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Ministério Público suspeita que incêndio em aldeia xavante seja criminoso

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O Ministério Público Federal (MPF) requisitou à Polícia Federak e à Fundação Nacional do Índio (Funai) que investiguem as causas do incêndio que atingiu as casas da Aldeia Ethenhiritipá, localizada na Terra Indígena Pimentel Barbosa, da etnia xavante, na manhã de quinta-feira (4).

De acordo com informações iniciais, recebidas pelo 1º Ofício da Procuradoria da República em Barra do Garças (509 km a Leste de Cuiabá), todas as 48 casas da aldeia foram incendiadas.

Ao saber do ocorrido, o procurador da República Everton Aguiar entrou em contato com a Coordenação Regional da Funai, em Ribeirão Cascalheira (900 km a Nordeste da Capital) para que os fatos fossem apurados.

Inicialmente, as informações dão conta de que há indícios de crime, o que coloca em risco a integridade física dos habitantes da Aldeia Ethenhiritipá.

“Os fatos necessitam de imediata apuração pela Polícia Federal, devendo-se realizar diligência no local com o objetivo de reunir elementos concretos sobre os fatos, colhendo elementos de autoria e materialidade delitivas”, afirmou o procurador da República em Barra do Garças.

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Diante dos fatos, o procurador requisitou que a Polícia Federal instaure inquérito policial e realize, de forma imediata, diligências no local.

Também solicitou que a Funai (CR Ribeirão Cascalheira) adote as providências pertinentes, e encaminhe informações atualizadas ao MPF sobre o caso.

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ARTIGO & OPINIÃO

Novo livro mostra como a mídia influencia a forma como humanos tratam os animais

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A forma como a imprensa retrata os animais pode influenciar diretamente abandono, maus-tratos ou proteção das espécies. É o que discute a jornalista e pesquisadora Eveline Baptistella em seu novo livro “Animais e Mídia: Um estudo sobre a comunicação e seu poder para promover (ou não) os direitos dos animais”. Com base em décadas de pesquisa, ela mostra como as narrativas midiáticas, especialmente na imprensa, influenciam a maneira como a sociedade enxerga as demais espécies de animais e como as trata.

O livro discute o conceito de especismo, apontando como a mídia classifica os animais que são dignos de empatia ou de repulsa social, cuja separação pode ocorrer por estética, grau de submissão de domesticação e histórico nas relações com humanos.

Com vasta experiência nas redações e formadora de novos jornalistas, como professora da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), Eveline propõe a reflexão sobre o papel do profissional de imprensa nas coberturas que envolvam outras espécies de animais.

Em suas páginas, a pesquisadora resgata a cobertura jornalística realizada durante a corrida espacial, na década de 1950, quando cães, coelhos e ratos foram enviados ao espaço antes das viagens tripuladas por humanos. À época, esses animais foram submetidos a estresse e mortes dolorosas.

O livro também aborda a cobertura jornalística da imprensa cuiabana durante um surto de toxoplasmose, em 2011, cujo uso de palavras contribuiu para um abandono recorde de gatos nas ruas da capital mato-grossense, além de casos de maus-tratos contra eles.

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Nos dois casos, Baptistella destaca como a formulação das perguntas certas e a apresentação completa das informações poderiam ter alterado a forma como a sociedade reagiu aos episódios, demonstrando que a comunicação, quando mal conduzida, pode provocar consequências concretas e graves para outras espécies.

O Pantanal, com sua fauna única, também é destaque. Baptistella aborda o papel da mídia na proteção das ariranhas e outras espécies pantaneiras. A autora reflete sobre a linha tênue: se por um lado a cobertura midiática traz visibilidade e proteção legal, por outro, o aumento da presença humana em áreas sensíveis gera estresse nos animais, podendo levar a conflitos entre humanos e não humanos.

Baptistella alerta que a mídia, ao mesmo tempo em que expõe os riscos das micro-hidrelétricas, também pode, inadvertidamente, intensificar a exploração da região. Esse paradoxo é discutido, mostrando como a responsabilidade da comunicação é vital para equilibrar preservação e respeito à fauna local.


A autora também analisa como documentários, entretenimento e redes sociais moldam sentimentos de empatia, medo ou indiferença em relação aos animais. A autora observa que essas narrativas ajudam a moldar sentimentos de proximidade, medo ou indiferença em relação às espécies.

Destacando a responsabilidade do comunicador, Baptistella convida o leitor a pensar sobre a ética envolvida em cada notícia, documentário ou postagem em rede social.

O livro se encerra com uma entrevista exclusiva do etólogo Marc Bekoff, um dos principais nomes globais da ética nas relações entre humanos e outras espécies. Professor emérito da Universidade do Colorado, ele construiu uma carreira dedicada ao estudo das emoções, da cognição e da vida social dos animais, defendendo que eles são seres sencientes e merecem consideração moral.

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Bekoff também destaca, na entrevista, o papel fundamental da imprensa na formação da consciência pública sobre o tema. Para ele, a forma como os animais são retratados nas notícias, documentários e nas redes sociais pode contribuir tanto para ampliar a empatia e a proteção das espécies quanto para reforçar práticas que ignoram seu bem-estar, o que torna ainda mais necessária uma comunicação responsável e ética.

Com uma linguagem acessível, o livro é um convite para que profissionais da comunicação e o público em geral repensem sua responsabilidade ao dar voz, ou silenciar, os outros animais.

A obra será lançada no próximo sábado, 14 de março, em São Paulo. O lançamento em Cuiabá ainda não tem data prevista.

*SERVIÇO*
O QUÊ: Lançamento do livro “Animais e Mídia: Um estudo sobre a comunicação e seu poder para promover (ou não) os direitos dos animais”.
QUANDO: sábado, 17 de março, a partir das 17h
AONDE: Drummond Livraria – Av. Paulista, 2.073 Conjunto Nacional, loja 153 – Consolação, São Paulo – SP.

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