CUIABÁ

EXPOAGRO 2023

Mais de 30 mil pessoas conferiram a final neste ano, que ocorreu sábado (15) no Parque de Exposições Jonas Pinheiro

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Com o sucesso do Rodeio na Expoagro 2023, o Sindicato Rural de Cuiabá garantiu quatro dias de montaria na edição do ano que vem. O alto nível dos competidores e dos animais, além da receptividade do público, mostraram que há espaço para mais Rodeio em 2024.

A grande final ocorreu na noite de sábado (15), na arena do Parque de Exposições Jonas Pinheiro. Mais de 30 mil pessoas prestigiaram presencialmente as montarias, que começaram às 21h, com a entrada dos dez peões disputando o título. Os cinco finalistas fizeram uma disputa que acabou por dar a vitória ao rondoniense Alisson Trindade, de 21 anos.

Alisson se emancipou aos 16 anos para competir profissionalmente. Agora, já soma onze títulos de campeão. “Foi muito gratificante vir para a capital de Mato Grosso e representar Rondônia, e ainda mais sair com o título de campeão, com o primeiro carro da minha carreira. É um sonho realizado”, disse.

Foto: Divulgação Expoagro
O pódio do rodeio da Expoagro 2023 ficou assim: em 1° lugar, Alisson Trindade RO) ganhou um Renault Kwid 0 Km; no 2° lugar, Winícius Almeida (Dom Aquino/MT) levou para casa uma Biz 0 Km; no 3° lugar, Rodrigo Guedes (Tangará da Serra/MT) ganhou uma moto elétrica Scooter; o 4° colocado foi Heitor Carreira (Rio Verde/GO), que ganhou R$ 5 mil; já o 5° colocado foi Gessivaldo Souza (Dom Aquino/MT), que levou R$ 3 mil para casa.

As medalhas também foram entregues para o melhor touro, o ‘Sniper’, da Cia. Pai e Filha Aredio Vieira, de Tangará da Serra (MT), e a melhor boiada, para a Cia. É o Bicho, de Rômulo e Neguinho, de Rondonópolis (MT).

O rodeio também foi transmitido pelo YouTube, sendo visto por mais de 42 mil pessoas espalhadas pelo país e até fora dele.

“Fiquei muito contente com o Rodeio. Foi um sucesso. A premiação foi de alto nível, os profissionais eram muito bem qualificados, tivemos touros espetaculares e os peões já haviam sido campeões em vários lugares. Agradeço à Vânia, ao Zeca e a toda a equipe pelo trabalho incrível da JBR”, declarou o Celso Nogueira, presidente do Sindicato Rural de Cuiabá e organizador da Expoagro.

Neste ano, o evento teve três dias de Rodeio, tendo Esnar Ribeiro como comentarista e locutores de dentro e fora do estado. Para 2024, com a promessa de quatro dias de montaria, a intenção é que em dois dias a locução fique sob a responsabilidade de profissionais mato-grossenses, valorizando a chamada “prata da casa”.

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AGRO & NEGÓCIOS

Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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