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Colônia Agrícola é a 14ª unidade a receber o Reconstruindo Sonhos

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Doze recuperandos da Colônia Penal Agrícola de Palmeiras, a 90 km de Cuiabá, começaram nesta terça-feira (29) a participar do Projeto Reconstruindo Sonhos, iniciativa coordenada pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso com a proposta de oferecer às pessoas privadas de liberdade uma nova perspectiva de futuro. O projeto conta com a parceria de várias instituições.

A Colônia Penal Agrícola de Palmeiras é a 14ª unidade prisional do estado a receber o Reconstruindo Sonhos. Condenado a 21 anos de prisão por homicídio qualificado aos 54 anos de idade, Sandoval Dias Almeida é um dos integrantes da turma contemplada com a iniciativa. Ele conta que está preso desde 2016 e encontrou na poesia a força para resolver os conflitos internos e externos que passou a enfrentar quando chegou à prisão.

Foi nessa época, segundo ele, ainda em Peixoto de Azevedo, que escreveu a sua primeira poesia. Os versos revelam sentimentos de tristeza e esperança: “Céu sem estrelas, noite sem luar, nem os vaga-lumes vêm me iluminar, mas o amanhã é outro dia e o sol poderá me iluminar e a montanha da vida continuarei a escalar”.

Conforme o recuperando, o projeto Reconstruindo Sonhos é mais um estímulo para continuar “escalando a montanha da vida”. Ele disse que foi na prisão que conquistou o direito de frequentar a escola e de participar de diversos cursos. Desde 2019 na Colônia Penal Agrícola de Palmeiras, ele conta esperançoso que deve voltar ao convívio social em agosto do próximo ano. “Esta é mais uma oportunidade que estou tendo e acredito na força da minha superação”, afirmou.

O Projeto Reconstruindo Sonhos é dividido em duas fases. A primeira é constituída por 12 encontros temáticos com as seguintes abordagens: valores, visão de homem, traumas, espiritualidade, relações interpessoais, família, comunicação, trabalho, perspectiva de futuro e planejamento. A segunda etapa consiste na oferta de cursos de qualificação profissional, com a emissão de certificado.

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Na Colônia Penal, a primeira etapa do projeto será aplicada pelas voluntárias Eloíze da Costa Gonçalves, que é policial penal, e Gleice Kelly Alves da Silva, líder comunitária. Os encontros ocorrerão uma vez por semana.

São parceiros da iniciativa o Poder Judiciário, a Defensoria Pública, Governo do Estado, por meio da Secretaria Adjunta de Administração Penitenciária e da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, Ordem dos Advogados do Brasil Seccional MT, Fundação Nova Chance, Nova Acrópole Cuiabá, Instituto Ação Pela Paz e Conselho da Comunidade de Execução Penal de Santo Antônio de Leverger.

Lançamento – Durante a abertura, o diretor da unidade prisional, Jorge Bom Despacho Marques Fontes destacou que as reflexões que serão propostas no decorrer do projeto vão ajudar os recuperandos a buscar uma nova perspectiva de vida e enfatizou a importância do papel do Ministério Público.

“Eu sempre digo que o Ministério Público não é esse carrasco que parece ser. É esta instituição que, no cumprimento da pena, pega na mão do reeducando e o ajuda a seguir adiante. São projetos como este que vão manter essa colônia aberta, alimentando sonhos”, disse.

O promotor de Justiça Henrique Schneider Neto, que atua no município de Santo Antônio de Leverger, ressaltou que a expectativa é de que o Projeto Reconstruindo Sonhos dê uma visibilidade a mais ao trabalho de ressocialização que é desenvolvido na Colônia Agrícola de Palmeiras. Lembrou que em todo o estado existem aproximadamente 11.200 recuperandos em meio fechado e lembrou aos participantes sobre a importância do projeto.

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“O universo conspirou para que vocês, em meio a essas 11.200 pessoas, pudessem participar do projeto. Vocês são pessoas privilegiadas pelo universo para estarem aqui”, enfatizou.

Também participaram da mesa de abertura do evento de lançamento do projeto o secretário do Conselho da Comunidade de Execução Penal de Santo Antônio de Leverger, Clóvis Henrique, o presidente da Fundação Nova Chance, Winkler de Freitas Teles, o secretário de Estado Adjunto de Ciência, Tecnologia e Inovação, Edson Paulino de Oliveira, a superintendente de Política Penitenciária, Fabiana Benedita Ferreira de Siqueira Thiel e a subprefeita municipal de Santo Antônio de Leverger, Penha Sales.

A Colônia – Localizada no município de Santo Antônio de Leverger, a Colônia Penal Agrícola de Palmeiras abriga atualmente 20 recuperandos. O diretor da unidade, Jorge Fontes, explicou que são pessoas do sexo masculino que cumpriram mais de 1/6 da pena e que possuem aptidão para trabalhar na área agrícola.

Com aproximadamente 700 hectares, a Colônia Agrícola passa por um processo de revitalização. Atualmente, a unidade tem como foco principal a produção de mandioca, mas trabalha para expandir a produção com o cultivo de hortifruti, piscicultura, criação de galinha e comercialização de mel. “Estamos nos preparando para criarmos um selo social, aumentando e diversificando a produção”, adiantou o diretor.

