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Sistema Famato marca presença na feira de negócios e tecnologia Parecis Superagro

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A feira de negócios e tecnologia Parecis SuperAgro realizou, na quarta-feira (10/04), a abertura oficial da sua 15° edição, no Parque de Exposições Odenir Ortolan, em Campo Novo do Parecis. O evento ampliou o espaço para expositores, vitrines tecnológicas e visitantes.

Durante a solenidade ,o superintendente do Senar-MT, José Luiz Fidelis, disse que a instituição estará sempre presente onde existe capacitação e novas tecnologias por ser o braço educacional do Sistema Famato. “Estamos trabalhando para oferecer melhorias e reformulação dos cursos ofertados sempre acompanhando as novas tecnologias de produção. Estamos desenvolvendo várias ações para implementar, a partir de julho deste ano, novos cursos para suprir a necessidade de mão de obra do produtor mato-grossense, especialmente com a chegada de outras tecnologias no campo”, explicou Fidelis.

O diretor administrativo e financeiro da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Robson Marques, pontuou o quanto é gratificante participar do evento representando mais de 33 mil produtores rurais por meio do Sistema Famato. A partir dessas feiras e do Sindicato Rural de Campo Novo do Parecis é possível fortalecer o desenvolvimento do setor produtivo, não apenas na região, mas em todo o estado.

“Esta exposição proporciona aos produtores a oportunidade de incorporar tecnologias que impulsionam sua produtividade em futuras safras, promovendo o emprego local. Ao trabalhar em conjunto com essas inovações, eles poderão não apenas aumentar a eficiência, mas também gerar mais oportunidades de emprego em suas propriedades. Essa sinergia entre o homem do campo, o comércio e a indústria não só impulsionará a produtividade, mas também fomentará o desenvolvimento econômico do município e da região como um todo”, complementou Robson.

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Voltada ao produtor rural, a feira conta com estande do Sistema Famato que inclui Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-MT), Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Agrihub e Sindicatos Rurais. No espaço estão sendo realizados atendimentos consultivos ao produtor e trabalhador rural. No estande ainda é realizada a Vitrine de Carnes.

O presidente do Sindicato Rural de Campo Novo do Parecis e organizador da Parecis SuperAgro, Bruno Giacomet, falou sobre a importância da parceria com o Sistema Famato e ressaltou que a edição deste ano comemora 15 anos. Ele também falou da programação de 2024 ter dado voz ao debate acerca da agroindústria e novas soluções de logística.

*Da assessoria do Senar-MT *

“Existem várias regiões do estado que estão se destacando no agro e o nosso chapadão é uma delas. Nossa responsabilidade é muito grande, além de fazer a nossa parte dentro das fazendas temos que incentivar os projetos públicos para impulsionar o agro”, alertou Bruno. “É urgente pensar em soluções de logística e no que queremos para o agro nos próximos 15 anos”, acrescentou.

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No segundo dia Parecis SuperAgro, o superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Cleiton Gauer conduziu o painel “Infraestrutura e os Desafios dos grandes Volumes”, oportunidade em que destacou sobre a logística de desenvolvimento com o olhar para o contexto atual da produção agropecuária de Mato Grosso. De acordo com ele, em 2023 o estado produziu cerca de 100 milhões de toneladas de grãos entre soja, milho e algodão, a estimativa para os próximos 10 anos é que alcance 140 milhões de toneladas produzidas.

Tendo como proposta o “Futuro da Agricultura”, até o último dia serão realizadas rodadas de negócios, lançamento de maquinários e vitrines tecnológicas de áreas de plantio, estandes expositores e uma série de palestras técnicas.

Os 15 anos da feira também foram marcados com a homenagem aos ex-presidentes do Sindicato Rural de Campo Novo do Parecis, e que estiveram à frente da organização da feira, com a entrega do troféu Armando Brólio.

 

 No dia 11 de abril foi realizado o tradicional leilão. Na sexta (12/04), as palestras, “O que você precisa saber para defender o Agro”, com Caio Copolla; “Inovação: um caminho sem volta para o produtor rural”, com Paulo Ozaki e “O poder da Motivação”, com Cristiano Lopes.

Da assessoria de imprensa do Senar-MT

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AGRO & NEGÓCIOS

Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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