CUIABÁ

Custo invisível

Da manutenção das máquinas ao planejamento das operações, veja o que pode elevar o custo por hectare no campo

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Em um momento de custos elevados e maior pressão sobre as margens, olhar para dentro da operação agrícola é tão importante quanto acompanhar os preços das commodities. Parte dos gastos do campo, no entanto, não aparece de forma evidente na planilha do produtor. Consumo excessivo de combustível, sobreposição de operações, regulagens inadequadas, manutenção fora do prazo e períodos de máquina parada que, somados, podem comprometer a eficiência e o resultado da safra.

Para ajudar o produtor a identificar esses custos e encontrar oportunidades de melhoria, Lucas Zanetti, gerente de Marketing de Produtos Massey Ferguson, destaca seis pontos que merecem atenção no planejamento e acompanhamento das operações agrícolas:

 

  1. Consumo de combustível

O combustível está entre os principais custos relacionados à operação de máquinas, e seu consumo pode variar de acordo com fatores como velocidade de trabalho, condições do solo, dimensionamento dos implementos, carga do moto e manutenção.

Uma máquina trabalhando fora da faixa adequada ou com componentes desgastados pode demandar mais esforço para realizar a mesma atividade, aumentando o consumo.

Acompanhar o consumo por operação e, sempre que possível, por hectare pode ajudar a identificar desvios e oportunidades de ajuste. A comparação entre diferentes áreas, atividades e períodos também permite entender quais condições estão associadas a um desempenho mais eficiente. Para máquinas que possuem gerenciamento de frota, como telemetria, esses dados podem contribuir para identificar erros operacionais ou de logística que resultam em um consumo de combustível acima do ideal.

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  1. Sobreposição de operações

Quando a máquina percorre novamente uma área que já recebeu determinada atividade, o produtor pode estar gastando combustível, insumos, mão de obra e horas de equipamento sem gerar um ganho proporcional.

Tecnologias de agricultura de precisão, orientação e automação ajudam a reduzir sobreposições e a melhorar o aproveitamento da área trabalhada. Recursos de orientação permitem conduzir a máquina com maior precisão, enquanto o controle de seções pode evitar a aplicação de insumos em áreas que já receberam o tratamento.

Mais do que contabilizar os hectares trabalhados, acompanhar a eficiência de cada atividade permite identificar onde existem perdas e oportunidades para utilizar melhor os recursos disponíveis.

  1. Regulagem dos equipamentos

Uma máquina corretamente regulada pode fazer diferença tanto na qualidade da operação quanto no aproveitamento dos recursos.

No plantio, por exemplo, profundidade, população e distribuição das sementes precisam estar de acordo com a cultura e as condições da área. Em outras operações, ajustes inadequados podem comprometer a aplicação de insumos, aumentar perdas ou exigir maior esforço do equipamento.

A regulagem deve ser realizada antes do início da operação e revisada sempre que houver mudança nas condições de trabalho, cultura ou implemento.

  1. Tempo de máquina parada

Uma quebra durante a safra pode representar muito mais do que o valor do reparo. O produtor também pode perder horas de trabalho, mão de obra e, principalmente, uma janela adequada para realizar determinada operação.

A manutenção preventiva deve ser considerada parte do planejamento da produção, e não apenas uma despesa. Antes de períodos críticos, a revisão dos principais componentes, a verificação de itens de desgaste e o planejamento das intervenções necessárias podem reduzir o risco de uma parada justamente quando a máquina é mais necessária.

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  1. Dados que não viram decisão

Saber quanto uma máquina trabalhou é apenas o primeiro passo. Informações sobre horas de operação, consumo, desempenho e produtividade podem ajudar o produtor a entender onde estão os principais custos e quais atividades apresentam maior ou menor eficiência.

Plataformas de gestão e conectividade permitem centralizar informações da operação e acompanhar dados da frota, apoiando o planejamento e a tomada de decisão.

O próximo passo é transformar esses dados em indicadores que possam ser acompanhados ao longo da safra. Saber quanto uma máquina consome, quanto tempo permanece efetivamente trabalhando e onde estão as principais paradas permite ao produtor enxergar custos que muitas vezes ficam diluídos na operação

  1. Custo por hectare

A análise da eficiência também pode ir além do gasto imediato. Para entender o desempenho de uma máquina, o produtor pode considerar o custo total da operação, que envolve fatores como combustível, manutenção, disponibilidade, produtividade e vida útil do equipamento.

“Em uma operação agrícola, eficiência não significa apenas fazer mais em menos tempo. Significa aproveitar melhor cada litro de combustível, cada hora de máquina e cada hectare trabalhado. Quando o produtor consegue identificar onde estão as perdas, passa a ter mais informações para tomar decisões e melhorar o resultado da operação”, reforça o especialista.