Todos os recuperandos ajudam na manutenção da unidade e cuidam da sua própria roça. Cada interno fica responsável pelo preparo de sua comida, cuidados com a casa e lavagem de roupa. Os presos não têm autorização para sair da propriedade. Os que transgridem o limite são recolhidos e mandados de volta à unidade de origem.

Fonte: MP MT

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Cartilha “Torcida Fica Esperta” é lançada em Cuiabá para promover paz e cidadania nos estádios

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Na manhã desta quinta-feira (21), o auditório da Escola Estadual Militar Dom Pedro II (antigo Médici), em Cuiabá, foi palco do lançamento da cartilha “Torcida Fica Esperta”, uma iniciativa do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) em parceria com os humoristas Nico e Lau. Voltado para estudantes e torcedores, o material busca conscientizar sobre direitos e deveres previstos na Lei Geral do Esporte (Lei nº 14.597/2023), promovendo respeito, segurança e harmonia nas arenas esportivas.

Arte, humor e cidadania

A cartilha é ilustrada com personagens da dupla Nico e Lau, que assumem diferentes papéis para explicar, de forma lúdica e acessível, os principais pontos da legislação esportiva. Para o ator J. Astrevo (Lau), o projeto ganha força justamente por dialogar com os jovens:

“A lei trata de direitos e deveres do torcedor, como a segurança, a compra antecipada de ingressos e o combate a crimes como o racismo. É fundamental levar esse debate à juventude, que representa a nova geração de torcedores, para que aprendam a viver a emoção do futebol de forma pacífica.”

Seu parceiro, Lioniê Vitório (Nico), destacou que o humor tem papel pedagógico:

“O trabalho gráfico do designer Rick Milp trouxe uma linguagem leve e clara. Isso ajuda torcedores e torcedoras a compreenderem melhor seus deveres e direitos, principalmente em tempos de intolerância nos estádios.”

O olhar das instituições

Para o promotor de Justiça André Luiz de Almeida, idealizador do projeto, a cartilha reforça o papel do esporte como espaço de convivência cidadã:

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“O objetivo é mostrar ao torcedor seus direitos, mas também os deveres que evitam conflitos. Nico e Lau são ícones em Mato Grosso e, com humor, conseguem traduzir o que a lei prevê de forma lúdica e acessível.”

O Procurador-Geral de Justiça Paulo Prado ressaltou a importância da parceria entre Ministério Público e cultura:

“Queremos orientar, prevenir e esclarecer. E nada melhor do que contar com artistas que há 30 anos encantam o público com humor pedagógico.”

Já o coronel Sandro dos Santos Caillava, diretor da Escola Dom Pedro II, avaliou que a cartilha chega em um momento necessário:

“Vivemos numa sociedade tensionada. O esporte e o humor ajudam a diminuir conflitos. A cartilha é objetiva, colorida e atraente, alcançando diferentes idades. Além da versão impressa, também poderá ser digitalizada, ampliando o alcance.”

A voz da juventude

Os estudantes presentes também reconheceram a importância do material. Júlia Heloísa, do 1º ano, disse que a experiência trouxe consciência:

“Percebi que nossos atos têm consequências. O show e a palestra foram incríveis e ensinaram lições que levarei para a vida.”

Já Gabriel Miranda, do 2º ano, destacou a relevância do combate ao racismo nos estádios:

“É importante ter uma cartilha que nos lembre sempre de fazer o certo e não praticar discriminação.”

Para Isaac Paulo, também do 2º ano, a iniciativa pode ir além das escolas:

“Esse projeto incentiva a não praticar bullying e a levar a paz também para outros espaços da cidade.”

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Educação e esporte caminhando juntos

Durante a palestra, Paulo Prado reforçou que a escola não deve ser apenas espaço de conhecimento formal, mas também de convivência e cidadania:

“Quando aliada a práticas inclusivas, a educação estimula o respeito à diversidade, fortalece a autonomia e prepara as pessoas para a vida em sociedade.”

Direitos e deveres do torcedor

A cartilha sintetiza os principais pontos da Lei Geral do Esporte:

  • Direitos: ingressos numerados, segurança antes e depois dos jogos, transporte organizado, acessibilidade, higiene das instalações e alimentos em boas condições.
  • Deveres: não portar objetos perigosos, não entoar cânticos ofensivos, não invadir o campo e não praticar ou incitar violência.

Também reforça o combate aos crimes de racismo, cambismo, falsificação de produtos e tumultos em arenas. O torcedor que infringir a lei poderá ser punido com sanções civis e penais, além de restrições de acesso a eventos esportivos.

Distribuição estadual

Com tiragem inicial de 2 mil exemplares, a cartilha será distribuída gratuitamente em escolas e nas sacolas oficiais do estado de Mato Grosso. Além da versão impressa, haverá disponibilização digital nas redes sociais e no site do Ministério Público.

O lançamento foi marcado por palestras, apresentações culturais e muito humor, mostrando que cidadania, esporte e cultura podem caminhar juntos para transformar a experiência do torcedor e promover a paz nos estádios.

Colaborou, Luiz Henrique Menezes

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