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Dr. Gimenez reconhece trabalho e dedicação de mais de 80 cidadãos em Mato Grosso

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Dr. Gimenez, natural do estado de São Paulo, recebeu título de cidadão mato-grossense em 2018

Foto: ANGELO VARELA / ALMT

Produtores rurais, servidores públicos, religiosos, industriais, profissionais liberais, empreendedores, pessoas que de alguma forma contribuíram para o desenvolvimento social e econômico de Mato Grosso foram homenageadas pelo deputado estadual Dr. Gimenez (PSD) na noite desta sexta-feira (25). A sessão especial foi realizada no Plenário das Deliberações da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e reuniu também representantes de cinco entidades que foram reconhecidas como de utilidade pública.

Autor dos requerimentos, aprovados pelos demais parlamentares, o deputado Dr. Gimenez também veio de outro estado, em 1977. Natural de José Bonifácio, interior de São Paulo, Dr. Gimenez chegou em São José dos Quatro Marcos a passeio e nunca mais foi embora. Médico pediatra, ele era o único profissional no município, o que fez com que fixasse residência na região. “Um dia escutei que, desde que cheguei, os atestados de óbitos para crianças deixaram de ser emitidos. Foi então que decidi que ali era o meu lugar”, relembra o deputado.

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Com base na própria experiência, Dr. Gimenez realizou a sessão de homenagens como forma de agradecer a uma parte dos cidadãos que deixou sua terra natal para contribuir com Mato Grosso. Como é o caso do fisioterapeuta Paulo César Maruiama, que veio em 1995 para o estado a convite de alguns colegas com o objetivo de estruturar o setor de fisioterapia intensiva de um hospital na Capital. Depois disso, foi para São José dos Quatro Marcos onde possui uma clínica de reabilitação. 

“Fiquei muito feliz com esta homenagem. Pensei em quantas pessoas estão aqui há mais tempo do que eu, com trabalhos relevantes para a sociedade, mas que ainda não tiveram a oportunidade de receber esse reconhecimento. É por isso que não estou aqui, não só pela minha história, mas por todos que de alguma maneira contribuem com o dia a dia de Mato Grosso”, declarou Paulo Maruiama.

Presidente da Fiemt, Gustavo de Oliveira, também recebeu título de cidadão mato-grossense nesta sexta-feira (25)

Foto: ANGELO VARELA / ALMT

Quem também recebeu título de cidadão mato-grossense foi o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso (Fiemt), Gustavo de Oliveira. Natural do Rio de Janeiro, Oliveira lembrou que a avó é mato-grossense e que é motivo de orgulho para sua família ter raízes no estado. 

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“Foi uma feliz coincidência receber esse título no dia em que a Fiemt completa 47 anos de existência e juntamente com a notícia de que as indústrias de Mato Grosso foram as mais cresceram no país. Tenho muito carinho e gratidão por este título”, afirmou Gustavo de Oliveira.

A noite também foi de homenagens a servidores da área da segurança pública. Delegados, investigadores e policiais receberam moção de aplausos do Dr. Gimenez, como o delegado Edson Pick. “É um prazer ver nosso trabalho sendo reconhecido. Foram três anos de dedicação e muito trabalho na região de fronteira do estado, atendendo e instruindo a população e hoje recebo uma moção por isso”, agradeceu o delegado Pick, que atualmente está da 2ª Delegacia de Cuiabá.

Com relação às entidades que receberam reconhecimento como de utilidade pública, ao todo foram cinco Câmaras de Dirigentes Lojistas (CDL) que poderão continuar representando o setor de comércio e serviços em seus municípios.

Fonte: ALMT

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Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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