode mexer com a rotina de empresas e trabalhadores em todo o país: as empresas agora podem ser fiscalizadas, e multadas, se não cuidarem também da saúde mental de quem trabalha.

A novidade está na NR-1, a norma que organiza as regras de segurança e saúde no ambiente de trabalho. Até pouco tempo, “risco no trabalho” era associado a máquina sem proteção, produto químico, ruído, calor. Agora, a forma como o trabalho é organizado também entra nessa cont. É o que especialistas chamam de riscos psicossociais. Não é exagero dizer que essa é uma das mudanças mais relevantes na área de segurança do trabalho dos últimos anos, ainda que tenha passado quase em silêncio.

Na prática, cobrança de metas impossíveis, jornadas sem fim e sem pausa de verdade, pressão constante e clima pesado no ambiente de trabalho deixam de ser vistos como apenas “estresse do dia a dia” e passam a ser tratados como risco, algo que a empresa precisa identificar e tentar evitar, do mesmo jeito que já fazia com riscos físicos.

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Para as empresas, isso significa rever o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) e incluir esses fatores de forma real, olhando para a própria rotina, o setor de atuação e o perfil das equipes. Cada empresa precisa entender onde, de fato, estão os pontos de pressão dentro da sua operação.

Como advogada trabalhista, tenho visto cada vez mais casos de pessoas que adoeceram por causa do trabalho — ansiedade, depressão, esgotamento, o tal burnout. Até pouco tempo, esses casos costumavam ser tratados como problema pessoal de quem não aguentou a pressão. Com essa mudança na NR-1, existe agora uma base mais clara para discutir, inclusive na Justiça, se a empresa fez ou não a sua parte para evitar esse adoecimento.

No fim das contas, a mudança tende a ser boa para os dois lados: empresas que se organizam evitam multas, processos e perda de bons profissionais; trabalhadores ganham mais respaldo para buscar seus direitos quando o ambiente de trabalho passa do limite do razoável. É um tema que, cedo ou tarde, vai aparecer na rotina de qualquer empresa — e quanto antes for tratado com seriedade, menores os riscos para todos os envolvidos.

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Giselle Saggin – Advogada trabalhista (OAB/MT 14.129-A), com escritório em Cuiabá (MT) — Instagram: @gisellesaggin

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