CUIABÁ

Procissão Fluvial

Uma Jornada Melódica da Praia do Poço até Santo Antônio do Leverger em comemoração aos 123 anos do município, veja vídeo

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Nas águas calmas do majestoso Rio Cuiabá, e com o tempo um pouco nublado, desta segunda-feira(12), uma tradição ancestral é mantida viva pelas mãos e vozes dos cururueiros, que embarcam em uma emocionante jornada durante a Procissão Fluvial. É um evento que transcende o tempo, ligando o presente às raízes profundas de uma comunidade ribeirinha que encontra sua identidade nas melodias entoadas com devoção e fervor.

Da play no vídeo abaixo…

Tudo começa na Praia do Poço, onde os fiéis se reúnem em uma atmosfera de espera e fé. O tempo nublado, “uma raridade pra essas bandas que geralmente é muito ensolarada e bastante quente”, criando uma paisagem um pouco opaca mas não desanimadora para esses ribeirinhos raízes que mantem essa manifestação cultural única no Pantanal. À medida que as embarcações se preparam para a jornada, os cururueiros afinam seus instrumentos e as vozes se aquecem para entoar as melodias que reverberam pelas margens do rio.

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A procissão inicia sua trajetória, deslizando suavemente pelas águas do rio ao som dos fogos avisando os moradores do entorno que já está a caminho de Santo Antonio de leverger. À frente, a imagem sagrada de Santo Antônio que é cuidadosamente colocada na proa de uma embarcação especialmente preparada. É um momento de profunda devoção, onde a fé e a tradição se unem em uma só correnteza.

As melodias dos cururueiros ecoam pelo rio, envolvendo a atmosfera com sua doce harmonia. Os instrumentos típicos da região, como a viola de cocho e o ganzá, ganham vida e se unem às vozes entrelaçadas dos cantadores. Cada nota, cada palavra, é uma prece cantada, uma forma de conexão com o divino.

À Procissão Fluvial avança, as margens do Rio Cuiabá. Homens, mulheres e crianças em suas pequenas embarcações, maravilhados com a grandiosidade desse evento que celebra a cultura e a religiosidade que permeiam suas vidas.

Embalados pelas músicas tradicionais dos cururueiros que é uma celebração que transcende a individualidade e une a comunidade em uma voz única.

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E assim, após 2 horas de uma jornada melódica repleta de devoção, a Procissão Fluvial chega a Santo Antônio do Leverger. E as comemorações seguem até dia 13 de junho terça-feira com atividades nas comunidades de Mimoso e Porto de Fora e a noite pra fechar com chave de ouro um grande show com o cantor popuplar e de muito sucesso, Amado BatistaParte superior do formulário

Nós do site sarannews.com.br desejamos muitas falicidades a essa gente trabalhadora e de raízes fortes fincadas e regadas pelo rio que contrubui para um Pantanal belo e gigante.

Colaborador: Luiz Henrique Menezes

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AGRO & NEGÓCIOS

Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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