CUIABÁ

14º EDIÇÃO

Ação contou com atividades lúdicas, pedagógicas, palestras e premiações para estudantes de Nortelândia e Arenápolis

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A coordenadoria de Polícia Comunitária, da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SESP), realizou, nesta sexta-feira (01.12), a 14° edição do Projeto Comunidade Integrada, em Nortelândia (228,4 km de Cuiabá). A ação beneficiou cerca de 2,5 mil cidadãos com atividades lúdicas, pedagógicas, palestras e premiações para estudantes. A ação contou com a Secretaria Adjunta de Integração Operacional e faz parte do planejamento da Sesp.

O projeto foi recebido na Escola Municipal Emanuel Pinheiro em Nortelândia, das 07h às 13h, e contemplou os moradores de Nortelândia e Arenápolis (235 km de Cuiabá).

Ao todo, 56 profissionais da segurança marcam presença no evento, além da equipe organizadora local, composta pela Secretaria Municipal de Educação, Polícia Militar, e Conselho Comunitário de Segurança Pública de Nortelândia.

Durante o dia, foram apresentadas as unidades das forças de segurança, os seus equipamentos e os serviços que prestam à sociedade. Houve também exposição de viaturas e atividades de interação com os profissionais de segurança e o público.

O projeto organizou um ciclo de palestras com temáticas de interesse. O tema “Bullying e Conflitos” foi ministrado para crianças, “De Cara Limpa Contra as Drogas”, “Conduta Segura e Percepção dos Riscos no Trânsito” e “Violência: A Vida Pede Socorro” para adolescentes e jovens, “Violência Doméstica e Patrulha Maria da Penha” para mulheres jovens e adultas, e “Papo de Homem para Homem”, para adultos e jovens.

A comunidade escolar também recebeu atividades lúdicas envolvendo a policial canina Luna, do Grupo Especial de Fronteira (Gefron), e equoterapia, por meio do Regimento de Policiamento Montado (RPMONT). As mascotes Leãozinho, do Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd), e Bom Dog, da Polícia Civil (PJC), e embarcações, veículos e aeronaves também integraram as atividades com os estudantes.

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Além disso, durante a semana, estudantes de quatro escolas do município realizaram atividades pedagógicas de redação e desenho com o tema “Segurança Pública e Sociedade: Eu Cidadão Contribuindo Para Uma Segurança Pública Melhor”, valendo premiações durante a ação e no final do ano letivo. Parte dos prêmios já foram entregues aos vencedores, como um sobrevoo no helicóptero do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer).

O coordenador da Polícia Comunitária, tenente-coronel Sebastião Carlos, destacou a importância do evento para a comunidade e para ações futuras de segurança pública.

“O projeto objetiva essa aproximação da sociedade com os agentes de segurança pública, e propicia que ambos possam se conhecer melhor, discutir os problemas em conjunto e juntos buscarem uma solução para esses problemas. Também possibilita que as crianças,  adolescentes e jovens possam conhecer detalhes das profissões de segurança pública, despertar sua curiosidade e poder no futuro escolher esse caminho profissional. Além de buscar afastá-los de outros caminhos que em nada contribuirá para uma sociedade melhor”, afirmou.

Participaram da edição a Polícia Militar de MT, representada pelo Proerd, Patrulha Rural, Patrulha Maria da Penha, Força Tática do Comando Regional de Nova Mutum, Batalhão de Trânsito Urbano e Rodoviário (BPMTRAN), RPMONT, Batalhão de Polícia Militar de Proteção Ambiental (BPMPA) e Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (ROTAM). Pela Polícia Civil, por meio da Coordenadoria de Polícia Comunitária da PJC.

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Pelo Corpo de Bombeiros Militares com os militares do Comando Regional de Nova Mutum. A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) foi representada pela equipe de Cáceres, a Marinha do Brasil por militares da agência fluvial de Sinop, o Exército Brasileiro por militares do 44° Batalhão de Cuiabá, o Detran pela Ciretran de Nortelândia. Também estiveram presentes o programa Rede Cidadã, o Gefron e o Ciopaer.

