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“Diálogos sobre a Fome em Mato Grosso” reúne várias comunidades

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“As discussões têm que ser concretas e com respostas imediatas para garantia de alimentação e água potável às pessoas que estão em situação de rua”. O recado partiu do ativista em Direitos Humanos, padre Júlio Lancellotti, na abertura do evento “Cibus: Você tem fome de quê”, realizado nesta sexta-feira (18), no auditório da Procuradoria-Geral de Justiça, em Cuiabá. O evento conta com a participação de representantes de comunidades indígenas, pessoas em situação de rua, quilombolas, entre outras.

O padre, conhecido pelo seu trabalho junto a populações de ruas,  também cobrou a participação das pessoas que enfrentam o problema nas discussões. “É preciso sentar com eles para ter respostas. Que as pessoas em situação de rua possam ser ouvidas para construção de possibilidades de alimentação, de acesso a água potável e de superação de todo tipo de violência”, enfatizou Lancelloti, durante participação online.

O procurador-geral de Justiça, José Antônio Borges Pereira, destacou que a fome nunca deixou de existir no país, e que o problema foi agravado com a pandemia. “Uma andorinha só não faz verão, temos várias andorinhas aqui hoje. O Ministério Público não poderia manter distância desta questão, sob o risco de não cumprir a sua missão na defesa da sociedade”, afirmou.

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Borges lembrou que apesar de Mato Grosso ocupar posições de destaque na produção de milho, arroz, soja, feijão, mais de 100 mil famílias passam fome. “Sabemos do problema e o Ministério Público quer ajudar a resolvê-lo. Esta é uma situação complexa que passa pela valorização dos pequenos produtores e implementação de políticas de estado, independente de governo”, resumiu.

O coordenador do Centro de Apoio Operacional Direitos Humanos, Diversidade e Segurança Alimentar, promotor de Justiça Henrique Schneider Neto, ressaltou a importância da discussão. “Hoje é um dia muito especial. A temática da segurança alimentar entrou nos espectros das missões mais relevantes do Ministério Público. Vivemos um novo tempo, nova era que reproduz a vontade do legislador da Constituição de 1988”, enfatizou.

Fome de quê? –  Moradora de rua por 20 anos e hoje coordenadora estadual do Movimento Nacional de População em Situação de Rua, Rúbia Cristina de Jesus Silva ressalta que “essas pessoas têm fome de moradia, oportunidade de emprego e reconhecimento”. 

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O presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Neurilan Fraga, destacou que tem fome de políticas públicas que gere emprego e não apenas distribuição de cestas básicas.“Em Mato Grosso mais de 30 municípios perdem parte da sua população por ano devido à falta de oportunidades. Por outro lado, temos municípios prósperos que são verdadeiras califórnias regionais”, ressaltou o presidente da AMM.

A secretária-adjunta estadual de Cidadania, Rosi Porcionato, reforçou que plano de segurança alimentar precisa ser construído com diversas mãos para alcançar soluções efetivas. Disse que em razão da pandemia a quantidade de pessoas em insegurança alimentar triplicou no estado. “É um tema complexo. A equipe de Segurança Alimentar e da Cidadania está à disposição para construir esse plano, com a oportunização de emprego, qualificação e não apenas comida”.

Fonte: MP MT

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CIDADES

Cartilha “Torcida Fica Esperta” é lançada em Cuiabá para promover paz e cidadania nos estádios

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Na manhã desta quinta-feira (21), o auditório da Escola Estadual Militar Dom Pedro II (antigo Médici), em Cuiabá, foi palco do lançamento da cartilha “Torcida Fica Esperta”, uma iniciativa do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) em parceria com os humoristas Nico e Lau. Voltado para estudantes e torcedores, o material busca conscientizar sobre direitos e deveres previstos na Lei Geral do Esporte (Lei nº 14.597/2023), promovendo respeito, segurança e harmonia nas arenas esportivas.

