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Anvisa aprova vacina contra a dengue no Brasil. A vacina do laboratório Takeda estará disponível na rede privada já no mês de maio.

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O Mato Grosso tem enfrentado um aumento significativo nos casos de dengue em 2023. O estado já é o 7º do país com maior número de casos da doença, segundo o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, que analisou o período entre os dias 2 de janeiro a 26 de março. Só fica atrás de Goiás, São Paulo, Distrito Federal, Minas Gerais e Tocantins. Desde o início deste ano, foram registrados 12.602 casos da doença no estado.

Em meio a esse cenário preocupante, a boa notícia é que o primeiro imunizante liberado no Brasil para pessoas que nunca entraram em contato com o vírus da dengue, chegará ao país em maio deste ano. Em março, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro da  Qdenga (TAK-003), do laboratório japonês Takeda Pharma. O imunizante é indicado para pessoas entre 4 e 60 anos que nunca entraram em contato com o vírus da dengue, mas também poderá ser aplicado em quem já teve a doença.

A Qdenga é uma vacina tetravalente, ou seja, oferece proteção contra os quatro sorotipos do vírus da dengue. Seu esquema de vacinação prevê duas doses, aplicadas com intervalo de três meses entre elas. Nos ensaios clínicos, a Qdenga mostrou ter uma eficácia geral de 80,2% contra a dengue causada por qualquer sorotipo após 12 meses da segunda dose. A vacina também reduziu as hospitalizações em 90%. 

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O imunizante estará disponível inicialmente apenas na rede privada de saúde. Ainda não há uma previsão para a incorporação da vacina ao Sistema Único de Saúde (SUS).

“A disponibilidade da vacina Qdenga na rede privada de saúde é um passo importante para a prevenção da dengue no Brasil”, afirma Fábio Argenta, médico e CEO da Saúde Livre Vacinas.

Fábio ainda alerta que, embora a vacina Qdenga tenha se mostrado eficaz em estudos clínicos, é importante destacar que ela não é uma solução única para o controle da dengue. “A vacinação deve ser combinada com outras medidas preventivas, como a eliminação dos criadouros do mosquito Aedes aegypti e a conscientização da população sobre a importância da proteção individual contra a doença.”

Dengue avança no Brasil

No ano de 2022, o Brasil contabilizou 1.450.270 casos prováveis da doença no país no ano passado, um aumento de 162,5% na comparação com 2021.

De acordo com especialistas, os períodos chuvosos, principalmente no verão, aliados à diminuição da percepção de risco para a dengue, são os principais motivos que levaram à alta nos casos e mortes em 2022. “Com a chuva, aumentam os riscos de água parada. É o cenário perfeito para que o Aedes aegypti se reproduza”, explica um especialista em saúde pública.

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A dengue é uma doença viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, e seus sintomas incluem febre alta, dor de cabeça, dores musculares e articulares, além de náuseas e vômitos. A prevenção é a melhor forma de combater a doença, com medidas simples como o uso de repelentes, a eliminação de criadouros do mosquito e o uso de mosquiteiros.

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AGRO & NEGÓCIOS

Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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