Operação Policial

Como parte dessa ação, ocorreu durante a noite de quinta-feira (30.11) uma operação ostensiva das forças de segurança abrangendo, também, Nortelândia e Arenápolis. Cerca de 25 policiais trabalharam nas atividades, que tiveram início às 20h e seguiram até 23h.

A operação foi iniciada com o ponto demonstrativo, na praça Edgar de Araújo, em Nortelândia, e seguiu com rondas e abordagens envolvendo ambas as cidades, com policiamento ostensivo. A ação destaca a sua importância para demonstrar o trabalho e qualidade das forças de segurança em toda a região.

Participaram o Gefron, Polícias Militares de Nortelândia e Arenápolis, Proerd e Cavalaria de Cuiabá, BPMTRAN, Polícia Ambiental de Cáceres, e a força tática do 14º Comando Regional.

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CIDADES

O QUE ESTÁ POR TRÁS DA GUERRA POLÍTICA QUE CERCA WANDERLEY EM VG

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Presidente da Câmara registra ocorrência na Polícia Civil, pede auditoria após suspeita de acesso indevido aos sistemas do Legislativo e relata estar sendo seguido e recebendo informações sobre ameaças de morte. O caso ocorre em meio a uma das mais acirradas disputas políticas recentes de Várzea Grande.

O que começou como uma informação recebida por telefone transformou-se em caso de polícia e aumentou ainda mais a temperatura nos bastidores políticos de Várzea Grande.
O presidente da Câmara Municipal, Wanderley Cerqueira (MDB), tornou público um conjunto de episódios que, segundo ele, vem tirando seu sono e causando preocupação também entre seus familiares.
Wanderley afirma ter recebido a informação de que um servidor da própria Câmara teria repassado sua senha de acesso a terceiros e que um suposto hacker poderia ter entrado nos sistemas internos do Legislativo.
A informação teria chegado ao vereador no domingo, 30 de agosto.
Segundo Wanderley, junto com a informação sobre o possível acesso clandestino veio algo ainda mais preocupante: estaria sendo preparado um suposto “dossiê” contra ele, contendo acusações de desvio de aproximadamente R$ 1 milhão em contrato, nepotismo e outras irregularidades.
O presidente nega as acusações e afirma que determinou imediatamente uma auditoria.

O CASO VIROU BOLETIM DE OCORRÊNCIA

A existência do registro policial pode ser comprovada.
Documento obtido pelo SaranNews mostra que Wanderley Cerqueira compareceu à Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso e registrou o Boletim de Ocorrência nº 2026.294721, relacionado aos acontecimentos.
O BO foi registrado na 1ª Delegacia de Polícia – Centro de Várzea Grande e traz como data do fato 30 de agosto de 2026, às 14h, com comunicação formalizada em 3 de setembro.
Entre as naturezas registradas aparece a possível prática prevista no artigo 154-A do Código Penal, referente à invasão de dispositivo informático. O documento também registra ocorrência relacionada a abuso de autoridade.
Na narrativa apresentada à Polícia Civil, Wanderley informou que recebeu ligação relatando que um servidor da Câmara teria repassado sua senha de acesso aos sistemas internos a terceiros, que supostamente teriam utilizado meios informáticos ilícitos, inclusive acesso por hacker, com o objetivo de obter documentos e informações internas.

Há outro ponto particularmente importante no documento.

Segundo o relato formalizado no BO, esses documentos e informações poderiam estar sendo utilizados para elaboração e eventual divulgação de um suposto dossiê contendo acusações relacionadas a nepotismo, processos licitatórios e outros fatos que, segundo a versão apresentada pelo vereador, poderiam ser manipulados ou forjados para atingir sua imagem e reputação.
O BO registra ainda a informação de que Wanderley teria recebido notícia sobre possível participação de autoridades nesse esquema, algo que, neste momento, permanece apenas como relato do comunicante e precisa ser investigado.