Arte, humor e cidadania

A cartilha é ilustrada com personagens da dupla Nico e Lau, que assumem diferentes papéis para explicar, de forma lúdica e acessível, os principais pontos da legislação esportiva. Para o ator J. Astrevo (Lau), o projeto ganha força justamente por dialogar com os jovens:

“A lei trata de direitos e deveres do torcedor, como a segurança, a compra antecipada de ingressos e o combate a crimes como o racismo. É fundamental levar esse debate à juventude, que representa a nova geração de torcedores, para que aprendam a viver a emoção do futebol de forma pacífica.”

Seu parceiro, Lioniê Vitório (Nico), destacou que o humor tem papel pedagógico:

“O trabalho gráfico do designer Rick Milp trouxe uma linguagem leve e clara. Isso ajuda torcedores e torcedoras a compreenderem melhor seus deveres e direitos, principalmente em tempos de intolerância nos estádios.”

O olhar das instituições

Para o promotor de Justiça André Luiz de Almeida, idealizador do projeto, a cartilha reforça o papel do esporte como espaço de convivência cidadã:

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“O objetivo é mostrar ao torcedor seus direitos, mas também os deveres que evitam conflitos. Nico e Lau são ícones em Mato Grosso e, com humor, conseguem traduzir o que a lei prevê de forma lúdica e acessível.”

O Procurador-Geral de Justiça Paulo Prado ressaltou a importância da parceria entre Ministério Público e cultura:

“Queremos orientar, prevenir e esclarecer. E nada melhor do que contar com artistas que há 30 anos encantam o público com humor pedagógico.”

Já o coronel Sandro dos Santos Caillava, diretor da Escola Dom Pedro II, avaliou que a cartilha chega em um momento necessário:

“Vivemos numa sociedade tensionada. O esporte e o humor ajudam a diminuir conflitos. A cartilha é objetiva, colorida e atraente, alcançando diferentes idades. Além da versão impressa, também poderá ser digitalizada, ampliando o alcance.”

A voz da juventude

Os estudantes presentes também reconheceram a importância do material. Júlia Heloísa, do 1º ano, disse que a experiência trouxe consciência:

“Percebi que nossos atos têm consequências. O show e a palestra foram incríveis e ensinaram lições que levarei para a vida.”

Já Gabriel Miranda, do 2º ano, destacou a relevância do combate ao racismo nos estádios:

“É importante ter uma cartilha que nos lembre sempre de fazer o certo e não praticar discriminação.”

Para Isaac Paulo, também do 2º ano, a iniciativa pode ir além das escolas:

“Esse projeto incentiva a não praticar bullying e a levar a paz também para outros espaços da cidade.”

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Educação e esporte caminhando juntos

Durante a palestra, Paulo Prado reforçou que a escola não deve ser apenas espaço de conhecimento formal, mas também de convivência e cidadania:

“Quando aliada a práticas inclusivas, a educação estimula o respeito à diversidade, fortalece a autonomia e prepara as pessoas para a vida em sociedade.”

Direitos e deveres do torcedor

A cartilha sintetiza os principais pontos da Lei Geral do Esporte:

  • Direitos: ingressos numerados, segurança antes e depois dos jogos, transporte organizado, acessibilidade, higiene das instalações e alimentos em boas condições.
  • Deveres: não portar objetos perigosos, não entoar cânticos ofensivos, não invadir o campo e não praticar ou incitar violência.

Também reforça o combate aos crimes de racismo, cambismo, falsificação de produtos e tumultos em arenas. O torcedor que infringir a lei poderá ser punido com sanções civis e penais, além de restrições de acesso a eventos esportivos.

Distribuição estadual

Com tiragem inicial de 2 mil exemplares, a cartilha será distribuída gratuitamente em escolas e nas sacolas oficiais do estado de Mato Grosso. Além da versão impressa, haverá disponibilização digital nas redes sociais e no site do Ministério Público.

O lançamento foi marcado por palestras, apresentações culturais e muito humor, mostrando que cidadania, esporte e cultura podem caminhar juntos para transformar a experiência do torcedor e promover a paz nos estádios.

Colaborou, Luiz Henrique Menezes

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