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Programa documental “Elas tomam partido” estreou hoje (9) na TV Assembleia

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Foto: Ronaldo Mazza

Está no ar o primeiro episódio do programa “Elas tomam partido”, novo produto documental da TV Assembleia de Mato Grosso. Na estreia, o foco é o movimento sufragista e a conquista do voto feminino, mas também são apresentados os primeiros avanços alcançados pelas mulheres, inclusive na Constituição Federal de 1988. Entre as entrevistadas estão a vereadora Edna Sampaio e a ex-vice-prefeita Jacy Proença. Assista aqui a esse episódio.

“A ideia de trabalhar esses assuntos surgiu no início do ano, a intenção era falar sobre a importância da representatividade feminina usando mulheres mato-grossenses como exemplo, de uma forma diferente, uma linguagem mais simples, diferente do padrão reportagem. Pensamos no formato do programa, divididos por temas e tempo médio de 25 minutos”, explica editora de imagens Vivianne Marques, uma das idealizadoras do programa.

O “Elas tomam partido” terá mais dois episódios, que estreiam nas próximas quartas-feiras deste mês de novembro. O segundo irá ao ar no dia 16 e discutirá representatividade feminina na política e os desafios enfrentados pelas mulheres nesses espaços. A deputada estadual Janaina Riva é uma das entrevistadas. No dia 23, irá ao ar o terceiro programa, que revelará a participação de mulheres mato-grossenses na construção da Lei Maria da Penha e o pioneirismo do Judiciário do estado na aplicação da norma. São entrevistadas a juíza Amini Haddad Campos e a promotora Lindinalva Rodrigues Corrêa, além da ex-senadora Serys Slhessarenko. 

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Responsável pela apresentação e roteiro, a jornalista Priscila Almeida conta que ao começar a pesquisa para o programa foi descobrindo a participação de mulheres do estado na luta por direitos. “Foi uma surpresa para mim, que não sou de Mato Grosso, mas penso que muita gente daqui também não sabe do papel das mulheres mato-grossenses na evolução dos nossos direitos. Por exemplo, [a cidade] Rosário Oeste já estava muito evoluída na discussão do direito ao voto feminino e Cuiabá foi e ainda é uma referência na aplicação da Lei Maria da Penha. As mulheres em Mato Grosso foram e continuam muito atuantes”, destacou.

Segundo o superintendente da TV Assembleia, Jaime Neto, a emissora tem trabalhado para fazer materiais mais aprofundados, além do jornalismo diário. “O formato desse programa em três episódios foi uma forma nova que encontramos para explorar um tema. Nesse material há muitas mulheres falando, relatando fatos da sua vida, da sua atuação, mostra vários campos de atuação dessas entrevistadas”, resumiu. “Estamos sempre procurando pegar vários temas da sociedade para criar material um pouco mais denso, justamente por se tratar de uma emissora pública”, concluiu Neto. O material produzido pela TV AL teve apoio da Gerência de Publicidade e Marketing da Secretaria de Comunicação, que fez a identidade visual do projeto. 

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Os programas serão exibidos às 8h nos dias 9, 16 e 23 deste mês, com reprise às 12h30 e às 20h30. Os capítulos são exibidos novamente na quinta (10, 17, 24) e na sexta (11, 18, 25) nos três horários, salvo se houver transmissão ao vivo no horário. A íntegra dos programas também ficará disponível no Youtube neste link

Fonte: ALMT

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Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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