POLÍCIA DEVERÁ APURAR ACESSOS E RESPONSABILIDADES

O próprio documento mostra que Wanderley solicitou providências bastante específicas.
Ele pediu levantamento e identificação dos acessos realizados aos sistemas da Câmara, incluindo, quando tecnicamente possível, data e horário, endereço IP, localização e outros dados técnicos, além da identificação dos responsáveis.
Também solicitou relatório dos servidores que possuem credenciais de acesso aos sistemas, identificação dos respectivos usuários, funções e níveis de permissão.
O registro ainda menciona pedido de apuração sobre a regularidade de procedimentos administrativos e contratos, especialmente os relacionados à área de Recursos Humanos, além da preservação de possíveis evidências digitais e documentais.
Ao final, o BO determina o encaminhamento do caso à 2ª Delegacia de Polícia Cristo Rei, em Várzea Grande.

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O registro policial comprova, portanto, que Wanderley formalizou as suspeitas perante a Polícia Civil.
Mas é fundamental fazer uma distinção: o boletim de ocorrência não comprova que houve invasão, que documentos tenham sido adulterados ou que exista uma organização atuando contra o vereador. Ele registra oficialmente as alegações apresentadas pelo comunicante, que agora dependem de

UM CARRO, SUPOSTA PLACA FRIA E MEDO DE MORRER

O problema, entretanto, segundo Wanderley, não estaria restrito ao mundo digital.
Durante seu pronunciamento, o vereador afirmou ter percebido um Volkswagen Polo de cor escura circulando repetidamente enquanto visitava o filho.
Depois, segundo ele, o mesmo automóvel teria aparecido nas proximidades da residência de sua mãe.
A equipe de segurança que acompanha o presidente teria fotografado o carro e levantado informações sobre a placa. Wanderley afirma ter consultado policiais e recebido a informação de que se trataria de uma “placa fria”.
Essa informação, até o momento, não aparece comprovada no BO disponibilizado ao SaranNews e, portanto, deve ser tratada como declaração do vereador.

Wanderley também afirmou ter recebido informações de que existiriam ameaças de morte contra ele.
“Eu tenho filhos, netos”, declarou ao revelar sua preocupação.
Ele diz andar acompanhado por profissionais de segurança, alguns deles policiais militares aposentados, e afirma que sua esposa também estaria evitando sair de casa diante da situação.

MAS POR QUE WANDERLEY ESTÁ NO CENTRO DESSA TEMPESTADE?

É aqui que o episódio deixa de ser apenas policial e passa a exigir uma análise política.
Wanderley Cerqueira não é apenas mais um vereador de Várzea Grande.
Ele é o presidente da Câmara Municipal e se transformou, nos últimos meses, em um dos principais personagens do confronto político envolvendo o Legislativo e a administração da prefeita Flávia Moretti (PL).
A relação entre os dois poderes deteriorou-se profundamente.
Moretti já acusou Wanderley de tentar chegar à Prefeitura pelo chamado “tapetão”, enquanto o presidente da Câmara passou a fazer duras cobranças à administração municipal.
A situação tornou-se ainda mais sensível depois da renúncia do vice-prefeito Tião da Zaeli.
Sem vice, o presidente da Câmara ganhou peso adicional na linha sucessória do município. Assim, qualquer discussão sobre eventual afastamento definitivo da prefeita passou inevitavelmente a envolver também o nome de Wanderley.
Isso elevou exponencialmente o valor político da Presidência da Câmara.

GAECO, MESA DIRETORA E OUTRA FRENTE DE INVESTIGAÇÃO

O ambiente ficou ainda mais pesado quando denúncias relacionadas aos bastidores da eleição da Mesa Diretora chegaram à esfera investigativa.
O Gaeco passou a apurar denúncias envolvendo episódios relacionados à eleição da direção da Câmara, e vereadores ligados ao grupo de Wanderley foram ouvidos.
As acusações divulgadas naquele contexto eram extremamente graves, mas precisam ser tratadas com cautela: investigação não significa culpa e denúncia não significa condenação.
O episódio, entretanto, colocou a Câmara de Várzea Grande e seu presidente definitivamente sob forte exposição política.

O DAE COLOCOU MAIS COMBUSTÍVEL NA FOGUEIRA

Outro capítulo importante envolve o Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE).
Recentemente, um vídeo envolvendo o vereador Rogerinho da Dakar (PSDB), ex-presidente da autarquia, manuseando dinheiro em espécie voltou ao centro das discussões.
O caso chegou à Câmara e Wanderley encaminhou documentação para análise da Comissão de Ética.
Na sessão de 1º de setembro, Wanderley e Rogerinho protagonizaram uma forte discussão.
Durante o embate, Wanderley levantou questionamentos sobre contrato existente durante a administração de Rogerinho no DAE. Rogerinho contestou as declarações e cobrou apresentação de documentos.

