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MORFOLOGIA

Passaporte para a Morfologia teve dobradinha de criatório gaúcho que levou os dois grandes campeonatos no evento

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Em pleno desenvolvimento, localizado no centro do Estado mato-grossense, o jovem município de Sorriso, já detém o forte título de Capital Nacional do Agronegócio. Neste cenário, o Cavalo Crioulo estreou no sábado, 13 de abril,  na pista do Rancho Fundo, onde o Núcleo de Criadores de Cavalos Crioulos Integração Norte Mato Grosso, promoveu a Primeira Exposição Passaporte rumo à Final da Morfologia Expointer 2024, promovida pela Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC), e que ocorrerá na Expointer, em Esteio (RS), no final de agosto.  Entre a potencialidade agropecuária, a raça Crioula avança a toda pata, afirmação disso, foram os 40 exemplares participantes, sendo 33 confirmados e sete incentivos.

Sorriso celebrou além da união entre a diversidade regional, mas também a família e amigos. Acostumados a conversar sobre bons cavalos antes mesmo de entrarem em pista, o exemplo foi provado dentro e fora da pista, onde a dupla de irmãos Leonardo e Rodrigo Teixeira, respectivamente atuando como jurado oficial e supervisor técnico do evento, estiveram juntos nas funções pela primeira vez. “Fiquei muito feliz por ter vindo aqui conhecer o Mato Grosso, parabenizar a todos pela recepção. É sempre muito bom conhecermos gente nova e novos lugares, ver cavalos bons que é o que gostamos. A gente saiu de casa, deixa nossas famílias com o único propósito: ajudar a melhorar cada vez mais a raça crioula, coisa que eu e assim como vocês sou apaixonado”, disse Leonardo, durante o agradecimento final.

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Em uma categoria de peso neste Passaporte de Sorriso, ponteando entre as fêmeas, RE Tortolita–TE, “A égua mais bem apresentada nesta mostra com certeza” destacou o jurado Leonardo Teixeira ao comentar a fila das quatro Passaporteadas. “Cavalo muito bem aprumado, boa estrutura, boas linhas com muito selo racial”, enfatizou o jurado sobre o Grande Campeão, RE Saturno–TE. Ambos exemplares são filhos de JA Manda Chuva, principal garanhão da Estância Liberdade, em mãe JA Capitu (Mãe Fêmea) e VV Lua (Mãe Macho), de titularidade de Evaldo francisco da Rosa, Rolante, Rio Grande do Sul,

Confira os Classificados

FÊMEAS

MELHOR EXEMPLAR DA RAÇA E GRANDE CAMPEÃ
RE TORTOLITA-TE
CRIADOR EVALDO FRANCISCO DA ROSA, EXPOSITOR EVALDO FRANCISCO DA ROSA, ESTABELECIMENTO EST NCIA LIBERDADE, ROLANTE (RS)

RESERVADA GRANDE CAMPEÃ
FARANDOLA DE LAS BUENAS
CRIADOR LUIS CARLOS KOCZKODAY, EXPOSITOR LUIS CARLOS KOCZKODAY, ESTABELECIMENTO CABANHA CRIOULOS DE LOS BUENOS, SÃO FRANCISCO DE PAULA (RS)

TERCEIRA MELHOR FÊMEA
RE SACRAMENTADA
CRIADOR EVALDO FRANCISCO DA ROSA, EXPOSITOR EVALDO FRANCISCO DA ROSA, ESTABELECIMENTO EST NCIA LIBERDADE, ROLANTE (RS)

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QUARTA MELHOR FÊMEA
CATARINA DO PASSO DA LAGE
CRIADOR DIEGO COURTES LUTZKY, EXPOSITOR DIEGO COURTES LUTZKY, ESTABELECIMENTO AGROPECUÁRIA COXILHA GRANDE, TUPANCIRETÃ (RS)

MACHOS

GRANDE CAMPEÃO
RE SATURNO-TE
CRIADOR EVALDO FRANCISCO DA ROSA, EXPOSITOR EVALDO FRANCISCO DA ROSA, ESTABELECIMENTO EST NCIA LIBERDADE, ROLANTE (RS)

RESERVADO GRANDE CAMPEÃO
GALO DE BRIGA 404 DA MACENA
CRIADOR JOSÉ ATÍLIO MARCANTONIO MURICY, EXPOSITOR FABRÍCIO FUHR, ESTABELECIMENTO CABANHA DA MACENA, VACARIA (RS)

TERCEIRO MELHOR MACHO
HERODES DA GAP SÃO PEDRO
CRIADOR EDUARDO MACEDO LINHARES, EXPOSITOR ALISON BRITO FEITOSA

QUARTO MELHOR MACHO
GUARDA FOGO DE LOS BUENOS
CRIADOR LUIS CARLOS KOCZKODAY, EXPOSITOR LUIS CARLOS KOCZKODAY, ESTABELECIMENTO CABANHA CRIOULOS DE LOS BUENOS, SÃO FRANCISCO DE PAULA (RS)

Fotos: Fagner Almeida/Divulgação
Texto: Redação ABCCC

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AGRO & NEGÓCIOS

Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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