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“GUERRA DAS FLORES” A batalha do bem, dos grupos folclóricos Flor Ribeirinha e Flor de Atalaia

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Seria de fato uma batalha? Não sei! Só sei que estão competindo e ganhando prêmios mundo afora…

O ano de 2022 está sendo bastante festivo para esses dois grupos conhecidos, em Mato Grosso, por representarem a nossa cultura raiz. Ambos campeões mundiais nesse ano: Um na Europa e o outro aqui mesmo, no Brasil.

Uma prévia da história do Flor Ribeirinha, grupo capitaneado pela nossa mais amada e estimada moradora e artesã do bairro São Gonçalo Beira Rio, Domingas Leonor da Silva.

O grupo teve sua primeira viagem além da costa brasileira em 2014, para a França, depois 2016 na Coréia onde teve seu primeiro título, conquistou o segundo lugar. Em 2017, foi campeão mundial na Turquia, daí veio a pandemia e os organizadores decidiram fazer de forma online. Novamente o Flor Ribeirinha ganhou o mundial e neste ano de 2022 se reafirmaram na liderança, após passar pela Eslovênia, Bulgária e Bélgica, sagram-se campeões mais uma vez conquistando o tricampeonato mundial de Dança Folclórica.

O grupo ainda está pela Europa se apresentando e devem retornar para o Brasil no próximo dia 1º de agosto. O Flor Ribeirinha também comemorou seu 29º aniversário, no último dia 25 de julho.

Agora vamos falar do Flor de Atalaia

Atalaia significa “Lugar Alto”. Também é nome do bairro em Cuiabá onde o grupo surgiu há oito anos e é capitaneado pela presidente e dançarina do grupo, Cristina Zuíta.

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Com realidades bem diferente do Flor Ribeirinha, mas não menos engajados na arte da representatividade cultural, o Flor de Atalaia vem competindo e buscando seu espaço através das danças folclóricas mato-grossenses. No dia 26 de julho de 2022, o grupo participou do Festival de Dança de Joinville (SC) e sagrou-se campeão na categoria Danças Populares Brasileiras, conquistando seu primeiro título mundial aqui mesmo, digamos em seu quintal, o Brasil. E bem ali, em Joinville (veja o vídeo).

Mas qual a história desse festival de dança brasileiro que tem fama e até registro no Guinness Book, como o maior do mundo nessa modalidade?

O Festival de Dança de Joinville é um festival que ocorre todos os anos, no mês de julho, na cidade de JoinvilleSanta Catarina. Foi criado em 1983 pelo professor de balé Carlos Tafur e a artista plástica Albertina Tuma e atualmente é considerado, pelo Livro Guinness dos Recordes, como o maior evento no mundo em número de participantes. São cerca de 4.500 bailarinos. Cada edição do festival dura em torno de duas semanas, geralmente nas duas últimas semanas de julho. Junto com o festival, vários outros eventos acontecem, como a  Feira da Sapatilha, o Encontro das Ruas, Rua da Dança, Palcos Abertos e Passarela da Dança.

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Agora uma curiosidade sobre esse título conquistado pelo Flor de Atalaia: O tricampeão mundial Flor Ribeirinha tentou,mas só conseguiu um terceiro lugar no ano de 2013.

Quanto a batalha, citada lá no início da matéria, podemos afirmar que é uma briga linda de se ver. Porque ambos desejam que nossa cultura vá além das fronteiras. Este bailado e gingado que só se vê por aqui, tem que ser admirado e respeitado sim!

As flores precisam voar cada vez mais alto e que cada uma levar suas cores e perfumes para que outros povos saibam que aqui tem cuiabania, tem raiz. Parabéns as nossas flores que buscam esse reconhecimento e preservam o que temos de mais belo. E elas que possam servir de incentivo a outros grupos que estão vindo aí. Vão à luta se inspirem, acreditem. Vamos exalar cultura. O importante é que a cultura cuiabana está sendo introduzida pelo mundo, conquistando corações, rompendo fronteiras e atraindo atenções para o que há de mais belo e tradicional da dança cultural mato-grossense. Nosso povo lindo e acolhedor e nosso cururu e siriri.

Por Saran News

 

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Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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