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Há uma coincidência cronológica que chama atenção.

Segundo o BO agora obtido pelo SaranNews, o fato que originou a denúncia sobre eventual acesso ao sistema da Câmara ocorreu em 30 de agosto.
Dois dias depois veio o confronto público envolvendo o DAE.
Não existe, até agora, elemento que permita afirmar que os episódios estejam relacionados.
Mas a proximidade temporal torna legítimo que os fatos sejam observados pelas autoridades durante a investigação.

PERSEGUIÇÃO POLÍTICA OU UMA DISPUTA QUE SAIU DO CONTROLE?

Essa talvez seja a pergunta mais importante.
Seria irresponsável afirmar, neste momento, que existe uma organização criminosa perseguindo Wanderley.
Mas também seria irresponsável ignorar que o presidente de um Poder municipal procurou formalmente a Polícia Civil, registrou ocorrência, pediu preservação de evidências digitais e afirma temer pela própria segurança.
Agora existem caminhos objetivos para descobrir a verdade.
Se houve invasão, os registros eletrônicos podem deixar rastros.
Se alguém utilizou credenciais de servidores, uma auditoria poderá apontar quando e como isso ocorreu.
Se documentos foram copiados ou adulterados, perícia poderá encontrar evidências.
Se houve utilização de placa falsa no veículo mencionado por Wanderley, a Polícia poderá investigar.
E se existe um dossiê, seu conteúdo poderá ser confrontado com contratos, licitações, empenhos, pagamentos, notas fiscais e demais documentos oficiais da Câmara.

DOCUMENTOS CONTRA NARRATIVAS

Durante seu pronunciamento, Wanderley insistiu várias vezes que não teme investigação.
Ele afirmou que a Câmara está aberta à Polícia, Ministério Público e Justiça e declarou que sua residência e empresas também podem ser investigadas.
O vereador também apresentou como argumento de austeridade a devolução de aproximadamente R$ 855 mil aos cofres públicos no encerramento do exercício anterior, além do pagamento de rescisões.
Esses valores, entretanto, devem ser analisados separadamente das acusações envolvendo o suposto dossiê. Devolver recursos economizados pelo Legislativo é informação relevante sobre a gestão orçamentária, mas não constitui, isoladamente, prova capaz de confirmar ou afastar outras acusações.

ONDE TERMINA A POLÍTICA E COMEÇA O CRIME?

O que está acontecendo em Várzea Grande parece ser resultado de uma sucessão de conflitos que foram se acumulando.
Wanderley preside a Câmara.
É um dos principais contrapontos políticos à prefeita.
Controla uma instituição fundamental para aprovação de projetos e fiscalização do Executivo.
Seu grupo atravessou uma turbulenta disputa pela Mesa Diretora.
Seu nome aparece constantemente no embate sobre a sucessão municipal.

A Câmara passou a analisar episódios envolvendo o DAE.

E agora o próprio presidente afirma que alguém pode ter tentado acessar ilegalmente os sistemas do Legislativo para obter ou manipular informações contra ele.
Pela primeira vez nessa nova etapa da crise, entretanto, há um documento policial que materializa oficialmente parte dessas alegações.
Isso não prova a existência da perseguição.
Mas significa que a história deixou de ser apenas uma declaração feita diante das câmeras e passou a exigir uma resposta das autoridades.
Se houve invasão, é preciso descobrir quem entrou.
Se houve manipulação, é preciso descobrir quem manipulou.
Se existe ameaça, é preciso descobrir quem ameaça.
E se existe um dossiê baseado em fatos verdadeiros, seus documentos também precisam ser apresentados e investigados.
Em uma cidade atravessada por uma guerra política cada vez mais intensa, talvez essa seja a pergunta que somente uma investigação independente poderá responder:

onde termina a disputa pelo poder e onde, eventualmente, começa o crime?

SaranNews, informação, análise e compromisso com os fatos.

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