AGRO
Feira que abre o calendário de eventos no interior paulista é uma das maiores vitrines de tecnologia do Vale Paranapanema
Os produtores do Vale Paranapanema, importante polo agrícola do interior paulista, se preparam para a 16ª edição da Coopershow. A feira, que é considerada a principal vitrine de tecnologia da região, organizada pela Coopermota, acontece de 25 a 27 de janeiro, em Cândido Mota/SP. Além das tecnologias voltadas para as atividades relacionadas com os grãos em geral, o evento leva aos visitantes uma série de inovações e conta com a presença de empresas de máquinas, equipamentos e de prestação de serviços relacionadas ao campo.
Uma das empresas que participará da mostra é a Lindsay, multinacional que atua na fabricação e distribuição de pivôs centrais, laterais e soluções de tecnologia de irrigação, representada pelas marcas Zimmatic™ e FieldNET™. Segundo Jesley Henrique Carriel de Jesus, diretor da Carriel, empresa especializada em implantação de sistemas de irrigação, parceira da Lindsay, o produtor que visitar o estande da companhia na feira, vai encontrar muita inovação e tecnologia sobre irrigação. “Estamos com tudo pronto, teremos um equipamento em exposição e vamos levar a nossa parte técnica de projetos e também a solução ambiental juntamente com parceiros”, diz
Tecnologia sem fio
Durante a feira, o visitante poderá conferir o portfólio completo da Lindsay e suas tecnologias para irrigação, compostos por produtos resistentes e confiáveis e que têm a sustentabilidade como um de seus principais pilares. Além disso, possibilitam ao produtor irrigar qualquer plantação, em vários tipos de terreno e solo para aumentar a produtividade e utilizar melhor os recursos naturais.
Umas das soluções é o consagrado FieldNET, a tecnologia de gerenciamento sem fio totalmente integrada, detentora de diversos prêmios internacionais e que permite a visualização e controle de seus sistemas de qualquer lugar. “A Lindsay oferece tecnologias e produtos inovadores, que facilitem a vida de seus clientes, proporcionando economia em sua cadeia e o FieldNET é uma dessas soluções”, diz o especialista.
A partir de um acesso remoto, seja por smartphone ou tablet, a ferramenta possibilita a criação de planos de irrigação de taxa variável, que define paradas e movimentos, crie relatórios de uso, monitore o desempenho e os ganhos em toda a sua operação e ainda passa atualizações e alertas em tempo real. Além disso, o produtor tem acesso à pressão, vazão, nível de água e potência que geram grande impacto na redução do uso da energia e menor desgaste dos equipamentos. Juntamente a isso, reduz o uso de produtos químicos e escoamento superficial, garantindo uma aplicação precisa.
Região promissora
Segundo o diretor da Carriel, o Oeste Paulista é uma região promissora para o crescimento da agricultura, e a irrigação é uma ferramenta que pode acelerar esse cenário de forma eficiente e sustentável. “A região de Assis tem muita área para expandir, é um local onde os próprios produtores estão procurando terra, para crescer, por isso tem um potencial gigantesco”, destaca.
Ainda de acordo com o profissional, a irrigação é uma alternativa que pode gerar aos produtores locais uma segurança hídrica. “O agricultor precisa sempre fazer planejamento. Agora, por exemplo, estamos vivendo um período de muita chuva, a soja está maravilhosa, seja sequeiro ou irrigada, mas quando vem um ano atípico, quando não chove como nas últimas safras, essa perda é muito mais quantitativa do que no acerto e pode gerar inúmeros prejuízos”, acrescentou Jesus.
A feira
A Coopershow é realizada no Campo de Difusão de Tecnologia da Coopermota. A área utilizada está preparada para receber anualmente agricultores, pesquisadores e empresas fornecedoras para a apresentação de diversos trabalhos sobre milho, soja, mandioca, banana, cana-de-açúcar, trigo, adubação verde, dentre outros, bem como controle de ervas daninhas, técnicas de manejo pós-colheita, análise de nutrição de plantas, controle de pragas emergentes, rotação de culturas, entre outras atividades. Por meio dessas iniciativas a comissão organizadora da feira afirma cumprir o propósito de transferência de tecnologia para os agricultores e ainda oferecer oportunidades para que eles possam diversificar cultivos em suas propriedades, com atividades que garantam boa rentabilidade.
Em 2022, a cooperativa retomou a realização do evento presencial, depois de ter a edição de 2021 cancelada devido a pandemia Covid-19. Houve a presença de aproximadamente 9 mil participantes.
Sobre – A Lindsay América do Sul é o escritório local da americana Lindsay Corporation., com escritório em Campinas (SP) e fábrica em Mogi Mirim (SP) – Brasil. A empresa produz uma linha completa de sistemas de irrigação, representada pelas marcas Zimmatic™ e FieldNET™. Com sistemas de irrigação operando em mais de 90 países, a Lindsay atua na fabricação e distribuição de pivôs centrais, laterais e soluções de tecnologia de irrigação há mais de 55 anos, e tem sede global em Omaha, no estado do Nebraska, EUA. www.lindsay.com.br.
AGRO & NEGÓCIOS
Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade
Published
3 semanas atráson
11 de junho de 2026By
Da Redação
Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.

fAdilson Muziwane/Paula Boaventura
A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.
O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.

“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.
A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.
por Luiz Henrique Menezes
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