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AGRO & NEGÓCIOS

LUPPA abre inscrições para sexta edição e selecionará 10 cidades para fortalecer políticas públicas alimentares

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Estão abertas até 30 de outubro as inscrições para a sexta edição do Laboratório Urbano de Políticas Públicas Alimentares (LUPPA), iniciativa do Instituto Comida do Amanhã em parceria com o ICLEI América do Sul. Considerado o maior laboratório de políticas públicas alimentares do mundo, o programa selecionará até dez novas cidades brasileiras para apoiar no fortalecimento de políticas públicas voltadas à segurança alimentar e nutricional. Atualmente, o LUPPA reúne mais de 70 municípios em uma rede de aprendizagem, intercâmbio e cooperação técnica.

As cidades selecionadas participarão de uma jornada de aprendizagem e apoio técnico ao longo de 2027, com oficinas, seminários temáticos, ferramentas de diagnóstico, acesso a bases de dados e publicações técnicas, além de intercâmbio com outros municípios. A programação também inclui mentorias com cidades e instituições que já avançaram na construção de políticas alimentares e acompanhamento das equipes municipais durante a edição. O programa também prevê a elaboração de um “Projeto Âncora”, voltado à construção ou ao fortalecimento de uma ação da cidade relacionada ao sistema alimentar local.

Um dos principais momentos da programação será o LUPPA LAB, encontro nacional previsto para o primeiro semestre de 2027. A atividade terá duração de cinco dias e poderá reunir ações de compartilhamento de experiências, visitas técnicas, apoio metodológico, debates e dinâmicas facilitadas.

“Chegar à 6ª edição do LUPPA é uma oportunidade de seguir fortalecendo uma rede de municípios que reconhecem a importância de olhar para os sistemas alimentares de forma integrada e sistêmica. A cada edição, aprendemos com as diferentes realidades e experiências das cidades e aprimoramos nossa forma de apoiar a construção de políticas públicas mais articuladas, sustentáveis e conectadas às necessidades dos territórios. Esta edição é um convite para que mais municípios façam parte dessa construção coletiva e compartilhem conosco e entre si seus desafios, experiências e caminhos para transformar os sistemas alimentares locais”, comenta Maria Eduardo Lemos, analista de políticas públicas do Comida do Amanhã.

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A sexta edição dá continuidade ao trabalho desenvolvido pelo LUPPA desde 2021, aproximando municípios em diferentes estágios de desenvolvimento de suas políticas alimentares e fortalecendo a cooperação entre gestores públicos, instituições e organizações que atuam na área.

Diversidade territorial e atenção à Amazônia Legal

Como parte do compromisso com a diversidade territorial, o edital reserva 40% das vagas, ou seja, quatro das dez vagas previstas, para municípios da Amazônia Legal. A seleção também considera a diversidade territorial entre as cidades participantes e prevê como diferenciais municípios que possuam territórios de comunidades tradicionais, como quilombolas, indígenas e caiçaras.

A presença de cidades da Amazônia Legal está entre os objetivos do LUPPA para promover intercâmbio entre diferentes territórios e ampliar a participação de municípios com diferentes desafios e experiências relacionados aos sistemas alimentares.

“A diversidade da rede LUPPA e a conexão que ela possibilita aos participantes é um benefício enorme do programa – e sua longevidade atesta seu sucesso. Ao longo desses seis ciclos, o LUPPA vem promovendo inovação, intercâmbio e aprendizagem coletiva, aproximando municípios com diferentes realidades e experiências. Essa rede é fundamental para fortalecer políticas públicas mais resilientes, sustentáveis e conectadas aos territórios, ampliando a capacidade das cidades de enfrentar os desafios dos sistemas alimentares e construir soluções de forma colaborativa”, afirma Rodrigo Perpétuo, secretário-executivo do ICLEI América do Sul.

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De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) 2024, 24,2% dos domicílios brasileiros estavam em situação de insegurança alimentar, o equivalente a 18,9 milhões de domicílios. O percentual representa uma redução em relação aos 27,6% registrados em 2023.

Como participar

Para participar, é necessário preencher o formulário de inscrição e enviar uma carta de compromisso assinada pelo prefeito(a) ou vice-prefeito(a). A candidatura também deve indicar, no mínimo, dois pontos focais técnicos de secretarias municipais distintas, que tenham disponibilidade para acompanhar as atividades do LUPPA.

O município também deverá apresentar informações sobre a estrutura local dedicada às ações relacionadas aos sistemas alimentares, incluindo departamentos ou secretarias, equipes, orçamento anual e marcos legais ou planos de ação relacionados ao tema. O edital prevê ainda a indicação de uma representação da sociedade civil por meio de Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional ou estrutura equivalente.

As inscrições para novas cidades seguem abertas até 20 de outubro, às 23h59.  Mais informações e o edital completo estão disponíveis no link: https://bit.ly/EditalLUPPA6

 

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