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Câmara finaliza curso sobre combate à violência contra mulher nesta quarta (06) vídeo

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A Casa do Legislativo cuiabano finalizou na tarde desta quarta-feira (06), o primeiro curso voltado para o combate a violência doméstica desta gestão. A iniciativa partiu do presidente Chico 2000 (PL), após uma Audiência Pública em alusão ao Agosto Lilás, e sua vontade de capacitar cada vez mais os servidores para tratar de questões voltadas a violência doméstica. A ação foi feita em conjunto com as vereadoras Maysa Leão (Republicanos) e Michelly Alencar (UB).

Ao todo, os três dias de curso contaram com 15 horas de palestras e rodas de conversa e cerca de 8 convidados especiais que fizeram uso da palavra. Voltado para os servidores da Casa, o evento trouxe uma nova perspectiva sobre o tratamento, identificação e tipos de violência.

O primeiro dia teve a presença muito especial do advogado e professor Jonatas Peixoto, tratando sobre a abordagem legal das Leis de Proteção a Mulher, da Secretária Adjunta da Mulher da Prefeitura de Cuiabá, Elis Prates, falando sobre o Ciclo da Violência e por fim, da Tenente Cel. Vânia Rosa, da Patrulha Maria da Penha.

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Na terça, e segundo dia, a Câmara recebeu a Defensora Pública e Coordenadora do Núcleo de Defesa da Mulher de Cuiabá, Dra. Rosana Leite, abordando o tema Políticas Públicas de Defesa da Mulher e como ter acesso a elas. Seguindo o dia, o Dr. Professor Thiago Veras trouxe duas palestras sobre as formas de violência contra a mulher.

Nesta quarta-feira, o encerramento do curso recebeu a presidente da ONG Lírios, Maria Fernanda Figueiredo, que falou sobre a rede de acolhimento a meninas e mulheres em Várzea Grande. Ainda agradeceu a iniciativa da Câmara em falar sobre um tema tão sensível.

“Eu quero parabenizar a Câmara Municipal de Cuiabá por essa iniciativa grandiosa. Nós precisamos sim ter essas formações, porque o conhecimento liberta. Nós sabemos que nós precisamos muito do poder público e a Câmara está fazendo um excelente trabalho com isso. Fez toda a diferença. O movimento está contente com isso, porque a gente está de fato vendo um presidente atuante”, afirmou Maria Fernanda.

Logo em seguida, a advogada e professora Thaís Brazil teve a palavra, e conversou com os servidores sobre o pós-violência. Ela disse ainda da importância da ação da Casa, levando em consideração a responsabilidade da sociedade como um todo em combater a violência contra mulher.

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“Quando a gente fala sobre combater a violência contra a mulher, tem que ser objetivo de toda a sociedade. A Câmara não é só feita de vereadores e vereadoras. Todos os servidores e servidoras compõem e são agentes modificadores de toda a sociedade. Essa tem que ser uma pauta primordial para essa Casa”, finalizou a advogada.

Por fim, o evento se encerrou com uma palestra da Coordenadora do Espaço de Acolhimento no Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), Thayssa Ferraz.

As fotos dos três dias de curso estão disponíveis no Flickr da Câmara Municipal de Cuiabá.

SECOM – Câmara Municipal de Cuiabá

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AGRO & NEGÓCIOS

Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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